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França

De bicicleta, Taubira se despede do Ministério da Justiça

media Depois de seu último discurso no Ministério da Justiça, Christiane Taubira voltou para casa em sua célebre bicicleta amarela nesta quarta-feira (27). Dominique Faget/AFP

Ícone da esquerda e única ministra negra do governo de François Hollande, Christiane Taubira deixou o Ministério da Justiça como todos os dias desde maio de 2012: de bicicleta. Conhecida por seu forte cárater, suas ideias progressistas e sua oposição ao premiê Manuel Valls, ela justificou sua demissão: "escolhi ser fiel a mim mesma".

Taubira não causou surpresa ao anunciar sua saída nesta manhã. A ex-ministra nunca escondeu suas divergências com o primeiro-ministro francês, Manuel Valls. Nos últimos tempos, era a principal voz contra o projeto de revisão constitucional do governo, sobretudo contra a possibilidade de retirada da cidadania para franceses com dupla nacionalidade condenados por terrorismo.

Nesta tarde, em seu discurso de despedida no Ministério da Justiça, sorridente, ela disse deixar o governo devido "a um grande desacordo político" e fez um apelo para que não seja concedida nenhuma vitória, "mesmo simbólica", ao terrorismo. "Escolhi ser fiel a mim mesma, aos meus engajamentos, meus combates, minha relação com os outros, a nós, como eu nos vejo", declarou diante dos colegas e da imprensa.

Casamento homossexual é uma de suas principais conquistas

A ex-ministra também relembrou suas principais conquistas no governo Hollande, como a lei que autoriza o casamento entre as pessoas do mesmo sexo e a reforma da justiça penal, duas de suas principais bandeiras. Conhecida por sua generosidade, Taubira não deixou de agradecer a seus colaboradores e aos funcionários da Praça Vendôme, onde se situa o Ministério da Justiça, no 1° distrito de Paris.

"Porque esse país goza de força, de vontade, de imaginação, ele deve saber que seu destino coletivo está em sólidas fundações e, entre elas, há a construção de sua identidade republicana, de sua identidade cívica. Essas fundações são suficientemente robustas, suficientemente profundas para resistir ao tempo, aos acidentes e às tragédias", concluiu.

Muito aplaudida, no fim do discurso, ela cumprimentou os colegas e abraçou carinhosamente o novo ministro da Justiça, Jean-Jacques Urvoas. Ainda sob aplausos, ela vestiu um pesado casaco de inverno e colocou um capacete. Como durante boa parte de seu mandato, acompanhada de seguranças, Taubira deixou o Ministério da Justiça em sua célebre bicicleta amarela, mas não sem, antes, conversar com uma multidão de simpatizantes e admiradores para seu último "au revoir".

Episódios racistas marcaram quase quatro anos de Taubira no Ministério da Justiça

Figura emblemática da ala esquerda do Partido Socialista, nascida na Guiana em 1952, Taubira ficou conhecida pelo estilo informal que contrastava com o protocolo francês. Ela foi candidata à presidência em 2002 pelo Partido Radical de Esquerda, quando recebeu 2,32% dos votos.

Entre as poucas mulheres do governo Hollande, ela era a única ministra negra. Nos quase quatro anos à frente do Ministério da Justiça, Taubira não foi poupada pela direita e a extrema-direita francesas, que sempre expressaram aversão à ex-ministra.

Um dos episódios mais cruéis vividos por Taubira aconteceu em outubro de 2013. Em sua página no Facebook, Anne Sophie Leclère, de 33 anos, na época candidata do partido de extrema-direita Frente Nacional às eleições municipais, publicou uma fotomontagem comparando a ex-ministra a um macaco. Em 2014, depois de ser expulsa da legenda, Leclère foi condenada à prisão e ao pagamento de uma multa de € 50 mil, mas conseguiu anular o julgamento.

Os desacatos racistas contra a ministra se multiplicaram durante as manifestações do movimento Manif Pour Tous, que milita contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em outubro de 2013, crianças que acompanhavam os pais a um protesto na cidade de Angers, no oeste da França, levantaram bananas e gritaram ofensas contra Taubira.

Em novembro de 2013, foi a vez do jornal de extrema-direita "Minute" aderir à onda racista. Em sua capa, estampando uma foto de Taubira, acompanhava a manchete: "Esperta como um macaco, Taubira encontra a banana". A publicação gerou a indignação da classe política francesa. O editor-chefe do jornal, Jean-Marc Molitor, foi condenado a pagar € 10 mil pela ofensa, um valor considerado muito baixo por boa parte da opinião pública do país.

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