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França

Francesa condenada pela morte de marido pede a graça de Hollande

media A francesa Jacqueline Sauvage, de 66 anos, durante o julgamento em que foi condenada a 10 anos de prisão. captura vídeo youtube.

O caso da francesa Jacqueline Sauvage emocionou o país e mobilizou a opinião pública. Condenada a dez anos de prisão pela morte do marido, depois de quase 50 anos de violências físicas, psicológicas e sexuais, ela apela agora ao presidente François Hollande. Duas filhas da condenada se encontraram nesta sexta-feira (29) com o chefe de Estado para pedir que ele conceda a graça e permita que a mulher não cumpra a pena, considerada injusta por boa parte dos franceses.

"Liberem Jacqueline!": o slogan que se tornou célebre na França desde o início de dezembro é fruto de um forte movimento em favor desta mulher violentada durante 47 anos pelo próprio marido. A libertação de Jacqueline Sauvage é defendida por associações feministas, personalidades e autoridades políticas, que denunciam um descaso da justiça em relação à pena da francesa. A Ong change.org contabiliza mais de 408 mil assinaturas em favor da graça presidencial à mulher, entre elas a da prefeita de Paris, Anne Hidalgo, e das militantes da organização Femen.

Jacqueline, de 66 anos, matou o marido em setembro de 2012 com três tiros nas costas, depois de ser violentada e abusada sexualmente ao longo dos 47 anos de casamento. Na ocasião, ela estava em licença médica de três dias, devido a um forte soco que recebeu do homem dias antes.

Não bastasse a violência contra a esposa, Norbert Marot, de 65 anos e alcoólatra, não poupava seus quatro filhos das mesmas agressões físicas, psicológicas e sexuais. Um deles, Pascal, se suicidou em 2012, um dia antes do pai ser morto por Jacqueline. "Nossa mãe sofreu durante toda a sua vida conjugal, vítima de nosso pai, homem violento, tirânico, perverso e incestuoso. Nosso pai morreu e, para nós, isso foi um alívio", denunciam as três filhas do casal, Sylvie, Carole e Fabienne.

Graça presidencial de Hollande

Representantes do governo Hollande já haviam adiantado que o presidente não é favorável ao princípio de concessão da graça, mas teria dito que "está por dentro da mobilização" em favor de Jacqueline Sauvage. Depois do encontro com as filhas da condenada, o Palácio do Eliseu anunciou que o chefe de Estado vai refletir antes de tomar sua decisão final.

Direito dos antigos reis da França, suprimido durante a Revolução e restaurado por Napoleão Bonaparte, a concessão da graça faz parte da Constituição desde 1848. O princípio diz respeito à supressão ou a redução da pena de um condenado, mas não a anulação da sentença. Ou seja, a condenação segue inscrita na ficha judicial do condenado.

Advogadas vão recorrer da decisão

As duas advogadas de Jacqueline, Nathalie Tomasini e Janine Bonaggiunta, acreditam que o primeiro encontro das filhas da condenada com Hollande seja um primeiro passo em direção à graça. Mesmo assim, a dupla se prepara recorrer da decisão da Justiça e pedir uma diminuição da pena.

As advogadas argumentaram que o assassinato foi cometido em legítima defesa, o que não convenceu os magistrados. A Justiça considerou que Jacqueline poderia ter respondido de maneira diferente às violências do marido, "com um ato proporcional, imediato e necessário".

Durante o julgamento, Jacqueline descreveu os 47 anos de terror que viveu nas mãos de Marot. Muitas vezes, depois de ser violentada pelo marido, Jacqueline teve que ser levada para a UTI. Jacqueline alega que se não tivesse agido contra Marot, ele a teria assassinado. Entretanto, temendo uma reação ainda mais violenta por parte do agressor, ela nunca o denunciou à polícia.

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