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Hooligans têm afinidades com jovens de movimentos extremistas

Hooligans têm afinidades com jovens de movimentos extremistas
 
No estádio Velodrome, em Marselha, confrontos entre ingleses e russos. 11 de junho de 2016. REUTERS/Jean-Paul Pelissier

Futebol nunca foi para frágeis donzelas bem educadas. Nem nas arquibancadas, nem nos arredores dos estádios. O símbolo da galera violenta são os hooligans ingleses que preferem muito mais entrar na porrada do que seguir o jogo. Claro, torcedores violentos sempre existiram, mas na Europa estão descambando para a maldade pura e simples.

Logo no começo da Eurocopa, a polícia francesa foi obrigada a intervir numa verdadeira batalha campal em Marselha para apartar torcedores russos e ingleses. Balanço: quase 40 feridos e um jovem britânico entre a vida e a morte. Mesmo cenário em Nice, entre Irlandeses do Norte e delinqüentes locais. A FIFA fala de “uma minoria de idiotas” responsáveis pelos atos de barbárie. Só que é muito mais do que isso.

Campeonato com times nacionais já provocam entusiasmos nacionalistas. Mas o patriotismo da camiseta é uma festa popular até que demagogos comecem a instrumentalizar as torcidas. Em todos os países europeus estão proliferando movimentos chauvinistas e xenófobos. E o ódio não é só contra os muçulmanos, os imigrantes ou os judeus. É também contra as próprias nacionalidades européias vizinhas e grupos internos, culturais, étnicos, religiosos ou sexuais.

Não é por nada que a FIFA estabeleceu uma lista de partidas com risco de violência: Alemanha/Polônia, Inglaterra/País de Gales ou Croácia/Turquia.... Uma organização anti-racista francesa já pediu que os torcedores croatas fossem proibidos de cantar um hino de um autor de extrema-direita, um admirador do nazismo e da colaboração da Croácia com Hitler na Segunda Guerra Mundial. É como se, de repente, voltasse à tona o velho passado de guerras e agressões no Velho Continente.

"Torcedores violentos são baderneiros que nunca viveram o horror das guerras europeias"

Os torcedores violentos são jovens, os mesmos que também estão sendo atraídos pelos movimentos nacionalistas extremistas. São baderneiros que nunca viveram o horror das guerras européias e mundiais com seus milhões de mortos. Nem a manipulação de ditadores populistas – comunistas ou fascistas – que utilizaram povos inteiros como bucha de canhão. Uma juventude que não tem lembrança dos obstáculos e da forte vontade política para enfrentá-los que foi preciso para construir a União Européia.

Apesar de seus problemas – e são muitos – o Velho Continente ainda é uma região de paz e relativa prosperidade – sobretudo comparada com o resto do mundo. Só que hoje, muitos políticos convencionais, morrendo de medo eleitoral frente ao sucesso dos extremistas, vem jogando lenha na fogueira. Na Inglaterra, o referendum para decidir ficar ou sair da União Européia criou um ambiente exacerbado contra qualquer coisa que venha do estrangeiro e isso também vem alimentando as torcidas e os grupos violentos.

Pior ainda, a própria Grã-Bretanha está ameaçada já que a Escócia e a Irlanda do Norte não querem nem saber de sair da Europa e ameaçam partir para a independência. A reação inaceitável do presidente turco Erdogan diante do reconhecimento pelo parlamento alemão do genocídio armênio e tratando os deputados alemães de origem turca de “sangue impuro”, aumenta a tensão mais ainda.

Virou moda acusar UE de todos os males

Em vários países europeus virou moda acusar a União Européia de todos os males. E mais grave: regiões separatistas estão se mobilizando para destruir seus próprios países. Essa fragmentação generalizada, que procura bodes expiatórios nos países, regiões, classes sociais ou até bairros vizinhos, é um caldeirão de ressentimentos e violência.

O futebol é um espelho da sociedade. E o futebol mundial reflete esse momento difícil da história da humanidade. Porém, os times europeus ainda representam o coração desse futebol universal. Os hooligans e sua barbárie são os sintomas do que ainda está por vir se os dirigentes democráticos europeus não tomarem coragem para encarar os problemas abertamente e propor soluções que convençam, no mínimo uma maioria de suas populações.

A polícia tem condições para conter os fãs mais imbecis e selvagens. Mas não é a policia que vai impedir que uma juventude desencantada e extremista volte a desejar uma “boa guerra”. E guerra na Europa acaba sempre em guerra para o resto do mundo.
 

Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris, publica crônica semanal às segundas-feiras na RFI


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