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França

Aos 94 anos, Pierre Cardin apresenta coleção de alta-costura

media Pierre Cardim no final de seu desfile apresentado no Sul da França. Anne-Christine Poujoulat / AFP

O estilista Pierre Cardin apresentou neste sábado (9) sua nova coleção de alta-costura. O francês de 94 anos, que ganhou o mundo graças ao estilo futurista e as licenças de sua marca, impressiona pela vitalidade.

Quando se chega a um certo nível da carreira, algumas pessoas não se apegam mais à protocolos. Esse é o caso de Pierre Cardin, que desde 1950 faz parte do mundo das passarelas, antes mesmo do termo “indústria da moda” ter sido inventado. Como Azzedine Alaïa, conhecido por não se dobrar ao calendário imposto pela Câmara Sindical da Alta-Costura, o francês decidiu apresentar sua coleção dois dias após o final da semana oficial de desfiles, quando todos os jornalistas internacionais já foram embora. Para completar a provocação, ele levou o circo da moda para o Sul da França, na cidade de Bonnieux, longe do burburinho parisiense.

Os vestidos curtos, tubinhos e trapézios com figuras geométricas, que abriram o show, nos lembram que estamos no universo de um dos pais do futurismo. Afinal, ele foi um dos primeiros, no início dos anos 1960, a pensar bem à frente de seu tempo e imaginar modelos que, na época, pareciam sair de filmes de ficção científica.

Precoce, Cardin começou sua carreira como assistente de alfaiate, aos 14 anos de idade, o que faz dele um dos estilistas mais longevos da história da moda com oito décadas de carreira. Depois de colaborar com Jeanne Paquin e Elsa Schiaparelli, ele se tornou chefe de atelier de um certo Christian Dior, que inaugurava sua marca, em 1946.

O estilista estava nos bastidores quando o New Look foi inventado, mas preferiu a independência e criou sua própria grife, em 1950. Desde então, o pioneirismo marcou sua trajetória, como quando ele se tornou um dos primeiros estilistas ocidentais a apresentar uma coleção na China, nos anos 1970, já de olho em novos mercados.

Pai do futurismo e das licenças

Com cerca de 200 modelos, a coleção apresentada neste sábado diante de 350 convidados também nos recorda que o estilista gosta de abundância, já que tradicionalmente um desfile de alta-costura conta com menos de 50 looks. Aliás, multiplicar sua imagem e ver seu nome pelo mundo afora parece ser o leitmotiv do francês, que construiu um império não apenas com seus vestidos, mas também com uma ideia até então rara no mundo da moda: a criação de licenças. Pois ao contrário de Paul Poiret, inimigo de Chanel e um dos primeiros a ver o estilista como um artista, Cardin sempre se viu como um industrial e um homem de negócios, disposto a colocar sua marca em tudo o que pudesse dar lucro. Foi assim que o nome Pierre Cardin ganhou o mundo e pode ser visto nos mais diversos produtos derivados, de camisas a cintos, até malas e cuecas.

Graças à esse sistema, ele chegou a atingir 800 contratos de licença em 120 países e fez fortuna, o que fez com que os puristas da moda torcessem o nariz, acusando-o de banalizar a profissão com uma postura de mercenário. Ignorando as críticas, ele conseguiu se manter como proprietário de sua marca, enquanto seus concorrentes eram, aos poucos, comprados por grandes grupos.

Mesmo se não apresentava uma coleção desde 2013, Cardin não parece disposto a se aposentar. Segundo seus assistentes, ele participou de todo o processo de criação e realização da coleção mostrada no Sul da França, inclusive ajustando as peças diretamente nas modelos. E para quem aponta uma cerca repetição nos looks da passarela, ele alfineta : “Há sempre novidades, mas sempre com o mesmo estilo. Isso é o talento.”

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