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França

"Faltam meios para prevenir novos atentados na França", diz especialista em terrorismo

media Homenagem às vítimas do atentado em Nice no Parlamento Europeu em Bruxelas REUTERS/Francois Lenoir

O atentado em Nice, ocorrido na última quinta-feira (14), trouxe à tona uma grande discussão sobre a gestão do risco terrorista na França. Várias medidas de prevenção poderiam ter sido tomadas, garantem especialistas franceses, mas faltam meios para impedir novos atentados.

Em entrevista à RFI, Jean-Louis Bruguière, ex-juiz especialista na luta contra o terrorismo, lembra que o “arsenal legislativo” existente é mais do que suficiente. O que falta, diz, são recursos materiais. “Faltam meios para a polícia, e também há problemas de organização e método”, observa. A declaração é uma resposta a um dos dispositivos cogitados pelas autoridades francesas, com a criação de uma agência antiterrorista ligada diretamente à Presidência da República, similar às existentes nos Estados Unidos e no Reino Unido..

Jean-Louis Bruguière é ex-juiz especialista na luta contra o terrorismo AFP PHOTO / LIONEL BONAVENTURE

Para Bruguière, criar novas estruturas não é a solução. “Isso significa ainda mais rigidez. Nós precisamos é de mais flexibilidade”, declara o especialista. “Dividir informações em tempo real entre os serviços e com parceiros estrangeiros. Estamos diante de um inimigo com bastante mobilidade, reativo e oportunista. Temos que nos adaptar a essa estratégia."

Durante seu mandato, entre 2007 e 2012, o presidente Nicolas Sarkozy já havia sugerido as duas medidas. O ex-presidente Sarkozy, aliás, que disputa com o correligionário Alain Juppé a vaga de candidato às eleições presidenciais de 2017 pelo partido Republicano, criticou de maneira dura a falta de antecipação do governo.

“Há ações que deveriam ter sido realizadas e não foram. Somos uma grande democracia, e a democracia não pode ser fraca. A força da democracia não é a comemoração, não é a emoção, não são as lágrimas, legítimas, sobre o corpo das vítimas. É explicar às pessoas que vamos nos lançar em um combate com determinação total, e ganhá-lo. É preciso fazer certas coisas: o fechamento de certas mesquitas que não queremos em nosso território e centros contra a radicalização”, diz Sarkozy. O líder da oposição francesa também defende a criação de equipes de inteligência dentro das prisões para monitorar a radicalização dos detentos e o isolamento dos presos condenados por terrorismo islâmico.

“Não caiam na armadilha do grupo Estado Islâmico”

Para a imprensa francesa, Sarkozy tira dividendos políticos da tragédia e “faz o jogo” dos terroristas, que visam destruir a coexistência pacífica entre muçulmanos e não muçulmanos no país, como lembra o imã Otamne Assaoui, da Grande Mesquita de Nice. “É uma atrocidade, que não foi praticada por um humano. É terrorismo, não tem nenhuma relação com o Islã . Não caiam na armadilha do grupo Estado Islâmico, que quer dividir, através desse ato, a coesão social. É exatamente isso que buscam os terroristas.”

O ministro do Interior, Bernard Cazeneuve, disse neste domingo que vai reforçar a operação Sentinela, criada depois dos atentados de janeiro de 2015 pelas Forças Armadas francesas para defender os pontos “sensíveis” do território. Segundo ele, mais de 10 000 militares serão mobilizados para garantir a segurança das fronteiras, pedágios, ou manifestações culturais e festivas. 

Estado de emergência não pode ser permanente

..Bruguière lembra que o estado de emergência não pode ser prorrogado indefinidamente. “Não temos dispositivos permanentes. Isso só pode ser justificado em condições particulares e controle do Parlamento. Constitucionalmente, afeta também as liberdades individuais. A dificuldade é justamente essa: saber que horas ou não baixamos a guarda”, observa. Ao mesmo tempo, diz, apesar dos esforços feitos em termos de inteligência para antecipar a ameaça, o que ocorreu em Nice é um fenômeno novo. “Principalmente o perfil do assassino, que teve uma “auto radicalização tardiva”, diz.

A trajetória do caminhão na Promenade des Anglais, Nice, 14 de julho de 2016. RFI

O atentado aconteceu por volta das 22h30 na França, 17h30 pelo horário de Brasília. Um homem, dirigindo um grande caminhão branco em alta velocidade, atropelou, por cerca de 2 quilômetros centenas de pessoas que assistiam aos fogos do 14 de Julho, a festa nacional da França, na avenida beira-mar da cidade, chamado de Passeio dos Ingleses.

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