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Start-up franco-brasileira quer diminuir uso de fertilizantes nas plantações de café

Start-up franco-brasileira quer diminuir uso de fertilizantes nas plantações de café
 
Emmanuel Thiéry e Mariana Bittencourt, membros da start-up Cophenol RFI/T. Stivanin

A Cophenol, uma start-up franco-brasileira sediada em Paris, desenvolve um projeto que visa decompor quimicamente a polpa do café, a transformando em carvão orgânico. O objetivo é diminuir o uso de fertilizantes nas plantações.

A Cophenol nasceu graças à parceria de dois jovens, o francês Emmanuel Thiéry, 26 anos, diplomado em Neurociência, Física e Química, e a doutoranda catarinense Mariana Bittencourt, 31 anos, que estuda Ciências Sociais do Meio Ambiente na França. O processo está sendo realizado no laboratório da universidade francesa Paris 13 com amostras de resíduos de café, mas o resultado já está sendo testado no Brasil.

Os criadores da Cophenol posam em um "selfie" com o presidente francês François Hollande Arquivo Pessoal

Os dois se conheceram em 2014, em Valência, na Espanha, durante um programa de verão da Climat-Klic, estrutura patrocinada pela União Europeia que apoia projetos que contribuam à diminuição do aquecimento global. A Cophenol também foi um dos projetos laureados pelo French Ticket, iniciativa do governo francês para financiar start-ups com ideias inovadoras. Isso permitiu aos dois pesquisadores terem um espaço para trabalhar em uma incubadora no centro de Paris, um local reservado para iniciativas do tipo.

 “O primeiro processo que a gente tinha em mente era transformar a polpa em plástico e papel, mas ele não era adaptado às necessidades do mercado. Obtivemos um financiamento em 2015 e visitamos vários lugares do setor cafeeiro em São Paulo, Minas Gerais”, conta Mariana. “Percebemos que nosso projeto não correspondia à necessidade do cliente e buscamos um processo mais adequado para produzir o biocarvão e ser menos dependente da importação de fertilizantes”, diz.

Uso restrito de fertilizantes diminui emissões de CO2

Neste período, eles também fizeram visitas de campo a produtoras, cooperativas e institutos brasileiros, para fazer contatos e compreender o mercado. Uma parte das experiências foi realizada com o Instituto Agronômico de Campinas. O objetivo final é utilizar a polpa do café, transformada e pirolizada, em biocarvão, que tem um potencial catalisador de fertilizantes, diminuindo o consumo - e as emissões de gases poluentes causadores do efeito estufa.

O processo para a obtenção do biocarvão é conhecido como pirólise, explica Thiéry.“A pirólise é uma combustão sem oxigênio. Há três produtos que se formam: uma parte deles evapora, e em seguida se condensa em forma de óleo e outra em forma de gás, que é reinjetado na pirólise, em alguns sistemas, ou queimam para gerar eletricidade ou calor. O óleo bio pode ser usado pela indústria química”, diz.  “O bio carvão é a estrutura de carbono que resta, uma espécie de esponja sólida que mantém a água e os fertilizantes, e, colocada ao lado da planta, diminui a necessidade de fertilizantes”, explica.

Esse ganho ambiental também possibilita aos produtores a obtenção de certificações ambientais, que geram um novo valor agregado para o produto, chegando a custar 30% mais caro. O uso do carvão orgânico também pode aumentar os rendimentos dos cafeicultores. Em andamento, o projeto agora precisa obter novos recursos para que seja aplicado no futuro. "Estamos nos candidatando para obter uma nova linha de financiamento. É preciso tempo e dinheiro para provar o valor "agronômico" do carvão orgânico."
 


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