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França

Apesar do sucesso comercial, Slimane deixa a maison Saint Laurent

media Hedi Slimane, em 2013, em uma de suas raras aparições públicas. REUTERS/Gonzalo Fuentes

Quatro anos após ter sido contratado para dirigir o estilo da marca Yves Saint Laurent, o francês Hedi Slimane deixa o cargo. Apesar de ter alcançado um sucesso comercial quase imediato, o grupo Kering, que detém a grife, não renovou o contrato do estilista, que ficou famoso por ter imposto, no início dos anos 2000, as silhuetas ajustadas na moda masculina.

Depois de meses de rumores, o gigante do luxo Kering, que também é dono de marcas como Gucci e Balenciaga, anunciou que o contrato de Slimane não seria renovado. Em um comunicado divulgado nesta sexta-feira (1°), o grupo agradeceu o estilista que, segundo o texto, “deu um novo fôlego” para marca, respeitando a visão de seu fundador, Yves Saint Laurent.

A passagem de Slimane pela maison, uma das mais famosas do mundo das passarelas, foi marcada por muito polêmica, mas também por um incontestável sucesso de vendas. Se desde os primeiros desfiles alguns especialistas ousaram criticar uma moda muito comercial, que não acrescentava muito à história da moda (alguns deles, como a jornalista Cathy Horyn, do New York Times, chegou a ser banida dos desfiles), não há como negar que o estilista de 47 anos conseguiu aquecer as estatísticas financeiras do grupo.

Só para ter uma ideia, em 2015 a marca registrou uma alta de 37,7% no faturamento, com um resultado final de quase € 1 bilhão. “O que Yves Saint Laurent conseguiu nos últimos quatro anos ficará como um capítulo único na história da maison”, declarou François-Henri Pinault, presidente-diretor da Kering, antes de agradecer o trabalho de Slimane e suas equipes pelo bom desempenho da marca.

Estilista transformou a silhueta masculina

No entanto, apesar do sucesso de público, o estilista também acumulou uma série de opiniões negativas, não apenas pelo estilo que propunha nas passarelas, onde ressuscitou o grunge do anos 90 e um certo glamour decadente, como também por sua personalidade e as exigências impostas a seus patrões. Antes de assumir a direção artística da marca fundada pelo mestre Yves Saint Laurent, morto em 2008, Slimane construiu uma carreira de altos e baixos, mas sempre controversa.

Em 1996 ele começou a impor seu estilo na mesma Saint Laurent, onde era responsável pela coleção masculina. Após quatro anos, o estilista deixou a marca para assumir a linha masculina da concorrente Dior, onde ficou entre 2001 e 2006. Sua passagem pela maison do grupo LVMH, o líder mundial do luxo, foi o momento em que ele operou uma mudança radical na silhueta dos homens, propondo um look claramente inspirado no mundo do rock dos anos 1960, com ternos curtos e ajustados e as calças slim que foram logo adotadas por toda uma geração.

“Quando Slimane apresentou sua primeira coleção masculina, o conselho de direção da grife, composto por senhores que usavam aqueles ternos largos com ombreiras, ainda fruto das décadas de 80 e 90, não entenderam nada”, disse certa vez Sydney Toledano, atual presidente da Christian Dior Couture.

Mas o estilista sempre teve ambições que iam além das roupas que desenhava. Enquanto estava na maison da avenue Montaigne, ele conseguiu mudar o nome da marca, que passou a se chamar Dior Homme, e se tornou o responsável por toda a identidade visual, tendo a última palavra até mesmo na decoração das boutiques – uma estratégia adotada também pelo concorrente Tom Ford na YSL.

O sucesso comercial também foi rápido e várias marcas se inspiraram de seu estilo. Até Karl Lagerfeld, o midiático estilista da Chanel e da Fendi, confessou ter feito um regime drástico para conseguir entrar nos terninhos skinny propostos por Slimane.

Mas a história de amor não durou muito, e o estilista, com seu eterno look de adolescente, deixou a marca. Na época, rumores indicavam que ele teria pressionado o grupo LVMH para assumir também a direção artística da linha masculina, então pilotada por John Galliano.

Exigências de Slimane ficaram famosas

Depois da saída da Dior, Slimane se reinventou. Ele se mudou para Los Angeles, onde atuava como fotógrafo, e fugia das entrevistas, como se o mundo da moda não o interessasse mais. Até que o grupo Kering veio bater à sua porta o convidando para voltar para Yves Saint Laurent, desta vez assinando a prestigiosa linha feminina.

A tentação era grande e, mais uma vez, o estilista decidiu mudar tudo por onde passava. A primeira decisão simbólica foi mudar o nome da marca, que passou a se chama apenas Saint Laurent – uma alteração que até hoje confunde os jornalistas de moda. Em seguida, ele exigiu que o estúdio de criação da maison francesa se mudasse para a Califórnia. Além de ser vista como uma heresia no mundinho da tradicional alta-costura, a instalação em Los Angeles obrigava parte das equipes, baseadas em Paris, a passar boa parte do mês dentro do avião, brigando contra o fuso horário. Sua penúltima coleção na grife, aliás, chegou a ser apresentada nos Estados Unidos, sacudindo o calendário dos desfiles.

A última coleção assinada por Slimane como diretor artístico de (Yves) Saint Laurent foi apresentada em Paris, em uma mansão comprada pelo grupo na Rive Gauche para relançar a atividade de alta-costura da marca. Verdadeira homenagem aos anos 80, os looks apresentaram dividiram a crítica, em um momento em que os rumores sobre sua saída da grife já circulavam.

Agora, começa a nova fase de boatos, que já avançam a possível contratação do belga Anthony Vaccarello como substituto do francês. Alguns também apostam que agora seria o momento para Slimane assumir a tão sonhada cadeira de diretor artística das linhas femininas da Dior, pela qual ele teria brigado há dez anos. Mas depois da bola fora do mês de março, quando toda a imprensa divulgou que o escocês Jonathan Saunders iria substituir o belga Raf Simons à frente do estilo da mesma Dior, ninguém mais arrisca o palpite.

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