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França

Cheia do rio Sena é a maior em 34 anos e fecha museus em Paris

media Homem caminha em rua inundada na beira do Sena, nesta sexta-feira (3). REUTERS/Pascal Rossignol

A alta do nível do rio Sena, em Paris, chegou a seis metros nesta sexta-feira (2) e a cheia pode atingir 6,5m até a noite, anunciou o ministério francês do Meio Ambiente. É o nível mais elevado em 34 anos, uma situação que provocou o fechamento dos três maiores museus da cidade, o Louvre, o Orsay e o Grand Palais, situados nas proximidades do rio.

"Nos cenários mais desfavoráveis, a cheia vai chegar a 6,5m. Este nível permanecerá relativamente estável durante todo o fim de semana, antes do início da queda", afirma o ministério, em um comunicado.

O fenômeno levou a prefeitura a adotar uma série de medidas de emergência. O Museu do Louvre e o Museu D’Orsay estão fechados nesta sexta-feira para a retirada de obras guardadas nas salas do subsolo e do térreo, por segurança. Por enquanto, a água ainda não invadiu os locais, mas o plano de emergência contra inundações prevê que as primeiras medidas de precaução devem ser tomadas a partir de uma cheia de 5m do Sena, ocorrida ontem.

Bares das margens do Sena ficaram submersos. ® Thomas Bourdeau / RFI

No Louvre, várias salas já foram fechadas ao público na tarde desta quinta-feira (2) para preparar o transporte de mais de 220 mil obras e objetos de arte para andares superiores. A mesma operação acontece na Biblioteca Nacional François Mitterrand, que abriga arquivos históricos como os documentos do processo de Joana D’Arc.

Metrô prejudicado

As chuvas também afetam algumas linhas de metrô parisiense, que passam perto do rio. Uma das linhas mais movimentadas, RER C, está fechada desde ontem por causa da água que ameaça os trilhos.

As pistas às margens do Sena permanecem interditadas, assim como algumas estações do metrô. Cerca de 50 mil placas de paralelepípedo foram instaladas para proteger postos de transmissão de energia e entradas do metrô.

Enchente de 1910 assombra

Em três dias, choveu o esperado para um mês inteiro no centro e no norte da França. O volume de água é impressionante, mas ainda está dois metros abaixo da enchente histórica de 1910.

“Não se espera que o rio transborde na superfície. A situação mais problemática é nos subsolos, por onde a água do Sena começa a se espalhar em direção à cidade”, explicou Frédéric Gache, chefe da seção de inundações do Estabelecimento Público Territorial de Bacias Seine Grands Lacs, em entrevista à RFI. “Além dos estacionamentos e porões dos imóveis, Paris tem uma gigantesca rede subterrânea, por onde passam os encanamentos de gás, eletricidade, telefonia, etc.”, lembrou.

Pontes de Paris, como a Pont Neuf, "encurtaram" com a cheia do rio. ® Thomas Bourdeau / RFI

Mortes e prejuízos

As enchentes dos últimos dias já provocaram dez mortes na Alemanha e uma vítima na França, um homem de 74 anos encontrado morto em Melun, a 58 km da capital. As autoridades francesas ainda não divulgaram um balanço sobre os prejuízos das enchentes, mas agricultores evocam perdas na colheita de frutas, legumes e vinhos.

O estado de catástrofe natural nas regiões mais afetadas pelas chuvas vai ser decretado no próximo conselho dos ministros, na quarta-feira. Dessa forma, o acesso das famílias e empresas atingidas pelas cheias a indenizações pelos danos materiais será facilitado.
 

Prédios das margens do Sena estão atentos à cheia, que pode invadir porões e estacionamentos no subsolo. Thierry Jouve

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