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Extrema-direita soube se adaptar para conquistar eleitorado

Extrema-direita soube se adaptar para conquistar eleitorado
 
Evolução do partido de extrema-direita Frente Nacional continua monopolizando boa parte das capas das revistas francesas.

Nesse fim de semana de segundo turno de eleições regionais na França, a política interna dominou as manchetes das revistas semanais francesas. Independentemente do resultado das urnas neste domingo (13), praticamente todas as revistas se questionam sobre a evolução da Frente Nacional (FN), o partido de extrema-direita francês, que desponta como um dos potenciais vitoriosos do pleito.

A revista Le Point explica que a política francesa está sofrendo uma transformação histórica, mas lembra que desde 1984, quando o FN se destacou em eleições europeias, o partido vem se sobressaindo aos poucos. Para a publicação, uma das principais razões é que, durante muito tempo, a classe política esnobou o partido, mas também seus eleitores, sem tentar entender quais eram as preocupações dessa parcela da população. “A culpa é nossa, que não levamos o FN a sério”, acusa o editorialista do Le Point, Franz-Olivier Giesbert.

Outro aspecto que chama a atenção da imprensa é a transformação do partido, que apesar de suas posições extremas sobre temas sensíveis, como imigração, conseguiu diluir seu discurso para conquistar um novo eleitorado. Um bom exemplo é o de Marion Maréchal-Le Pen que pode, aos 26 anos, governar uma das regiões do país (Provence-Alpes-Côte d'Azur, no sudeste).

Com o título “Esse veneno chamado Marion”, a revista l’Obs explica que a candidata, neta do fundador do partido, Jean-Marie Le Pen, conseguiu a proeza de seduzir tanto os eleitores da direita tradicional quando os mais radicais. E isso mantendo um discurso duro, mas com um seu semblante angelical.

Essa evolução da Frente Nacional também interessou a imprensa fora da França, como mostra a revista Courrier International desta semana. A publicação, que traduz um resumo do que se produz da imprensa mundial, traz trechos de reportagens publicadas nas vizinhas Bélgica e Espanha, mas também na Rússia, Israel, Argentina e Estados Unidos. Na análise do britânico The Guardian, reproduzida pelo Courrier International, o sucesso do FN se deve à sua capacidade de se adaptar, principalmente com a mudança de discurso da presidente do partido, Marine Le Pen, que se tornou “uma advogada dos excluídos”.

Cinema ganha destaque nas manchetes

Algumas revistas preferiram evitar falar de política e guardaram sua linha editorial mais leve. É o caso de Les Echos Week-End, publicada semanalmente pelo jornal econômico de mesmo nome, que aproveitou a estreia do novo episódio da saga Guerra das Estrelas, que chega às telonas na próxima quarta-feira na França, para falar do interesse da sétima arte pela conquista do espacial.

A revista traz uma reportagem de cinco páginas retraçando a presença do tema nas telonas, da Viagem à Lua, de Georges Méliès, em 1902, passando por Alien, no final dos anos 1970, até recente Perdido em Marte, ambos de Ridley Scott. Uma mina de ouro para os cinéfilos e fãs do gênero.

Já a revista do tabloide Aujourd’hui en France dedica sua capa ao ator Jean Dujardin. Com a manchete “francês demais para Hollywood”, a revista tenta explicar porque a carreira do ganhador do Oscar de melhor ator em 2012 não decola nos Estados Unidos.

Segundo a publicação, apesar da boa vontade durante a divulgação americana de The Artist nos Estados Unidos, Dujardin não se exprime bem em inglês e não pretende morar em Los Angeles, dois quesitos vistos como indispensáveis pelos produtores a agentes entrevistados pela revista. A revista também compara o ator com a compatriota Marion Cotillard, que levou o Oscar por Piaf - Um Hino ao Amor, e construiu aos poucos uma carreira hollywoodiana, sendo vista pelos estúdios de igual para igual com qualquer atriz americana.
 


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