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França

Polêmica do burquíni antecipa briga de socialistas à presidência

media O primeiro-ministro francês, Manuel Valls (esquerda) e a ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, em foto de arquivo. REUTERS/Charles Platiau

Antes que o Conselho de Estado francês anunciasse na tarde desta sexta-feira (26) sua decisão de tornar ilegal a proibição do burquíni nas praias francesas, o governo socialista dava início a uma queda de braço, que, para o jornal Aujourd'hui en France é apenas um pano de fundo. As disparidades sobre o traje de banho islâmico apenas anteciparam a queda de braço entre pré-candidatos às eleições presidenciais de 2017, diz o diário.

A aproximação das eleições presidenciais e as primárias, que devem começar dentro de muito breve dentro dos partidos franceses, motivaram o acalorado debate sobre o burquíni dentro do Partido Socialista (PS). A troca de farpas se deu principalmente entre a ministra da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, e o primeiro-ministro Manuel Valls.

Nesta quinta-feira (25), durante uma entrevista, Vallaud-Belkacem declarou que as proibições do traje de banho em várias cidades francesas representavam um "problema" e não eram "bem-vindas”. “Até onde iremos para verificar que uma roupa está de acordo com os bons costumes?”, ironizou a ministra. Para ela, a medida, "libera os comportamentos racistas".

A declaração é considerada pelo Aujourd'hui en France como um ataque direto à Valls, que acredita que o traje de banho islâmico vai de encontro à tão evocada laicidade e aos valores da República Francesa. Apesar de várias críticas da esquerda francesa, o premiê insistiu em sua posição pró-proibição do "maiô muçulmano", até o final.

O primeiro-ministro francês não é oficialmente pré-candidato e já declarou que não aceitaria enfrentar o presidente François Hollande nas primárias socialistas, caso o chefe de Estado resolvesse investir em sua reeleição. Mas Valls tem um forte apoio de uma ala do PS - o que, segundo o Aujourd'hui en France, pode motivar sua pré-candidatura.

Do outro lado do front socialista, Vallaud-Belkacem também estaria planejando se apresentar para a disputa dentro da legenda. Com apenas 38 anos, uma notável carreira política e popular entre os eleitores de esquerda, a ministra da Educação estaria mostrando suas garras pela primeira vez, ao enfrentar Valls sobre a polêmica do burquíni. A pré-candidatura de Vallaud-Belkacem teria o apoio, segundo Aujourd'hui en France, da ala feminina do partido, e contaria uma madrinha de peso: a ministra da Ecologia e ex-candidata à presidência, Segolene Royal.

Complô contra Nicolas Sarkozy

Guillaume Tabard, jornalista do diário conservador Le Figaro tem outra interpretação para o caso. Segundo ele, o PS teria incitado a polêmica do burquíni para fazer a direita reagir e destacar uma imagem reacionária do ex-presidente Nicolas Sarkozy, pré-candidato do partido Os Republicanos, e assustar o eleitorado mais moderado.

"Nicolas Sarkozy é quem permite o Partido Socialista, em geral, a agitar o espectro de um bloco reacionário", escreve. Mas o tiro saiu pela culatra, avalia. Isso porque, "antes de poder gerar eventuais divisões na casa dos outros, [o governo socialista] deveria gerenciar as confusões em sua própria casa", avalia Tabard. Para ele, Valls não esperava ter que lidar com o racha do PS. "Faz uma semana que tudo vai mal", entre os socialistas.

No final, a incitação da polêmica serviu apenas para mostrar o quanto o Partido Socialista está dividido e perdido na defesa de seus valores, publica o jornalista. O texto ressalta que sobre o burquíni, ironicamente, Manuel Valls tem a mesma posição conservadora do ex-presidente Nicolas Sarkozy, líder do principal partido de direita da França, Os Republicanos, rival dos socialistas por princípio. "Precisaremos mais do que uma diabolização da direita" para conquistar os eleitores mais moderados da direita, avalia o jornalista.

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