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França

Exposição em Paris explora os escândalos da moda

media Extravagância, exageros e ousadia pontuam percurso da exposição sobre os escândalos na moda © Guy Marineau/© Collection Royale Trust, Angleterre

O Museu das Artes Decorativas de Paris acaba de inaugurar uma exposição que conta a história da moda a partir de peças que provocaram escândalos. Entre os excessos impostos pelas tendências e as regras ditadas pelos gurus do estilo, a mostra propõe um percurso lúdico e acessível a todos.

Durante o verão de 2016 no hemisfério norte, a proibição do uso nas praias francesas do burquíni, o traje de banho das mulheres muçulmanas, criou polêmica. Além de questões políticas, culturais e até filosóficas que animaram as conversas no país, o tema trouxe à tona um dilema tão antigo quando a própria a história de vestuário: até que ponto o fato de usar uma roupa pode incomodar as pessoas? Afinal, não é segredo para ninguém que nos vestimos para nós mesmos, mas também – e às vezes principalmente – para os outros.

A mostra Tenue correcte exigée, quand le vêtement fait scandale, que abriu suas portas em um dos dois museus da moda de Paris, aborda esse assunto de maneira didática e bem-humorada. Por meio de cerca de 300 trajes, fotos, acessórios e vídeos, a exposição nos coloca diante dos escândalos da história da moda. Tem desde as perucas da corte até o sutiã pontudo feito por Jean Paul Gaultier para Madonna em 1990, passando pelo desfile primavera/verão 2015 de Rick Owens, quando um dos looks apresentava buracos expondo as partes genitais de seus modelos masculinos.

Moda seduz, mas também irrita

Mas a exposição também aborda as contradições que rondam a moda fora das passarelas, em nosso próprio guarda-roupa. Basta dar uma olhada nas fotos do passado para termos a prova disso. Seja ao constatarmos que as ombreiras tiveram seus dias de glória ou que, sim, as calças baggy já foram objetos “indispensáveis”. Talvez por essa dimensão instável e às vezes efêmera, os organizadores da mostra lembram que “a moda seduz alguns, mas também irrita muitos”.

Além disso, quanto mais se avança no percurso, mais temos a sensação de que a noção de escândalo é uma questão de contexto, histórico, social ou cultural. Se em 1431 Joana D’arc foi condenada, entre outras razões, por usar um habitus virilem, ou seja, uma roupa masculina demais, em 2012 a então ministra francesa da Moradia, Cécile Duflot, foi recebida com assobios dos parlamentares quando fez um discurso usando um vestido florido. Já em 1985, o então ministro da Cultura, Jack Lang, foi motivo de chacota ao subir no palanque sem gravata, trajando um terno com gola Mao. O que prova que a definição de fashion faux pas (o passo em falso da moda), pode mudar de uma hora para outra.

Escândalo sim, polêmica não

Os curadores tentaram evitar polêmicas, deixando um pouco de lado as roupas militares, os figurinos de teatro e principalmente os trajes religiosos. Em tempos de intolerância e extremismos, a prudência é compreensível. No entanto, a questão das crenças não é totalmente ausente, pois desde a primeira sala vemos como a própria bíblia é repleta de proibições e normas que ajudaram a facetar a maneira de se vestir.

Mas os oráculos do passado foram substituídos pelos novos gurus. Hoje, eles são os stylists, consultores de moda ou simplesmente pessoas que conseguem se impor com um estilo e que sempre encontram uma alma desesperada diante de seu guarda-roupa. Esses personagens também têm espaço na exposição, por meio de textos e vídeos. Até a brasileira Cristina Córdula, sucesso da televisão francesa, com vários livros publicados e diferentes programas no ar na TV, faz parte do percurso. Para a exposição, ela aparece em uma entrevista explicando “como se vestir para visitar os sogros pela primeira vez”.

Para tornar o trabalho de alguns desses gurus mais complexo, no final do percurso os curadores constatam que os códigos da moda estão muito mais maleáveis, o que faz com o que a noção de “escândalo” seja bem mais relativa. No entanto, as questões colocadas nem sempre trazem as respostas mais fáceis. Pois, como ressalta um dos textos apresentados, não é por essa razão que somos mais livres que nossos ancestrais. “Será que nos vestimos realmente como queremos ou somos nossos próprios censores?”, questionam os curadores. 

A exposição “Tenue correcte exigée, quand le vêtement fait scandale” fica em cartaz até 23 de abril de 2017.
 

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