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França

Goncourt: maior prêmio literário da França consagra franco-marroquina

media A escritora franco-marroquina Leïla Slimani após o anúncio do prêmio Goncourt que consagrou seu segundo livro, "Chanson douce". REUTERS/Jacky Naegelen

“Chanson douce” (Canção doce”, em português) é o nome do livro vencedor do prêmio Gouncort, a mais importante distinção literária da França. A vencedora, a jornalista e escritora franco-marroquina Leïla Slimani, tem apenas 35 anos e seduziu o júri exigente com uma história de terror sobre uma babá assassina em Paris.

Nascida em Rabat, no Marrocos, Leïla Slimani levou o Goncourt 2016 por seu segundo romance, “Chanson douce”, verdadeiro sucesso nas livrarias francesas (35 mil exemplares vendidos até o momento), publicado pela prestigiosa editora Gallimard. No centro da trama imaginada por Slimani, um casal francês banal, cuja vida sofre uma reviravolta trágica com o aparecimento de uma babá assassina, que será responsável pela morte de seus dois filhos.

O estilo direto e glacial da jovem autora fica marcado desde as primeiras frases do livro: “O bebê está morto. Foram necessários apenas alguns segundos. O médico garantiu que ele não sofreu”. A narrativa de Leïla Slimani se desenvolve então no ritmo da prosódia de uma canção de ninar assassina, que se aventura pelas zonas sombrias do ser humano. A babá, descrita como uma “baby sitter modelo”, “não souber morrer. A morte, ela só soube cometê-la”.

Virginie Despentes, escritora francesa e júri do Goncourt reafirmou o talento da jovem marroquina, cujo livro foi uma decisão unânime entre os jurados desta edição: “Ela é jovem, divertida, e me pareceu alguém muito politizada. Vem de uma boa família no Marrocos, e é muito tranquila, está grávida. Seu livro nos impressionou e tem sido saudado pela crítica”, afirmou a autora.

O prêmio Goncourt não é apenas uma consagração para o escritor que o recebe na França, mas também uma garantia de sucesso de vendas: em média, uma obra vencedora deste prêmio vende cerca de 345 mil exemplares. Em 113 anos de Goncourt, apenas 12 mulheres foram contempladas pela maior distinção literária francesa.

Heroína francesa, uma "Madame Bovary pornô"

Espécie de "Madame Bovary pornô", nas palavras da mãe da autora, o livro já é um sucesso nas livrarias. Até no Marrocos, onde o sexo continua sendo um tabu. "Funcionou muito bem porque a heroína era francesa. Se tivesse sido marroquina, teria sido um desastre", afirma a autora.

A inspiração de Chanson douce veio de uma história real ocorrida em Nova York em outubro de 2012, quando uma babá matou as crianças que se encontravam sob seus cuidados. O romance é dedicado ao filho da autora, Emile. Dona de um texto preciso, Leila Slimani, atualmente grávida pela segunda vez, conta a história terrível de uma infaticida de maneira fria e distanciada.

Leïla Slimani oferece também em “Chanson douce” uma análise das relações de classe entre uma família burguesa parisiense, cheia de boas intenções, e a babá Louise, dedicada e discreta, mas tão obscura em seu interior. "O assunto surgiu do fato de que eu mesmo tive babás na minha infância, e era muito sensível ao lugar que elas ocupavam na casa, ao mesmo tempo mães e estrangeiras.”

Renaudot celebra livro de Yasmine Reza

A consagração literária feminina nesta temporada de prêmios na França continua com o não menos importante prêmio Renaudot 2016, recebido por Yasmine Reza por seu romance “Babylone”, publicado pela editora Flammarion.

“Para mim, ‘Babylone’ é o mundo dos que desapareceram, das emoções que poderiam ter sido vividas, de toda esta humanidade que ficou esquecida atrás de nós”, explicou recentemente a escritora, conhecida por ser a autora francesa mais encenada no mundo. Sua peça “Art” (“Arte”, em português) foi encenada pelo diretor brasileiro Emílio de Mello no Teatro Renaissance, em São Paulo, em 2012, estrelada pelo ator Vladimir Brichta.

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