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França

Ex-ministra Taubira lança livro surpresa, 5 dias após deixar governo

media A ex-ministra da Justiça, Christiane Taubira lançou nesta segunda-feira (1) o livro intitulado: "Sussuros à Juventude" (tradução livre). philippe-rey.fr

Há apenas cinco dias, Christiane Taubira deixava o Ministério francês da Justiça devido, segundo ela, "a um desacordo político maior". A ex-ministra volta ao centro das atenções nesta segunda-feira (1°) com o anúncio da publicação de um livro "surpresa", intitulado de "Murmures à la jeunesse" ("Sussuros à Juventude", tradução livre). Quarenta mil exemplares da obra secretamente impressa na Espanha chegaram hoje às bancas.

"Murmures à la jeunesse" é um ensaio de pouco menos de 100 páginas, escrito quando Taubira ainda ocupava o cargo de ministra da Justiça. Na obra, ela se concentra no assunto que a fez desistir de integrar o governo socialista do presidente François Hollande: a retirada da cidadania de franceses com dupla nacionalidade condenados por terrorismo. No entanto, a autora não poupa o chefe de Estado de elogios, por suas decisões e gestão pós-atentado.

A obra também é recheada de referências literárias, como Frantz Fanon, Edouard Glissant e René Char, e também citações musicais sobre a nacionalidade, como um verso de Maxime Le Forestier: "Nascer em qualquer lugar, para aquele que nasce, é sempre aleatório"*.

Corajosa e sincera, Taubira mostra mais uma vez com o ensaio que não tem papas na língua. "Osemos dizer: um país deve ser capaz de gerenciar seus cidadãos. O que aconteceria com o mundo se cada país expulsasse seus cidadãos considerados indesejáveis?"*, escreve a ex-ministra.

"Punir os terroristas: quem imaginaria se opor a isso? Pessoas com dupla nacionalidade ou não! Mas que efeito isso teria sobre eles? Eles não morrem nem franceses, nem com dupla cidadania: eles morrem em pedaços. Eles tinham dupla nacionalidade, os nove que semearam a morte e a desolação em Paris na noite do 13 de novembro? Por outro lado, eles mataram 27 pessoas com dupla nacionalidade!"*, dispara.

Bastidores do lançamento do livro

A imprensa francesa especula hoje sobre a rapidez com que a obra foi escrita, quando, provavelmente, a ex-ministra já planejava deixar a pasta. A editora Philippe Rey foi contatada no dia 10 de janeiro, na volta das férias de fim de ano de Taubira na Guiana Francesa, de onde é originária. O livro foi finalizado oito dias depois. Tudo deixa a entender que a ex-ministra calculou cada passo, inclusive a chegada da obra às livrarias, a apenas alguns de um importante debate no Senado francês sobre a retirada da dupla cidadania.

No entanto, na contracapa, Taubira ainda é apresentada como ministra da Justiça, embora sua saída do governo esteja subentendida no livro. Em todo o caso, seria difícil imaginar que ela permanecesse no cargo após o lançamento de "Murmures à la jeunesse".

Ao que tudo indica, apenas Hollande estava a par do ensaio e o teria até mesmo lido antes de sua chegada às bancas. Segundo a imprensa francesa, o chefe de Estado recebeu a publicação no dia 22 de janeiro, às vésperas de seu encontro crucial com Taubira e a decisão mútua sobre a saída da ministra.

"Ela refletiu sobre a obra durante suas férias de fim de ano e trabalhou nela durante os dez primeiros dias de janeiro", disse uma fonte próxima à Taubira à AFP. Já a editora declarou que, ao ser contatada para a publicação de "Murmures à la Jeunesse", a ex-ministra não teria mencionado nada sobre sua intenção de pedir demissão.

* tradução livre

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