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França

Mulher-bomba é utilizada pela primeira vez na França

media REUTERS/Christian Hartmann

Pela primeira vez uma mulher-bomba se explodiu na França - e, aparentemente, é a primeira vez que o grupo terrorista Estado Islâmico usa essa tática. Aconteceu na manhã desta quarta-feira (18), durante uma operação policial em um prédio em Saint-Denis, na periferia de Paris, com o objetivo de capturar Abdelhamid Abaaoud, suspeito de ser um dos organizadores dos atentados de sexta-feira (13) em Paris. Com a explosão da extremista, de 26 anos, ela e outro terrorista morreram e cinco policiais ficaram feridos.

O acontecimento chama a atenção para uma estratégia cada vez mais usada por grupos terroristas espalhados pelo mundo, como o Boko Haram, que opera no continente africano, e a Al-Qaeda. Atualmente, as mulheres já representam 15% do total de terroristas suicidas, segundo o relatório "Mulheres-bomba, a jihad feminina", publicado pelo Centro Francês de Pesquisa da Informação.

Até então, o uso de mulheres-bomba era um tabu no Estado Islâmico por razões culturais, pois as mulheres são consideradas indignas de participar de atentados ou de combates. Mas a situação começa a mudar. Em outubro, a agência iraniana FARS divulgou a informação de que o grupo jihadista está preparando um batalhão de mulheres-bomba, batizado de Brigada Al-Khansaa.

A nova estratégia jihadista se baseia na ideia de que as mulheres levantam menos suspeitas. O batalhão feminino já está sendo treinado. Elas recebem a promessa de uma grande quantia de dinheiro, antes do atentado, e a garantia de que se juntarão aos seus maridos no céu, segundo a agência.

A associação de direitos humanos Syria is being Slaughtered Silently relatou o caso de uma mulher de Raqqa abordada por uma militante jihadista que a tentou convencer a entrar para o batalhão feminino do grupo.

Já o jornal inglês Daily Mail publicou em julho que essas mulheres são treinadas para realizar ataques coordenados em locais turísticos na Europa. O presidente do Centro de Estratégia Militar e Estudos de Segurança da Síria, Fahad Al-Masri, revelou na reportagem que as mulheres-bomba do EI começariam a atacar em breve cidades europeias.

Meninas-bomba na Nigéria

Na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram usa mulheres e até meninas como kamikazes. Em outubro passado, três mulheres-bomba atacaram o bairro de Umarari, na zona oeste da cidade de Maidugari, e mataram quatro pessoas. O atentado também deixou 17 feridos.

O uso de meninas-bomba, que chamou a atenção do mundo após dois atentados que deixaram 39 mortos em julho na Nigéria e em Camarões, é prática cada vez mais comum da facção islâmica. As crianças tinham cerca de 10 anos.

Em entrevista ao jornal Huffington Post, a jornalista Elizabeth Pearson, pesquisadora da Nigeria Security Network, disse que o uso de mulheres em ataques do Boko Haram é recente, tendo sido iniciado em junho de 2014. Segundo ela, além de poucas, são conflitantes as informações sobre a origem das suicidas.

De acordo com Pearson, algumas das crianças apreendidas pela polícia vestindo detonadores nos últimos meses disseram às autoridades que haviam sido obrigadas pelos pais, apoiadores do Boko Haram. A pesquisadora não descarta que existam mulheres que voluntariamente apoiem os extremistas.
O Boko Haram, que se declarou aliado dos extremistas do EI, surgiu na Nigéria em 2002. Este ano, o grupo vem  estendendo seus ataques a Camarões e Chade - países-membros de uma coalizão militar que tenta conter seu avanço no território nigeriano.

Mulheres-bomba representam 15%

Os extremistas da Al-Qaeda, grupo responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, começaram a usar mulheres-bomba em 2006 no Iraque. Já na Tchetchênia, os terroristas utilizaram, a partir de 2003, jovens mulheres de combatentes mortos, as "viúvas negras", como suicidas.

O Fatah e o Hamas, nos territórios palestinos, também recorreram à estratégia a patir de 2002, assim como o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) na Turquia. Em 1985, uma libanesa de 16 anos, Sana Khyadali, jogou o seu carro cheio de explosivos contra um comboio israelense, matando dois soldados.

A partir dessa data e até 2006, "mais de 200 mulheres-bomba se sacrificaram, o que representa 15% do total de terroristas suicidades contabilizados no mundo", explica Fatima Lahnait, pesquisadora e autora do relatório "Mulheres-bomba, a jihad feminina", publicado pelo Centro Francês de Pesquisa da Informação.

Os principais adeptos das mulheres-bomba foram os Tigres Tâmeis, grupo armado do Sri Lanka, que usaram dezenas delas. O movimento, que lutava pela autodeterminação do povo tâmil, foi derrotado em 2009, após 27 anos de uma guerra que deixou cerca de 100 mil mortos.

Operação em Saint-Denis

Sete pessoas foram detidas na operação desta manhã durante a qual a terrorista ativou seu cinturão de explosivos. Três dos presos estavam dentro do apartamento cercado. Todas as residências ao redor do local foram evacuadas e pelo menos 15 mil pessoas passaram a manhã desta quarta-feira confinadas, sem poder sair de casa.

Segundo informações de uma fonte que participa da investigação, os suspeitos cercados pela polícia no local planejavam um atentado contra o bairro empresarial de La Défense, também na zona metropolitana de Paris.

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