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França

Ainda sob impacto de atentados, França celebra dia da laicidade

media Ministra francesa da Educação, Najat Vallaud-Belkacem, conversa com criança durante visita a uma escola elementar na cidade de Blois, no centro do país AFP PHOTO/Guillaume Souvant

Desde 1° de junho de 2011, 9 de dezembro é o dia da laicidade na França. Desde que a data foi estabelecida pelo Senado, ela sempre passou mais ou menos despercebida, mas, neste ano, ela teve um uma importância particular por causa dos atentados de 13 de novembro, realizados por radicais islâmicos. O ministério da Educação disponibilizou, além da Carta da laicidade, fornecida anualmente, uma apostila para ajudar os professores a aplicar o princípio em sala de aula.

A ministra da Educação, Najat Vallaut-Belkacem, reconheceu que os professores enfrentam situações delicadas ao lidar com as diferenças de credo nas salas de aula francesas, mas afirmou que, em ambiente escolar, o saber prevalece sobre a crença: "O mais importante é não cair na armadilha de comparar o que diz a ciência com o que diria uma ou outra religiões. Na escola, o que vale é o saber. Os referenciais de laicidade que estabelecemos estão aí para responder as perguntas dos professores e acompanhá-los em caso de dificuldades".

Por isso, uma série de ferramentas foram colocadas à disposição dos educadores, entre textos, fichas pedagógicas e apresentações. Laurence Thoin, professora de história no ensino médio, escolheu trabalhar um texto da apostila sobre a importância de enfrentar a formação de guetos e comunidades isoladas: "Isso me permite sensibilizar as crianças para o fato de que nossa República está fundada nos princípios fundamentais da laicidade mas que, no fim das contas, existe também o espaço para a ética religiosa, que permite ao mesmo tempo proteger a religião e enfrentar o sectarismo". A partir desta atividade, ela propõe um debate intitulado: "podemos viver numa República laica sem deixar de ser fiéis?"

É uma tarefa árdua levar a laicidade ao ambiente escolar na França, que abriga a maior comunidade de muçulmanos entre os países europeus. Existe uma tensão com os jovens muçulmanos, que são expostos a grande preconceito e trazem na bagagem traumas de medidas governamentais consideradas islamofóbicas pela comunidade, como a determinação de 2004, que proíbe o uso de símbolos religiosos nas escolas. Diversas organizações islâmicas consideraram que a lei era direcionada especificamente ao uso do véu pelas mulheres muçulmanas.

Conceito mal-aplicado

Para a ministra da Educação, a grande maioria das tensões deriva de um "deslocamento" que acontece com frequência no debate público e faz com que as pessoas confundam a laicidade com o combate à religião. "O que queremos promover é uma laicidade que tenha um valor de tolerância, já que ela permite que cada um escolha ou não ter fé e consiga conviver com outras pessoas como membro de um mesmo grupo de alunos", afirmou Vallaud-Belkacem.

Por isso, ela acredita que "o que causa problema na França não é a laicidade, mas esse deslocamento da laicidade. O Estado deve lembrar com firmeza o que é laicidade, esse valor que tanto amamos. Os educadores são formados para transmitir este conceito e devem fazê-lo".

Em referência à lei que determinou, no início do século, a separação total entre a Igreja e o Estado, ela afirmou que a concepção de laicidade que deve ser ensinada é o "conceito de 1905 e não uma laicidade que servirá como pretexto para declarar guerra contra uma religião". A ministra citou como exemplo dessa laicidade "deslocada", decisões absurdas de prefeitos do interior que, em nome da laicidade, decidem "obrigar crianças a comer porco", na cantina.

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