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França

História de secundarista sem-teto comove a França

media Fachada da escola Auguste Blanqui, onde estuda a jovem Mairie (Foto: Divulgação)

A história da secundarista francesa Marie, 18 anos, obrigada a dormir na rua com a irmã, comoveu o país e seus colegas e professores, que se mobilizam para achar um teto definitivo para a garota. Uma situação mais comum do que se pensa na França, apesar dos direitos sociais garantidos pelo governo.

Em novembro de 2016, Marie* (ela prefere o anonimato) e sua irmã, estudantes da escola Auguste-Blanqui, em Seine-Saint-Denis, periferia pobre da região parisiense, foram morar rua. Durante cerca de 10 dias, a estudante e a irmã perambularam pelo bairro à noite, dormindo em pontos de ônibus, tentando fugir do frio implacável do inverno parisiense.

“Marie, que estuda aqui há muitos anos, não é a primeira aluna nessa situação. No ano passado, outros dois estudantes foram parar na rua, acabaram dormindo dentro do carro, e tentamos achar uma solução para ajudá-los”, contou à RFI Brasil a professora de História e Geografia da escola, Gaëlle Ruffel. “Quando descobrimos que duas alunas estavam há uma semana dormindo em um ponto de ônibus, ficamos muito chocados. Fizemos uma coleta e chamamos a imprensa”, diz. “Em um país tão rico como o nosso, percebemos que existe um grande número de menores nessa situação. É inadmissível."

Marie e sua irmã agora fazem parte dos cerca de 31 mil menores de 21 anos sem-teto do país, de acordo com uma estimativa publicado em 2012 pelo Insee (Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos). Só na região parisiense, existem 11 mil menores de idade na mesma situação. Esse número é provavelmente maior, mas as estatísticas oficiais não estão atualizadas.O mais assustador é que esses menores não viviam na miséria, sem recursos e família. Muitos, como Marie, levavam uma vida normal, ainda que modesta.

Sequência de acontecimentos

Como Marie foi parar na rua? Na verdade, uma sequência de acontecimentos transformou sua vida de um dia para o outro. Sua mãe, separada do pai, teve problemas de saúde, perdeu o emprego e o apartamento de função onde morava com as filhas. Durante onze meses, elas se instalaram de favor na casa de uma tia, a duas horas do liceu. Ela não podia abrigá-las mais tempo. Amigos as receberam durante alguns dias, mas a rua acabou sendo a última solução. “À noite eu não conseguia fechar os olhos. Eu dormia durante as aulas”, contou Marie à rádio francesa France Info.

Depois de dez dias na rua, Marie não conseguiu mais guardar segredo e contou sua situação a uma das professoras. “Temos outros sete alunos na mesma situação, em situação de extrema precariedade”, conta Gaëlle, “que podem parar na rua de um dia para outro. Esse não é um fenômeno novo, que apareceu em 2016. Mas acredito que, com a crise econômica, ele se amplifica. Os abrigos estão superlotados”, declara.

Solidariedade coletiva

De acordo com a professora, os alunos ficaram muito chocados ao descobrir a situação da colega. Alunos e pais se manifestaram em apoio à estudante, oferecendo um lugar em casa para ela. “Para mim, foi uma surpresa”, conta Gaëlle. “O francês tem fama de ser alguém que se preocupa apenas com seus próprios problemas, o que não é totalmente falso, mas vemos também que há muita solidariedade”.

O resultado é que uma coleta foi organizada no estabelecimento e hoje as meninas estão hospedadas em um apartamento até o final de fevereiro. “Até lá esperamos que as autoridades tenham encontrado uma solução”, declara. Apesar das dificuldades da aluna, a professora conta que a escola tenta manter uma certa neutralidade na avaliação de seu trabalho, mesmo sendo difícil. “Eu corrigi uma de suas provas, tentando “abstrair” a situação.
 

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