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França

Governo francês criará fundação para integrar o islã

media Mesquita em Nice Catherine MARCIANO / AFP

O governo francês iniciou na segunda-feira (29) a primeira de uma série de reuniões com líderes religiosos, representantes da sociedade civil e parlamentares para criar a Fundação para o Islã da França.

A ideia é debater a religião dentro do contexto dos valores republicanos, após os atentados extremistas e a polêmica da proibição do burquíni, o traje de banho para muçulmanas.

Os líderes muçulmanos esperam que essa iniciativa, proposta pelo ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, permita diminuir a tensão. "É algo positivo", declarou Anouar Kbibech, presidente do Conselho Francês do Culto Muçulmano (CFCM), principal instância representativa dos 4 milhões de muçulmanos do país. Ele disse que espera que se coloque "um ponto final na novela repugnante do burquíni".

Para Cazeneuve, o objetivo é fazer emergir de maneira voluntária, em respeito ao laicismo, diálogo e respeito mútuo, um islã francês mais integrado aos valores da República.

A fundação já estava sendo planejada desde maio passado, mas sua preparação se acelerou depois do atentado de Nice, em 14 de julho, que deixou 86 mortos, e o assassinato de um padre católico em Rouen por extremistas, em 26 de julho.

Objetivos da fundação

Um dos objetivos da fundação laica, que contará também com uma associação cultural, será, em particular, obter financiamento francês, já que o que chega do exterior é considerado pouco transparente.

O ex-ministro socialista Jean-Pierre Chevènement, de 77 anos, um fervoroso defensor do laicismo, será seu presidente. Mas a designação de um não-muçulmano suscitou a incompreensão entre muitos seguidores da segunda principal religião da França e membros da classe política.

"Acho que, como ex-ministro do Interior, não posso rejeitar contribuir para essa obra de interesse público", explicou Chevènement, que, em 1999, realizou uma "consulta com os muçulmanos da França" e, quatro anos mais tarde, concluiu a criação do CFCM.

"Que um grande republicano esteja à cabeça no momento de sua criação proporciona uma verdadeira dimensão simbólica, já que essa nova estrutura será a ponte entre a República e os muçulmanos", declarou Cazeneuve.

Outras quatro personalidades, todas de confissão ou cultura muçulmana, integrarão o conselho de administração da fundação, em particular o escritor marroquino Tahar Ben Jelloun e o reitor da grande mesquita de Lyon, Kamel Kabtane.

Apenas questões seculares

Devido à rígida separação entre Estado e religião, prevista em uma lei de 1905, a Fundação para o Islã da França só tratará de questões seculares, como educação, pesquisa e formação cívica.

O capítulo religioso da busca de financiamento (formação teológica dos imãs, construções de mesquitas) estará nas mãos de uma associação cultural administrada por representantes muçulmanos, da qual o Estado francês não fará parte. O financiamento estrangeiro está excluído.

Para Anouar Kbibech, "doar para instituições muçulmanas meios financeiros contribuirá para reforçar seu papel na prevenção da radicalização, em particular atravéz da habilitação dos imãs".

A França, que integra a coalizão militar internacional contra o grupo Estado Islâmico na Síria e Iraque, foi atingida em 2015 e 2016 por inúmeros atentados extremistas, que provocaram 17 mortes em janeiro de 2015 em Paris, 130 em 13 de novembro de 2015 também na capital e 86 em 14 de julho de 2016 em Nice.

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