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França

População teme que desmantelamento de Calais traga mais migrantes a Paris

media Polícia francesa realiza operação de esvaziamento de acampamento na estação de metrô Stalingrad, no norte de Paris, no dia 2 maio de 2016. Geoffroy Van der Hasselt / AFP

O governo francês anunciou na quinta-feira (27) o desmantelamento total da "Selva" de Calais. No entanto, a população se preocupa sobre o novo destino dos migrantes que chegam ao país. Em Paris, que já abriga alguns acampamentos, os moradores temem que o fim de Calais torne a capital francesa o novo destino das pessoas que fogem de guerras e da pobreza no Oriente Médio e na África.

As autoridades francesas indicaram nesta sexta-feira (28) que cerca de 4,5 mil migrantes que viviam na "Selva" de Calais foram transferidos de ônibus desde segunda-feira (24) a centros de acolhimento e orientação, espalhados por toda a França. Além disso, 1,5 mil menores de idade que moravam sozinhos no acampamento, sem família, foram alojados em um abrigo provisório no norte da França, enquanto o governo francês tenta encontrar uma solução para a questão.

A principal dúvida dos franceses, depois do desmantelamento de Calais, é para onde irão os migrantes que chegam diariamente ao país. Já os parisienses temem que a capital francesa se torne o próximo destino das pessoas que vêm à França pedir asilo.

Embora ainda não haja estimativas oficiais, nos bairros do norte de Paris, a quantidade de migrantes têm aumentado desde o desmantelamento da "Selva", segundo associações e políticos locais. "Há três dias, distribuíamos entre 700 e 800 refeições diárias. Hoje, são mais de mil. Não sei como vamos fazer", declara Charles Drane, coordenador da ONG Adventist Development and Relief Agency (Adra).

Mais de 2 mil migrantes no norte de Paris

Paris conta com vários acampamentos ilegais em que migrantes vivem em condições insalubres. O maior deles, perto da estação de trem Gare du Nord, no norte da capital francesa, tem atualmente mais de 2 mil pessoas. A região é a preferida dos requerentes de asilo porque fica próxima ao local onde eles podem fazer o pedido do status de refugiado.

Desde o início da crise migratória, diversos acampamentos foram formados e foram desmantelados nesta área de Paris. Os moradores do norte da capital francesa reclamam da ocupação, muitos classificam a situação como "insuportável". Há cerca de um mês, as autoridades retiraram da região em torno da estação de metrô de Stalingrad, no 19° distrito, cerca de 2.500 migrantes. Mas, sem ter para onde ir, as pessoas voltam a se instalar no local, muitas com toda a família.

O jornal Le Figaro conversou com moradores da região, que convivem diariamente com os migrantes e a precariedade dos acampamentos ilegais. "Há lixo e excremento pelas ruas, gritos durante a noite, brigas de migrantes que se confrontam com pedras e barras de ferro", diz ao diário a parisiense Monique.

Na Praça Stalingrad, Le Figaro entrevistou um gari, que limpa a sujeira deixada pelos migrantes todas as manhãs. "Está cada vez pior. Varremos e lavamos esse espaço todos os dias. Entregamos baldes para que as pessoas coloquem lixo, mas nem sempre elas aceitam", diz.

Destino dos menores de idade

Além da formação de novos acampamentos, as autoridades francesas têm uma questão urgente em mãos: o destino das crianças e adolescentes que viviam sem familiares em Calais. Depois de uma semana inteira passada em um abrigo temporário no norte da França, os menores de idade continuavam abandonados à própria sorte nesta sexta-feira.

Desde segunda-feira, crianças e adolescentes dormem em tendas instaladas nos arredores do acampamento desmantelado. Outros encontraram refúgio em uma igreja de Calais, outros em uma mesquita, de acordo com um ativista da ONG Care 4. Esses, por não terem sido registrados nos três dias da operação de desmantelamento, não foram admitidos no centro de acolhimento provisório. "Eles vieram no primeiro dia e ouviram que deveriam retornar no dia seguinte, voltaram no dia seguinte e esperaram até que mandaram que voltassem no outro dia, e no outro dia já não havia mais fila porque nenhuma solução foi proposta", lamenta Margot, da associação L'Auberge des Migrants.

A ONU soou o alarme, convocando a França a "fornecer alojamento adequado" para os requerentes de asilo ainda presentes nas proximidades do acampamento deserto e pediu "medidas especiais para garantir a segurança e o bem-estar das crianças da 'Selva'". Paris e Londres trocam farpas sobre a responsabilidade destes jovens, sem que haja indícios de que a questão será resolvida em breve.

O governo britânico pediu que Paris "proteja como puder" jovens que ainda estão na área, provocando "surpresa" entre as autoridades francesas. Os ministros do Interior, Bernard Cazeneuve, e da Habitação, Emmanuelle Cosse, recordaram que "essas pessoas (...) planejavam se instalar no Reino Unido" e pediram que Londres "assuma rapidamente sua responsabilidade e receba esses menores, que desejam ser transferidos para o Reino Unido".

Desde meados de outubro e durante o desmantelamento da "Selva" de Calais, 1.451 menores foram acolhidos na França, enquanto o Reino Unido abriu suas portas para 274 menores desacompanhados, argumentaram os ministros franceses. As regras da União Europeia sobre reagrupamento familiar estabelecem que os menores que têm um parente na Grã-Bretanha devem recebidos.

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