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França

Escândalos de corrupção mudam rumo da campanha eleitoral na França

media O candidatos republicano, François Fillon (e), e a candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, ambos acusados de corrupção e irregularidades. REUTERS/Stephane Mahe/Christian Hartmann

Primeiro foi o candidato do partido Os Republicanos, François Fillon, ser alvo de denúncias de empregar irregularmente a esposa e dois filhos como assessores parlamentares. Depois, foi a vez da candidata da extrema-direita, Marine Le Pen, cair na malha fina da União Europeia. Esses escândalos abalam a confiança dos franceses em relação à política e a seus representantes e podem afetar os resultados da eleição presidencial, a poucas semanas do primeiro turno.

Ele propõe suprimir 500 mil empregos públicos, passar a semana de trabalho dos franceses de 35 horas para 39 horas, reduzir boa parte dos reembolsos do sistema de saúde público aos usuários. François Fillon deixou claro, desde os primeiros discursos como candidato da direita, que seria implacável com os cidadãos que abusam e tiram vantagem dos serviços do Estado. Até ele mesmo se ver no centro de um escândalo de uso irregular do dinheiro público.

No final de janeiro, o jornal Le Canard Enchainé revelou que a esposa do republicano, Penelope Fillon, teria sido empregada durante quinze anos como sua assistente parlamentar e recebido mais de € 800 mil, sem jamais ter trabalhado. Dias depois, a imprensa francesa trazia à tona novas revelações: além da mulher, dois filhos do candidato da direita também teriam sido empregados como seus assistentes, segundo explicações do próprio Fillon, para ajudá-lo a escrever um livro e apoiá-lo a se preparar ao cargo de primeiro-ministro, função que exerceu durante o governo do presidente Nicolas Sarkozy (2007-2012).

O republicano chegou a organizar uma coletiva de imprensa para dar explicações públicas sobre o escândalo dos empregos fantasmas. Apesar de jurar diante de 200 jornalistas e em cadeia pública de televisão que a mulher e os filhos exerceram as funções, Fillon, que chegou a liderar as estimativas para o segundo turno das eleições presidenciais francesas, viu sua candidatura naufragar. Em alguns dias, perdeu dez pontos nas pesquisas de intenção de voto, cedendo o segundo lugar na corrida presidencial para o candidato independente, Emmanuel Macron.

Um antiga entrevista de Penelope Fillon a uma jornalista britânica, em que afirma jamais ter trabalhado, engrossou a polêmica. Para piorar a situação, sofrendo pressão por parte de toda a classe política francesa, o republicano resolveu resistir e não renunciar à candidatura, a não ser, segundo ele, se fosse indiciado.

Na quarta-feira (1°), ao saber que deverá se explicar diante da justiça francesa no próximo dia 15 de março, Fillon recorreu a uma nova coletiva de imprensa. Desta vez para denunciar uma “tentativa de assassinato político”, orquestrada, segundo ele, por seus opositores e pela imprensa francesa. "Minha decisão é clara: sou candidato e continuarei até a vitória", declarou em entrevista ao jornal Le Figaro, abandonando a promessa da renúncia em caso de indiciamento. Para especialistas, esse último capítulo enterrou de vez a candidatura de Fillon.

Marine Le Pen surfa na popularidade dos “contra o sistema”

Marine Le Pen, líder do partido da extrema-direita Frente Nacional, também se viu em maus lençóis a poucas semanas das eleições. Mas, surfando em uma onda de alta popularidade de candidatos “contra o sistema” em todo o mundo, ela segue liderando as pesquisas de intenção de voto para o primeiro turno.

Há duas semanas Marine Le Pen, que é deputada europeia, foi acusada de ter empregado irregularmente seu guarda-costas e uma amiga como assessores parlamentares em Bruxelas, sede do Parlamento Europeu. Convocada para prestar explicações na Justiça, a líder do FN, que alega inocência, se recusou a obedecer à convocação.

Na quinta-feira (2), a candidata da extrema-direita enfrentou uma nova polêmica. O Parlamento Europeu votou pela revogação de sua imunidade parlamentar para que ela possa ser processada por difundir cenas de violência no Twitter. Em dezembro de 2015, Marine Le Pen publicou três imagens de agressões perpetradas pelo grupo Estado Islâmico, entre elas a da cabeça do jornalista britânico James Foley, decapitado em 2014 pelos extremistas.

"Eu publiquei duas, três fotos dos horrores do grupo Estado Islâmico e escrevi o 'O grupo Estado Islâmico é isso'. Eu denunciei este horror", explicou Le Pen em entrevistas ao canal de televisão LCP e à rádio France Bleu.

Apesar das polêmicas e das acusações de corrupção, a popularidade da candidata parece inabalável. Segundo o professor da Universidade de Orléans e da Sciences Po de Paris Jean Garrigues, historiador e autor do livro “Elysée Circus”, o fenômeno se deve a um comportamento específico dos partidários da extrema-direita. “Os eleitores da Frente Nacional fecham os olhos para todos os excessos da sua candidata. Cada vez que Marine Le Pen é criticada, eles consideram que há um complô contra ela da parte da classe política tradicional e das mídias”, analisa.

O professor emérito da Sciences Po de Bordeaux Pierre Sadran defende a mesma ideia de blindagem em torno da líder da extrema-direita. “Para seu eleitorado, o que conta é que a extrema-direita nunca chegou à presidência. Por isso, para eles, Marine Le Pen é a melhor opção em relação aos outros, independentemente das denúncias que existem contra ela”, diz.

Confiança dos franceses em seus políticos é abalada

Para os dois especialistas, não há dúvidas de que a série de escândalos de corrupção envolvendo dois candidatos à presidência prejudica a política francesa e abala a confiança da população em seus representantes.

“Um dos grandes problemas que explica o atual divórcio entre os cidadãos e a elite política é a impressão que seus governantes vivem em um outro mundo, de maneira privilegiada”, avalia Garrigues. Segundo o historiador, o caso dos empregos fantasmas envolvendo Penelope Fillon e os filhos do candidato da direita provam esse sentimento de onipotência da classe política.

“Há uma crise de confiança em relação aos políticos na França que está aumentando e tomando conta da sociedade”, observa Sadran. Para o cientista político, isso cria uma classe de cidadãos que não é despolitizada, mas que, decepcionada, passa a recusar a política “tradicional”.

Para Garrigues, essa imagem negativa dos políticos é prejudicial porque incita duas reações nos eleitores: se abster do voto ou optar por candidatos “contra o sistema” para protestar contra partidos e representantes tradicionais. Por isso, lembra, Marine Le Pen e Emmanuel Macron são tão populares neste momento.

O especialista ressalta que há décadas os franceses deixaram de confiar em seus políticos, “acreditando que toda a classe é corrupta, pensa apenas em seus interesses e rouba o dinheiro do povo”. O que é novo e positivo, de acordo com Garrigues, é uma “exigência moral” da parte dos cidadãos, que não aceitam ser indulgentes com irregularidades envolvendo os políticos.

“Em 2002, Jacques Chirac estava envolvido em diversos escândalos, mas foi reeleito em parte porque os franceses não queriam votar em Jean Marie Le Pen, mas também porque, naquela época, os eleitores consideraram que não era assim tão grave ter comportamentos transgressivos em relação à ética e à moral”, afirma.

Mas, segundo o historiador, “hoje as coisas mudaram”. Para Garrigues, a mentalidade dos franceses se aproxima atualmente da visão dos anglo-saxões e dos escandinavos, que consideram que a corrupção e os privilégios são inadmissíveis. “Eles não suportam mais esse tipo de situação”, enfatiza.

Na mira dos eleitores também está a legalidade dos políticos franceses de empregar familiares. Tanto Garrigues quanto Sadran concordam que embora seja permitido por lei, usar o dinheiro público para que cargos sejam ocupados por parentes de políticos é algo que não se adapta mais à realidade do cidadão. No entanto, o jornal Le Monde revelou, em sua edição de quarta-feira, que um em cada seis deputados franceses emprega membros de suas famílias.

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