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França

Terra natal do biquíni, França celebra 70 anos de ousadia

media Apresentação dos biquínis Réard na piscina Molitor, em 1951 ©Collection Nuits de satin D.R

Estrela das praias, de Ipanena a Saint-Tropez, passando pelo Caribe ou por Malibu, o biquíni completa 70 anos de existência este mês. Para marcar o aniversário, duas exposições estão em cartaz na França, país que deu origem a uma das peças mais emblemáticas do vestuário do verão.

Em 5 de julho de 1946, Micheline Bernardini, uma dançarina do Cassino de Paris, vestiu oficialmente o primeiro biquíni da história. O desfile aconteceu na piscina Molitor, monumento de inspiração Art Déco que recebia a nata da sociedade francesa.

No entanto, mostrar o umbigo de uma mulher em público, algo inédito na época, não foi bem visto pela imprensa de um país que ainda se recuperava do trauma da 2ª Guerra Mundial. Criticado inclusive pelos jornalistas, o biquíni não conquistou a adesão imediata e demorou quase 15 anos para virar um fenômeno de moda planetária. Antes disso, sob a pressão da Igreja Católica, chegou a ter sua venda proibida pelos governos da Itália, Espanha e Bélgica.

Sucesso e tabu

A França autorizava o comércio de biquínis nas praias do Mediterrâneo, mas não nas do Atlântico. Uma contradição que, sem querer, ajudou a promover o traje pelo mundo quando, em 1953, uma certa Brigitte Bardot causou furor ao posar de biquíni, aos 18 anos, na praia do hotel Carlton durante o Festival de Cinema de Cannes. A aparição certamente contribuiu para o sucesso de "E Deus Criou a Mulher", filme protagonizado pela atriz francesa, que estreou três anos mais tarde.

Essas e outras anedotas sobre história da peça estão em destaque em dois eventos comemorativos, inaugurados este mês na França. O primeiro deles, intitulado "Le bikini a 70 ans" (O biquíni faz 70 anos) acontece em Paris, na galeria Joseph-Froissart, até 30 de agosto. A mostra, composta principalmente por fotografias, traz cerca de 70 imagens, além de alguns modelos “vintage”.

A outra exposição, também batizada de “70 anos do biquíni”, está em cartaz em Lyon, no espaço La Sucrière, até 24 de julho. Organizada pela colecionadora Ghislaine Rayer e pelo especialista em roupa de praia e lingerie Patrice Gaulupeau, a mostra traz uma impressionante coleção de cerca de 5 mil peças. Uma das mais emblemáticas é o biquíni utilizado por Ursula Andress no filme "James Bond contra o Dr. No", de 1962, quando a atriz aparece emergindo, armada de punhal na cintura e concha nas mãos, em uma cena que marcou a 7ª arte.

Entre bomba atômica e hit musical

Apresentado desde o início como “o menor maiô do mundo”, a peça foi criada pelo francês Louis Réard, um engenheiro que, interessado pelo mercado de roupas de banho, decidiu testar sua invenção nos lugares mais badalados da época, como na aparição de Micheline Bernardini. O nome é uma referência ao atol de Bikini, onde os Estados Unidos realizava testes atômicos em 1946. Gênio do marketing antes da hora, Réard pensou em tudo, inclusive em um slogan de impacto: “biquíni: uma bomba atômica”.

A explosão veio bem mais tarde, principalmente por conta do cinema. Se as pin-up dos anos 50 ajudaram a popularizar a imagem do biquíni, com versões bem mais comportadas que os modelos apresentados inicialmente em Paris, as atrizes de Hollywood tiveram um papel indispensável nesse processo. Cenas de Marilyn Monroe, Ava Gardner e Elizabeth Taylor com seus corpos esculturais fazem parte dos pilares da construção do mito. A tal ponto que em 1960 a peça do vestuário virou hit musical com a canção “Itsy Bitsy Teeny Weeny Yellow Polkadot Bikini”, interpretada originalmente por Brian Hyland, e que virou o "Biquíni de bolinha amarelinha" nas ondas de rádio brasileiras, traumatizando muita Ana Maria. 

Como bom país católico, o Brasil também exerceu uma certa resistência aos triângulos de tecido. A tal ponto que, em 1960, durante sua breve passagem pela presidência da República, Jânio Quadros proibiu o uso do traje nas praias e até mesmo dos maiôs nos concursos de beleza. Mal sabia ele que, uma década mais tarde, Leila Diniz, sempre à frente de seu tempo, posaria de biquíni, grávida de seis meses, nas praias do Rio de Janeiro. Depois disso, tudo passou a ser permitido, do modelo “asa delta” e “fio dental” dos anos 1980, que ousava na parte de baixo, até o topless, que simplesmente aboliu a parte de cima. Esse último, no entanto, ainda encontra uma certa resistência nas praias do hemisfério sul, onde apesar da exposição dos corpos no carnaval, mostrar o seio ainda é um tabu.

Galerie Joseph-Froissart, 7 rue Froissart, 75003 Paris

La Sucrière, 49-50 Quai Rambaud, 69002 Lyon

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