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França

Ratos invadem praças e assustam turistas em Paris

media Ratos vistos pelas grades da praça da Torre de Saint-Jacques, fechada para desratização Augusto Pinheiro/RFI

"Mamma mia!", grita a turista italiana Silvia ao ver dezenas de ratos na praça da Torre Saint-Jacques no centro de Paris. "Que horror! Nunca tinha visto tantos juntos", continua. "Parece um criadouro", exclama o seu marido, Giuseppe. O espanto não é para menos: a capital francesa vive uma proliferação de roedores, que começou há meses, mas que atingiu uma situação crítica há pouco mais de uma semana.

Como consequência, a prefeitura fechou nove parques e jardins, para realizar desratizações, inclusive a praça da Torre Saint-Jacques, cujos ratos podem ser vistos apenas através das grades (veja vídeo no final deste texto).

O turista catalão Francesc Armengol tira fotos dos ratos Augusto Pinheiro/RFI

A reportagem da RFI esteve no local e pôde ver os animais procurando comida em meio à folhagem, dividindo espaço com passarinhos, sem se importar com o olhar dos curiosos que se aproximavam para observá-los e tirar fotos. "É impressionante! Há muitos e não se assustam com as pessoas. A impressão é de nojo e de abandono", disse o artista plástico catalão Francesc Pasqual i Armengol, que está passando uns dias em Paris.

Tanto ele quanto o casal italiano pretendiam visitar a praça da Torre Saint-Jacques, famosa por seu campanário gótico flamejante do século 16, no 4° distrito de Paris, perto da prefeitura da cidade. "Os ratos atrapalharam nossos planos. Precisamos do flautista de Hamelin", brincou Francesc, fazendo referência ao conto folclórico sobre um homem que hipnotizou, tocando sua flauta, os ratos que infestavam a cidade alemã de Hamelin, em 1284, levando-os a se afogar no rio Weser.

Brincadeiras à parte, o catalão acha que a proliferação afeta a imagem da capital francesa. A italiana Silvia concorda: "Nunca vi isso em nenhuma outra capital europeia. É muito estranho uma cidade tão bonita com tantos ratos. O pior é que transmitem doenças".

"Paris é uma cidade suja"

Mas não são apenas os turistas que se espantam. O funcionário público francês Fabrice, 43, que tirava fotos para mostrar a sua mulher, disse que "não é normal tantos ratos assim". "Vejo de vez em quando um ou dois no metrô, mas nunca havia visto essa quantidade em um espaço tão pequeno. Paris é uma cidade suja em comparação com outras capitais europeias. Na Espanha e na Itália, as cidades turísticas são mais limpas. Às vezes vemos montes de lixo nas ruas de Paris, os ratos são consequência desse descaso."

Placa avisa sobre desratização na praça da Torre Saint-Jacques Augusto Pinheiro/RFI

A francesa Sophie conta que passa todos os dias pela rua de Rivoli e que, há uma semana, vê sempre dezenas de ratos na praça. "Às vezes eles dividem espaço com os pombos. A prefeitura fez bem em fechar e colocar raticidas, porque é verdadeiramente nojento", diz. "A primeira vez que eu os vi, eu contei ao meu filho à noite, e ele ficou impressionado."

Sophie critica o fato de a prefeitura não ter feito uma campanha de comunicação para informar a população sobre a proliferação de ratos e sobre o fechamento dos parques. "Dá uma péssima imagem da cidade, não apenas para os turistas, mas também para os próprios habitantes."

Calçada virou ponto de conversa sobre ratos

O jardineiro aposentado Michel, 72, que trabalhou 40 anos no departamento de Parques e Jardins da prefeitura, olhava os roedores com atenção. "Nunca havia visto nada assim, principalmente em uma praça pequena. Eu tiro fotos para mostrar aos meus amigos, porque é inacreditável."

Calçada virou ponto de conversas sobre ratos Augusto Pinheiro/RFI

A calçada da praça, do lado da rua de Rivoli, virou ponto de conversa sobre os roedores. Além de tirar fotos e "admirar" os bichos, os transeuntes contam diversos casos e emitem opiniões sobre os ratos. "Uma vez vi um enorme, do tamanho de um gato gordo, que ia saltando de jardineira em jardineira, uma coisa do outro mundo", contou um. "Eles são muito inteligentes e até sobem em muros", soltou uma senhora. "Mas esses não são tão grandes, são até fofinhos", disse uma adolescente. "Os passarinhos nem se importam com a presença deles", espantou-se uma mulher.

Veneno misturado com cereais

Cécile Aurouze, proprietária da Maison Aurouze, especializada em desratização desde 1872, contou à RFI Brasil que, desde a epidemia, houve um aumento nas vendas. "Principalmente de blocos raticidas. Esses blocos são feitos de uma mistura de veneno, cereais compactados e parafina, para obter uma ração resistente aos ambientes úmidos", explica.

Cécile Aurouze, proprietária da Maison Aurouze, especializada em desratização desde 1872 Augusto Pinheiro/RFI

Para ela, a razão do aumento de roedores em Paris é a quantidade de comida jogada no chão. "As pessoas comem na rua e não colocam os restos no lixo. Além disso, há muitas obras sendo realizadas na cidade, e os ratos não têm residência fixa, então eles se movem."

Desratização no Champ-de-Mars

O médico Georges Salines, chefe dos serviços de saúde ambiental da prefeitura, confirma a proliferação de ratos. "A cidade de Paris conta cada vez mais com espaços verdes com arbustos, que são ideais para os ratos. Temos que repensar nossos espaços verdes", disse em entrevista ao jornal "Le Parisien".

"Esses animais também podem subir facilmente nos cestos de lixo, que têm aberturas. Também vamos fazer uma campanha para que as pessoas não alimentem os pombos, porque isso atrai os ratos. Esses 'alimentadores' compulsivos são uma catástrofe sanitária."

O Champ de Mars também passa por desratização Divulgação

Segundo ele, não há risco de transmissão de doenças, mas "os ratos são uma ameaça sanitária real". "É um problema de limpeza e também um verdadeiro desconforto visual e psicológico".

Sobre o programa de desratização, que também atinge parte do Champ-de-Mars (atrás da Torre Eiffel) e todos os espaços verdes do boulevard Richard Lenoir (11° distrito), Salines explica que são colocadas nos locais caixas com um buraco, por onde os ratos entram e comem o veneno. "Fechamos as praças e parques por uma questão de segurança."

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