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Futuro de menores refugiados de Calais é incerto no Reino Unido

Futuro de menores refugiados de Calais é incerto no Reino Unido
 
A França começou a desmantelar na manhã desta segunda-feira (24) a chamada "Selva" de Calais, imenso acampamento onde se concentram milhares de migrantes, com o que espera virar a página deste símbolo da crise migratória que afeta a Europa. REUTERS/Pascal Rossignol

As autoridades francesas iniciaram, nesta segunda-feira, o desmantelamento da Selva de Calais. O maior campo de refugiados da Europa abriga pelo menos 7 mil pessoas da Síria, do Iraque, do Afeganistão e de países africanos. O Reino Unido começou, na semana passada, a receber os primeiros menores de idade que têm parentes no país, mas a situação dos refugiados em Calais é algo que vem dividindo muitos britânicos.

Maria Luisa Cavalcanti, correspondente da RFI em Londres

Durante todo o domingo, representantes dos governos francês e britânico trabalharam na identificação e na triagem de menores desacompanhados que teriam o direito de ser levados para o Reino Unido para reencontrarem familiares que já estão estabelecidos no país.

O envolvimento do Reino Unido na situação da Selva de Calais é muito importante. Primeiramente porque Calais é o ponto da França mais próximo do território britânico. É ali que desemboca o Eurotúnel, que liga os dois países, e onde se concentra a maior parte da movimentação por mar entre a França e o Reino Unido. Como ainda fazem parte da União Europeia, os britânicos têm que obedecer as leis de asilo do bloco.

As regras estipulam que os refugiados menores de idade e desacompanhados, que tenham parentes próximos em algum país da União Europeia, tenham o direito de serem levados até esses parentes e de pedirem asilo naquele país. A ONG britânica Safe Passage identificou quase 400 deles em Calais que teriam o direito de vir para o Reino Unido, dentre mais os mais de mil que estão ainda em campos de refugiados no norte da França.

200 adolescentes já chegaram em Londres

Na semana passada, cerca de 200 adolescentes chegaram a Londres para serem reunidos com seus familiares, mas a imprensa divulgou fotos de muitos deles, chamando a atenção para a maioria ser composta de meninos e para o fato de alguns aparentarem ter bem mais de 18 anos. Houve uma grande reação nas redes sociais sobre o assunto.

Diante disso, alguns parlamentares do Partido Conservador pediram para que os menores fossem submetidos a exames médicos e dentários para ter sua idade confirmada. Essas declarações repercutiram muito mal entre formadores de opinião e entre organizações humanitárias, como o próprio Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância. O Ministério do Interior acabou tendo que vir a público para afirmar que não vai realizar esses exames.

Maioria dos britânicos é favorável a ajuda aos refugiados

Uma pesquisa da Anistia Internacional realizada em maio mostrou que mais de 75% dos britânicos aceitariam refugiados em sua vizinhança e que 70% acreditam que o governo do país deveria estar fazendo mais para ajudar as pessoas que estão fugindo de conflitos.  No mesmo mês de maio, mas sem uma relação direta com a pesquisa, o Parlamento britânico acabou aprovando uma emenda à Lei de Imigração apresentada pelo trabalhista Alf Dubs, membro da Câmara dos Lordes e ele mesmo um ex-refugiado que chegou ao Reino Unido ainda criança e sem família.

A emenda estipula que o país vai passar a aceitar menores refugiados desacompanhados em situação vulnerável, mesmo que não tenham familiares em solo britânico. Isso desde que eles tenham entrado na União Europeia antes de 20 de março e que se tratem de meninas, órfãos ou meninos de até 13 anos. Desde a aprovação dessa lei, ONGs britânicas conseguiram que 44 subprefeituras abrissem, juntas, cerca de 3 mil vagas para recolocar essas crianças com famílias adotivas ou em orfanatos. Mas foi apenas neste fim de semana que os primeiros menores nessas condições chegaram a Londres – a maioria deles meninas vindas da Eritreia.

O governo tem sido bastante criticado pela lentidão e pela maneira como vem lidando com a crise dos refugiados, que foi descrita como caótica e improvisada. A situação dos menores em Calais é particularmente preocupante porque com o desmantelamento do campo, o futuro deles é bastante incerto. Segundo o Unicef, até agora, muitos deles vinham enfrentando fome, violência sexual e exploração por parte de traficantes de pessoas. Muitos jovens passavam as noites tentando embarcar ilegalmente em caminhões e outros veículos em direção ao Reino Unido, e vários morreram nas estradas.
 


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