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França

Franceses escolhem o candidato socialista para eleição presidencial

media O ex-ministro Benoît Hamon (e) enfrenta o ex-premiê Manuel Valls para saber quem vai representar o Partido Socialista na eleição presidencial ©JOEL SAGET / AFP

Os eleitores foram convocados às urnas para escolher neste domingo (29) quem será o candidato do Partido Socialista (PS) nas eleições presidenciais de abril e maio deste ano na França. O segundo turno das primárias será decidido entre o ex-premiê Manuel Valls e o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, vencedor do primeiro turno.

Considerado a revelação da campanha, Hamon , de 49 anos, faz parte da ala mais à esquerda do PS. Sua proposta de criar um salário universal de € 750 por mês para todos os franceses foi um dos principais temas do programa. Ele também não poupou críticas à política considerada liberal aplicada por Valls, quando o premiê comandava o governo.

Para se impor, o ex-primeiro-ministro não hesitou em multiplicar os ataques. Este barcelonês de 54 anos, que se naturalizou francês aos 20 anos, lançou sua candidatura em novembro, apresentando-a como uma "proposta de revolta" diante da derrota anunciada de seu campo nas presidenciais de abril e maio.

Pouco impacto na eleição presidencial

Porém, muitos analistas afirmam que as primárias não devem ter um impacto direto na escolha do próximo chefe de Estado. “Pela primeira vez, o Partido Socialista não está em condições de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais. Atualmente, quem estaria no segundo turno seriam os candidatos da direita e da extrema-direita”, explica o cientista político Gaspard Estrada, do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences-Po). “O que está em jogo nesta primária não é o nome do futuro presidente da República, e sim o nome de quem será o líder da oposição socialista”, analisa.

Além disso, esse pleito não contou com a participação de dois possíveis candidatos na corrida presidencial, oficialmente à esquerda do tabuleiro político: Jean-Luc Mélenchon, líder da Frente de Esquerda da França, popular principalmente nas redes sociais, mas que sofre nas pesquisas de opinião, e Emmanuel Macron, ex-ministro da Economia, também do PS, mas de tendência neoliberal.

Referendo anti-Valls

Muitos também vêem neste pleito uma espécie de referendo anti-Valls, criticado por suas posições polêmicas nos últimos anos. O ex-premiê faz parte da ala mais linha dura do Partido Socialista e é visto por seus opositores como um personagem autoritário. Antes de assumir o cargo de primeiro-ministro, em março de 2014, ele foi ministro do Interior durante quase dois anos e se destacou por posições que nem sempre agradaram, inclusive dentro de sua legenda. Como chefe do governo, Valls impôs uma reforma trabalhista, chegou a elogiar o mundo empresarial, e lançou o polêmico debate sobre a proibição nas praias francesas do burquíni, o traje de banho para as mulheres muçulmanas.

No primeiro turno das primárias do Partido Socialista e aliados o ex-premiê conquistou 31,5% dos votos, contra 36% para Hamon.

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