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França

França: prefeitos conservadores retiram das ruas campanha de prevenção da Aids

media Um dos cartazes da campanha anti-Aids explica que as ações de prevenção variam caso a relação sexual ocorra com um amante, um amigo ou um desconhecido. AFP/Boris Horvat

O Ministério da Saúde francês entrou na Justiça contra uma dezena de municípios que retiraram das ruas uma campanha oficial de prevenção da Aids. Os prefeitos refratários alegam que as imagens dos cartazes e outdoors, exibindo casais homossexuais, são "chocantes".

Cerca de dez das 130 cidades onde a campanha é realizada decidiram boicotar a iniciativa ministerial. Os prefeitos argumentam que foram alertados por pais, preocupados com as mensagens veiculadas pela campanha.

Os cartazes mostram homens jovens, da faixa etária de 20 a 30 anos, se abraçando de maneira terna e descontraída. As imagens são acompanhadas de frases que sugerem circunstâncias onde o uso do preservativo pode ser esquecido e as pessoas se encontrarem em situação de risco.

"Se amar, se divertir, esquecer", diz um dos anúncios, evocando um encontro no qual os parceiros estão tão focados no prazer que o preservativo vai para segundo plano, quando não deveria ser esquecido. Nesse cartaz, o ministério alerta: "as situações variam e as formas de proteção também".

Outro cartaz lembra que não importa se o parceiro é estável ou ocasional − "À vida, em um fim de semana" −, a camisinha é indispensável em qualquer situação. "Seja com um amante, um amigo ou com um desconhecido" reforça a ideia de que o preservativo deve ser usado sempre.

Prefeitos alegam "agressão à moral e aos bons costumes"

Aulnay-sous-Bois, subúrbio ao norte de Paris, é uma das cidades privadas da campanha de prevenção contra a Aids. O prefeito da localidade, Bruno Beschizza, do partido conservador Os Republicanos, disse que considera os outdoors "contrários aos bons costumes e à moral". Segundo o político, as imagens de homens se abraçando "podem ser nocivas para a sensibilidade de crianças e adolescentes".

Em Angers (oeste), cidade de 150 mil habitantes, o prefeito Christophe Béchu, também de direita, disse que os cartazes foram retirados de ruas e avenidas próximas de escolas "após uma decisão unânime do secretariado municipal". Ele também afirma ter sido alertado por moradores "inconformados" com as imagens de homossexuais.

"Homofobia mata"

O boicote provocou reações na classe política e em associações de combate à Aids. O diretor departamental de Saint-Denis, ao norte de Paris, Stéphane Troussel, tuitou que "o homossexualismo não é uma doença da qual devemos proteger as crianças, mas a homofobia mata". 

Em seu perfil no Twitter, a associação Aides declara que adorou a campanha e reproduz quatro cartazes pintados com as cores do arco-íris da bandeira LGBT.

O secretário-geral do Partido Socialista, Jean-Christophe Cambadélis, referiu-se ao episódio no Twitter como um exemplo do que vai acontecer se a direita vencer as eleições presidenciais de 2017.

A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, em maio de 2013, é considerada a maior realização do governo de François Hollande na área do direito social. O projeto enfrentou forte resistência de uma corrente ultracatólica representada no movimento "Manif pour Tous", que até hoje pressiona pela revogação da lei.

Ministra condena censura e vai à Justiça

A campanha foi lançada pelo governo socialista às vésperas do dia internacional de luta contra a Aids, celebrado em 1° de dezembro. A ministra da Saúde, Marisol Touraine, decidiu entrar com uma queixa administrativa contra o que considera uma "censura" dos prefeitos.

Touraine ressalta a importância das campanhas de prevenção, lembrando que na França 30 mil pessoas vivem com o vírus HIV sem saber. Apesar dos esforços das autoridades e associações que atuam na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, todo ano 7 mil novos casos de contágio por HIV são registrados no país.

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