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França

Presidenciais na França: Hamon e Valls vencem o primeiro turno das primárias da esquerda

media Considerado um "outsider" pela imprensa francesa, Benoît Hamon vence o primeiro turno das primárias socialistas em 22 de janeiro de 2017. REUTERS/Jacky Naegelen

O ex-ministro Benoît Hamon e o ex-premiê francês, Manuel Valls, disputarão o segundo turno das primárias dos socialistas e seus aliados em 29 de janeiro de 2017. O pleito decidirá quem será finalmente o candidato oficial da esquerda à eleição presidencial na França, entre abril e maio desse ano.

As sete mil seções eleitorais em todo o país abriram suas portas às 9h da manhã, pelo horário local (6h em Brasília) e a votação terminou pontualmente às 19h de Paris. Benoît Hamon recebeu 36% dos votos, seguido do ex-primeiro-ministro da França, Manuel Valls, com 31% dos votos e 17,7% do ex-ministro Arnaud Montebourg, que, após a derrota, anunciou seu apoio ao primeiro colocado.

O ex-ministro francês, Benoît Hamon, após votar em Trappes, neste domingo, 22 de janeiro de 2017. REUTERS/Jacky Naegelen

Apôs a vitória no primeiro turno das primárias organizadas pelo Partido Socialista, Benoît Hamon se dirigiu a um barco [uma "peniche" francesa], ancorado no rio Sena [que corta a cidade de Paris], onde era esperado pelos militantes. Entre eles, muitos jovens. "Obrigado aos eleitores de esquerda que tiveram confiança em mim. (...) Respirar a democracia é o coração do projeto político que eu defendo. Os franceses que votaram por mim não votaram por resignação, mas por convicção", afirmou Hamon em seu discurso de vitória. "Confiança com responsabilidade, mas também com muito entusiasmo. Viva a França. Viva a República", finalizou Hamon, num discurso que parece ter sido aprovado pela imprensa francesa.

Antigo ministro da Educação, Benoît Hamon tem 49 anos e pertence à ala posicionada mais à esquerda no Partido Socialista francês. Encorajado pelos resultados das sondagens, Hamon defendeu, nos dias que antecederam o primeiro turno das primárias socialistas, "sentir que a [sua] hora tinha chegado". Sua proposta principal [e muito contestada por Manuel Valls] é "uma renda universal de 750 euros para cada cidadão francês".

"Felicito os dois finalistas, Manuel Valls e Benoît Hamon (...) Espero que a mobilização da esquerda francesa cresça e se torne cada vez mais forte no segundo turno destas primárias, para conseguirmos bater a direita de François Fillon, e para destruir as forças racistas e fascistas da Frente Nacional de Madame Marine Le Pen", afirmou o também candidato do Partido Socialista neste primeiro turno, Vincent Peillon.

"Derrota garantida"

Declaração de Manuel Valls após o segundo lugar nas primárias do Partido Socialista e de seus aliados, em 22 de janeiro de 2017. REUTERS/Charles Platiau

O segundo colocado Manuel Valls atacou diretamente Benoît Hamon durante seu pronunciamento à imprensa neste domingo (22), logo após o anúncio dos resultados. "Será uma derrota garantida", afirmou o ex-primeiro-ministro se referindo a Hamon. Ele afirmou que vai "lutar até o fim" para se tornar o candidato oficial dos socialistas e aliados na eleição presidencial francesa de 2017. 

"Estou feliz, feliz de me encontrar cara a cara com Benoît Hamon, é uma nova campanha que começa ", disse Valls. "A escolha de vocês agora, queridos compatriotas, é entre uma derrota garantida e uma vitória possível. A escolha entre promessas irrealizáveis e impossíveis de serem realizadas e uma esquerda com credibilidade e que assume as responsabilidades do país", finalizou o ex-premiê da França.

"Bela aliança popular"

As primárias "belle alliance populaire" (bela aliança popular, em português) são organizadas pelo Partido Socialista (PS), mas contam com a participação de candidatos de mais três partidos de esquerda. Os quatro representantes do PS foram o ex-primeiro-ministro, Manuel Valls, e os ex-ministros Arnaud Montebourg, Benoît Hamon e Vincent Peillon. O ecologista François de Rugy, o centrista Jean-Luc Bennahmias, e a presidente do Partido Radical de Esquerda, Sylvia Pinel, completam a lista.

O primeiro turno das primárias socialistas era considerado imprevisível pelos analistas. Sete pré-candidatos às presidenciais francesas participaram da votação, sendo três favoritos pelas pesquisas: o ex primeiro-ministro Manuel Valls e o ex-ministros Benoît Hamon e Arnaud Montebourg.

Somente os dois primeiros colocados deste domingo (22), Hamon e Valls, participam do segundo turno, no dia 29 de janeiro de 2017, que vai eleger finalmente o candidato da esquerda à eleição presidencial francesa, entre abril e maio deste ano.

O ex-premiê da França, Manuel Valls, vota, em Evry, durante o primeiro turno das primárias da esquerda, em 22 de janeiro de 2017.

Participação menor que 2011

Quase 2 milhões de franceses votaram neste primeiro turno das primárias da esquerda, confirmando as previsões de Christophe Borgel, presidente do Comitê Nacional de Organização da Primária. Uma das questões-chave e um dos principais indicativos da mobilização desse primeiro turno é o grau de participação dos eleitores durante esta etapa do pré-pleito presidencial na França.

A coalizão de esquerda tentou mas não conseguiu mobilizar um número de votantes que demonstrasse entusiasmo nessas primárias dos socialistas e seus aliados.

Por volta de 17h de Paris deste domingo (22), cerca de 1 milhão de franceses já haviam votado, uma participação menor do que os 1,5 milhão de votos nas primárias da esquerda na França de 2011, antecipando uma mobilização mais baixa que a de 2011, no mesmo período. Na época, foram contabilizados cerca de 2,7 milhões de votos, distribuídos nos cerca de 10 mil postos de votação em toda a França. 

Durante o primeiro turno das primárias da direita francesa, em novembro de 2016, mais de 4,2 milhões de franceses foram às urnas, um número proporcionalmente muito maior do que a participação à esquerda. O candidato eleito durante as primárias da direita na França foi o "azarão" François Fillon, que correu por fora e desbancou nomes históricos dos conservadores franceses, como Nicolas Sarkozy.

Unanimidade apenas nas críticas ao presidente François Hollande

No meio da expectativa que antecedeu o anúncio dos nomes dos dois vencedores deste primeiro turno das primárias francesas, por volta das 20h30 (horal local de Paris, 17h30 em Brasília), uma única coisa era certa: as críticas da maior parte da imprensa francesa à ausência do presidente François Hollande, atualmente em viagem à América Latina, a última de seu mandato.

"São impressionantes o desprezo e o descaso do presidente François Hollande com este momento da vida política de seu país", criticou um apresentador do canal BFMTV, crítica repetida à exaustão em outros veículos. A ausência do presidente foi entendida como "desprezo" e "falta de interesse" à sua sucessão. Uma comentarista chegou a sugerir que François Hollande, do Partido Socialista, tenha "se esmerado em poluir" as primárias da esquerda francesa.

A postura do presidente François Hollande também suscita uma série de questões por parte da imprensa francesa, que vê a decisão do chefe de Estado como um apoio disfarçado ao candidato Emmanuel Macron.

Em Santiago, Hollande evitou as críticas sobre seu giro internacional nesse momento. Ele não quis fazer comentários sobre o primeiro turno das primárias do PS, mas garantiu que "se interessa pela vida política francesa". No final deste domingo (22), após visitar uma usina de energia solar do grupo francês EDF no deserto de Atacama, o presidente francês seguiu para a Colômbia, última etapa da viagem.

"Sistema exausto e fratricida"

Para Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, "as primárias francesas, longe de serem um claro avanço democrático, são muito mais a imagem de um sistema exausto. Sem grandes líderes incontestes, sem grandes visões políticas e sem autoridade para enfrentar as reformas necessárias para tirar o país de uma crise que não acaba mais, os principais partidos estão estilhaçados em várias correntes internas que só vêm complicar ainda mais a fragmentação política do país", afirmou, durante sua crônica para a RFI Brasil.

"Os enfrentamentos fratricidas são de tal ordem que não havia jeito de escolher um candidato consensual sem apelar para o voto dos simpatizantes", declarou Valladão.

Dentro desse contexto, a mobilização dos militantes de esquerda ainda continua um mistério no xadrez político da França. A imprensa local questiona como ser organizará o apoio aos candidatos vencedores deste primeiro turno, uma vez que líderes posicionados à esquerda do espectro político francês, e donos de popularidade expressiva, como Emmanuel Macron ou Jean-Luc Mélenchon não participam das primárias organizadas pelo Partido Socialista.

Benoît Hamon, ex-ministro francês, era um dos favoritos neste primeiro turno da primárias da esquerda. Na foto, após votar em Trappes, em 22 de janeiro de 2017. REUTERS/Jacky Naegelen

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