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França

"Duas esquerdas" disputam 2° turno das primárias socialistas na França

media Capa dos jornais franceses destaca o duelo entre Benoît Hamon e Manuel Valls no 2° turno das primárias dos socialistas e aliados. RFI

Os jornais desta segunda-feira (23) analisam os resultados do primeiro turno das primárias dos socialistas e aliados visando a eleição presidencial francesa de maio. Os vitoriosos foram o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, 49 anos, que chegou em primeiro lugar com 36% dos votos, e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, 54 anos, que obteve 31%. Arnaud Montebourg, 54 anos, ficou em terceiro, com 17,5%. Os outros quatro candidatos que participaram da disputa somaram cerca de 13%.

Montebourg já recomendou aos seus eleitores para votar em Hamon no segundo turno, no próximo domingo (29). Amigos, os dois dissidentes abandonaram François Hollande na mesma época, em agosto de 2014, quando o presidente escolheu Valls para chefiar o governo e endossou a guinada social liberal no governo.

Ao analisar os resultados, o jornal de esquerda Libération nota que a soma dos votos dos dissidentes, que representam a ala mais à esquerda do Partido Socialista, supera 50%, o que é uma revanche. Esses resultados, segundo o Libération, "mostram que a esquerda perde sua alma quando ela deixa de encarnar seus valores, ainda mais quando o país atravessa uma situação econômica difícil".

O Libération acredita que o vencedor do segundo turno corre o risco de ver os eleitores do Partido Socialista (PS) preferirem votar em Emmanuel Macron, 39 anos, e Jean-Luc Mélenchon, 65 anos, nas presidenciais. Ambos acertaram ao declinar das primárias, fugindo do balanço negativo de Hollande, e agora estão em terceiro e quarto lugar nas pesquisas, respectivamente, atrás dos conservadores Marine Le Pen, 48 anos, e François Fillon, 62 anos.

Renda mínima é o principal alvo de ataques

O jornal conservador Le Figaro destaca que Hamon e Valls têm programas divergentes e ilustram a fratura ideológica interna do PS. Valls, da ala mais à direita, representa o socialismo liberal, enquanto Hamon é um legítimo representante da esquerda.

A principal proposta de Hamon é um programa de renda mínima universal que custaria bilhões de euros ao país, já bastante endividado. Para o Le Figaro, "os dois finalistas estão destinados ao fracasso no domingo e a uma humilhante eliminação do PS no primeiro turno da eleição presidencial".

O diário popular Aujourd'hui en France considera que "ainda é cedo para condenar a derrota do ex-primeiro-ministro Manuel Valls", que defende sua experiência de governo. O que os eleitores mostraram é que desejam uma renovação profunda do PS, estima o La Croix.

Macron e Mélenchon saem fortalecidos

Os resultados das primárias dos socialistas e aliados fortalecem as candidaturas de Macron e Mélenchon, conclui o diário Aujourd'hui en France. O ex-hollandista Macron é a personalidade política em ascensão nesta campanha, enquanto Mélenchon, veterano da extrema-esquerda, agrada o proletariado que se sente órfão do PS.

O diário econômico Les Echos acredita que será difícil reconstruir um partido tão dividido a três meses da eleição presidencial. O católico La Croix critica o tom dos debates das primárias, por considerar que as discussões foram "muito técnicas", sem oferecer aos eleitores de esquerda uma visão sobre o futuro do país.

Desde sábado, a imprensa falava em morte anunciada do Partido Socialista.

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