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França

Sebastião Salgado diz que impeachment é golpe de estado imoral

media O fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado REUTERS/Suzanne Plunkett

O renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, que acabou de ingressar na seção de fotografia da Academia Francesa de Belas Artes, deu nesta terça-feira (19) uma entrevista à rádio France Inter, na qual afirmou que o processo de impeachment contra Dilma Rousseff é um golpe de estado imoral e analisou o legado do PT para o Brasil. Leia abaixo.

Vamos falar primeiramente do Brasil, um país atualmente dividido. De qual lado você está?

Com certeza não estou do lado que deu um golpe de estado. A esquerda chegou ao poder com uma proposta interessante. Durante 400 anos tivemos apenas uma classe dominante no comando do país e, nos últimos 13 anos, houve uma verdadeira redistribuição de renda. São mais de 40 milhões de brasileiros que estavam abaixo da linha da pobreza e que passaram à classe média. Há políticas sociais muito mais interessantes que antes, mas a elite que perdeu o poder tentar voltar de todas as maneiras. Temos uma imprensa de direita que combate o PT. Não sou filiado ao partido, mas não concordo que se elimine a democracia no Brasil através de um golpe de estado imoral.

Você acha que se trata de uma revanche política?

Totalmente. Além disso, a classe que quer voltar ao poder é a classe mais corrupta que podemos imaginar. No mandato anterior de Dilma, houve 1.200 processos contra a corrupção.

O PT mantém suas promessas sociais? O país realmente foi transformado?

O PT não estava realmente pronto para promover mudanças das dimensões propostas. Havia uma base do partido que era corrupta e que teve o mesmo comportamento dos outros partidos. Temos também que cobrar o PT. Mas o balanço é o mais positivo que o Brasil já teve.

O que nós choca aqui na França quando escutamos o termo "golpe de estado" é que não faz muito tempo que o Brasil passou por uma ditadura. É legítimo falar de golpe?

Poderíamos usar outro termo, mas parece um golpe. Estão tentando destituir um governo legítimo e democrático, é a primeira etapa de uma grande luta.

O que você achou do Prêmio Pulitzer dado a fotos de refugiados (dividido entre a agência de notícias Reuters e o jornal New York Times, este com fotos do brasileiro Mauricio Lima)?

Dizem que o fotojornalismo está morto, não é verdade. Ele conta a história. O que eu vejo nessas fotos é o espelho de uma sociedade. Hoje falamos muito de correntes migratórias como se fosse algo novo. Mas elas sempre existiram: a única diferença é que agora elas chegam à Europa. A história é exatamente a mesma.

A história é a mesma, e os dramas humanos continuam. A originalidade das suas fotos é o preto e branco. Por que essa escolha?

Nunca fotografei em cores. A cor provoca uma perda de concentração no momento de fotografar. Podemos dar poder e dignidade com o preto e branco. Desde 1980, trabalho com essa estética.

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