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Como no Brasil, França vive crise do sistema penitenciário

Como no Brasil, França vive crise do sistema penitenciário
 
A revista semanal Le Point traz artigo "Dentro das prisões prestes a implodir" Reprodução Le Point

Não é apenas o Brasil que sofre com a situação de suas prisões, como foi visto na semana passada com os confrontos que resultaram em 10 mortes em penitenciárias de Rondônia e Roraima. A França também enfrenta problemas de superlotação e tráfico de drogas em seus presídios, além da radicalização religiosa. O assunto é tema de reportagens nas revistas francesas desta semana.

Com a manchete “Dentro das prisões prestes a implodir”, a revista semanal Le Point traz uma longa reportagem sobre a situação do sistema carcerário na França. Em setembro deste ano, explica o texto, o país contava com mais de 68 mil detentos, para cerca de 58 mil vagas nas prisões. Em algumas delas, como na cidade de Nîmes, no sudoeste do país, a superlotação pode chegar a 240% e frequentemente pelos menos 80 presos dormem em colchões colocados no chão por falta de camas. Diante desse contexto, é cada vez maior o número de infecções, hepatites, tuberculose e casos de depressão dentro dos presídios.

De acordo com o texto, também tem se tornado cada vez mais difícil controlar a entrada de objetos nas celas. “Os telefones são proibidos, mas eles circulam em quantidades industriais. Em 2015, 31 mil celulares e 1.402 armas foram apreendidas dentro dos estabelecimentos penitenciários franceses”, constata a reportagem.

Presos fabricam bebidas alcoólicas caseiras nas celas

Segundo testemunhos recolhidos pelos jornalistas, a única razão pela qual as prisões não explodem é por que os detentos continuam “fazendo o que querem” dentro dos estabelecimentos. Um dos exemplos que ilustra essa situação é o número elevado de registros de presos que fabricam bebidas alcoólicas artesanalmente. “Alguns fazem um pequeno alambique e, quando isso acontece, dá para perceber no pátio. Os caras estão todos bêbados”, conta um ex-detento. O entrevistado relata o caso de um colega que volta sempre para a prisão, pois seus negócios são mais lucrativos do que quando está em liberdade. “A cela dela parecia uma mercearia, com bebida e maconha. Ele convidava até os carcereiros para beber”, revela.

A principal forma de entrada de produtos ilícitos, inclusive objetos que possibilitam a fabricação de armas, é durante as visitas, já que os familiares são revistados, mas não podem ser apalpados pelos policiais. O sistema está mudando, e alguns presídios decidiram impor a palpação dos visitantes, mesmo contra a lei. “Muitos desistiram de ver seus próximos quando descobriram a nova medida, na porta da prisão. Que coincidência...”, ironiza um diretor de penitenciária.

O assunto também é destaque na revista L’Obs, que traz uma entrevista com o sociólogo Farhad Khosrokhavar, que acaba de lançar um livro sobre os presídios. Intitulada “Prisões da França”, a publicação é fruto de três anos de pesquisas em quatro estabelecimentos dos país.

O especialista explica que existe um “mal-estar” carcerário, já que, mesmo se frequentemente presos e carcereiros se detestam, eles acabam vivendo o mesmo tipo de sofrimento. “Os funcionários dizem que passam tanto tempo dentro das prisões com os detentos que acabam perdendo o equilíbrio mental, se tornando também, de uma certa forma, prisioneiros”, analisa.

Radicais islâmicos nas prisões

Outro aspecto levantado pelas duas revistas é o aumento de detentos muçulmanos que se radicalizam dentro das prisões, o que provoca tensões internas. Várias brigas tiveram como estopim as rezas repetidas dos fiéis, transmitidas em som elevado dentro das celas, ou o fato de que esses novos convertidos querem impedir que os demais assistam televisão.

Mas o principal temor das autoridades é o risco de organização, a partir de uma prisão, de algum ataque terrorista. A reportagem do Le Point conta o caso de um jovem, preso após uma estadia na Síria, surpreendido quando falava com sua mãe pelo celular. Na conversa, ele passava um recado para o irmão mais novo, que tinha acabado de chegar no Iraque. Quatro meses mais tarde, o mesmo irmão mais novo estava entre os terroristas que atacaram o Bataclan, na série de atentados que deixou 130 mortos em novembro de 2015.


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