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França

Muçulmana é multada por policiais que confundiram véu com burquíni

media O burquíni, proibido por algumas prefeituras de cidades litorâneas francesas, tem gerado polêmica no país. Reuters

Uma mulher muçulmana denunciou às autoridades nesta terça-feira (23) ter sido multada injustamente por usar o véu islâmico na praia de Cannes, no sul da França. Ela alega que usava legging, túnica e uma hijab, roupas que foram confundidas com um burquíni. O caso é um novo capítulo na polêmica que teve início há pouco mais de duas semanas e que inflama a opinião pública francesa.

Siam, de 34 anos, enviou a advertência que recebeu no dia 16 de agosto da polícia de Cannes à agência de notícia France Presse. "Eu estava na praia com minha família e usava um véu clássico, um hijab florido. Três policiais me abordaram alegando que eu não tinha um traje correto", diz.

"Minha intenção não era provocar, eu nem queria entrar no mar", explicou a mulher, que se negou a pagar a multa de € 11 ou de amarrar o véu na parte de trás do pescoço, "como uma bandana", como chegaram a lhe recomendar os policiais. Siam também se recusou a deixar a praia.

Contatada pela muçulmana, o Coletivo Contra a Islamofobia na França (CCIF) vai apoiá-la a contestar a acusação na justiça. A organização também tenta cancelar a proibição do burquíni em algumas cidades litorâneas do país e já recolheu 16 depoimentos de mulheres advertidas pelo uso do traje de banho islâmico.

Governo analisa legalidade da proibição do burquíni

Na quinta-feira (25), o governo francês vai debater a legalidade das controversas proibições do burquíni. Três juízes examinarão uma denúncia da Liga dos Diretos Humanos (LDH), que alega que a interdição é um ataque contra a liberdade.

O Conselho de Estado da França deve tornar a decisão pública 48 horas após a análise da denúncia e estabelecer se a probição é ou não legal. Para a LDH, "nada autoriza a regulamentação do espaço público a determinados códigos, ignorando a liberdade de escolha de cada um".

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