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França

Dois anos após atentado, Charlie Hebdo trabalha em local mantido em segredo

media A nova capa do semanário satírico francês Charlie Hebdo "Enfim o fim do túnel" Eric Feferberg / AFP

Neste sábado, 7 de janeiro de 2017, a França lembra os dois anos do ataque contra o jornal satírico Charlie Hebdo, que deixou 11 mortos. A invasão aconteceu durante uma reunião da redação para discutir uma nova edição do jornal, que estava sob ameaças, principalmente, por suas charges sobre o profeta Maomé.

Além dos chargistas Cabu, Charb, Honoré, Tignous e Wolinski, foram assassinados a psiquiatra Elsa Cayat, o economista Bernard Maris, o corretor do jornal, Mustapha Ourrad, o jornalista Michel Renaud, o policial Franck Brinsolaro, guarda-costas de Charb, e o agente Frédéric Boisseau.

Na fuga, os irmãos Kouachi, autores do ataque, ainda executaram o policial Ahmet Marabet, que estava a poucos metros do prédio da publicação. Os dois foram abatidos dias depois durante uma operação policial. O atentado transformou o polêmico jornal satírico em símbolo da liberdade de expressão.

A hashtag “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie) se espalhou pelo mundo e gerou uma mobilização histórica por toda a França e em muitos outros países em defesa da liberdade de imprensa e também para homenagear as vítimas de outros ataques que se seguiram na capital francesa.

Com os sobreviventes do massacre e a ajuda de colaboradores, Charlie Hebdo, que estava à beira da falência, teve uma tiragem recorde de 7 milhões de exemplares em seu primeiro número depois do atentado. A emoção suscitada pela tragédia representou uma explosão de vendas e de assinaturas. Dois anos depois, a maioria dos 260 mil novos leitores do jornal não renovaram seus contratos.

Mesmo assim, Charlie Hebdo vende acima da média registrada em 2015: 50 mil exemplares nas bancas e outros 50 mil distribuídos aos assinantes toda semana, bem acima dos 30 mil anteriormente, segundo a direção. Passada a comoção inicial, as vendas se estabilizaram, segundo o chefe de redação, Gérard Biard: “Chegamos a 150 mil assinantes em 2015. Hoje temos 50 mil. Era evidente que as vendas e assinaturas não manteriam o nível excepcional depois do 7 de janeiro! O jornal vivem em boas condições”.

Alemanha ganhou edição especial

Sem problemas de tesouraria e com o caixa cheio com dezenas de milhões de euros, Charlie Hebdo investiu em novos projetos. Entre eles, a tradução em inglês de seu site internet e o lançamento, em novembro, de uma edição em alemão nas bancas.

Em entrevista à RFI, Briard explicou que os cinco números dedicados aos leitores da Alemanha, país que demonstrou um interesse particular pelo jornal, ainda não permitem concluir se as vendas não traduzem apenas uma curiosidade passageira.

Se o setor financeiro garante uma tranquilidade financeira ao jornal satírico, a redação do Charlie Hebdo ainda sente os efeitos de uma renovação forçada. Muitos colaboradores importantes deixaram a publicação, como os caricaturistas Luz e Catherine Meurisse, o colaborador Patrick Pelloux e a jornalista Zineb el Rhazoui. Alguns alegaram motivos pessoais e outros expressaram descontentamento com a linha editorial adotada pelo jornal que pertence ao diretor de redação Riss, sobrevivente do massacre, e ao diretor financeiro Eric Portheault.

Outros profissionais se juntaram à nova equipe, como os chargistas Juin, Félix e Foolz. Este último assinou a capa da edição desta semana, a de número 1.276, que marca os dois anos do ataque ao Charlie Hebdo. Fiel ao estilo irônico, o jornal estampou em sua manchete um personagem olhando um fuzil apontado por um extremista islâmico com a frase: “2017, enfim o fim do túnel”.

O jornal satírico trabalha hoje em um local mantido em absoluto sigilo e superprotegido, o que para muitos observadores representa um paradoxo para uma publicação que se tornou um ícone da liberdade de expressão e da imprensa. Em recente entrevista à agência AFP, o diretor da Charlie Hebdo Riss, questionou se o semanário, que mantém sua linha crítica de todas as religiões, continuaria a receber apoio se voltasse a colocar em sua manchete uma caricatura do profeta Maomé.

A redação do jornal voltou a ser alvo de dezenas de ameaças de morte em junho de 2016; a maioria por meio de postagens na sua página no Facebook. O jornal também recebeu cartas com a menção “Allah Akbar” (Deus é grande, em árabe), expressão usada pelos irmãos Kouachi ao sair do prédio após a invasão.

Local do massacre desperta menos curiosidade

Dois anos após o massacre, há uma constatação por parte de moradores e de profissionais de que houve uma redução no número de curiosos e visitantes. Poucos parisienses e turistas passam pelo local, e os que param ficam poucos segundos para prestar homenagens e tirar fotos da placa onde estão gravados os nomes das 11 vítimas fatais.

A poucos metros dali, pichações na parede retratam alguns dos caricaturistas mortos. Uma jornalista que trabalha em uma agência de publicidade na entrada de número 10, que dava acesso à antiga redação, se recusou a falar com a RFI Brasil, assim como muitos dos que convivem e circulam na região.

Pedestre observa pichações com as imagens dos cartunistas mortos na antiga sede do jornal satírico. Reuters/Jacky Naegelen

Uma franco-tunisiana, que não quis se identificar, lembrou que seus pais, que moram na frente do prédio, ouviram os diversos tiros disparados pelos irmãos Kouachi. Segundo ela, todos sabiam que o jornal satírico funcionava no prédio e a segurança era mínima, com apenas dois homens na porta. Ela diz que maioria dos moradores não quer mais falar do episódio porque eles ainda continuam muito traumatizados.

Seu rápido desabafo foi feito enquanto funcionários da prefeitura ainda desmontavam as barreiras de segurança usadas para proteger as autoridades que participaram das homenagens feitas na quinta-feira (5) para marcar os dois anos do atentado que dizimou o Charlie Hebdo. A data foi antecipada principalmente para respeitar o Shabat, o descanso sagrado dos judeus no sábado.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, liderou uma pequena comitiva incluindo o ministro do Interior, Bruno Le Roux, que depositou coroas de flores e fez um minuto de silêncio na frente do prédio onde funcionava a antiga redação do jornal.

Os mesmos gestos foram repetidos no local onde o policial Merabet foi morto e também na frente do supermercado para a comunidade judaica em Vincennes, na periferia leste de Paris. Dois dias depois do massacre contra o Charlie Hebdo, o local foi invadido por outro jihadista, Amédy Coulibaly, que fez um grupo de reféns e matou quatro pessoas antes de ser morto por uma operação da polícia.

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