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França

Médico condenado por eutanásia na França faz tentativa de suicídio

media O ex-intensivista Nicolas Bonnemaison chega para julgamento em segunda instância no Tribunal de Angers, no dia 24 de outubro de 2015. AFP PHOTO / JEAN-SEBASTIEN EVRARD

O médico francês Nicolas Bonnemaison, de 54 anos, condenado na semana passada a dois anos de prisão com direito a surcis no caso da eutanásia de uma paciente de 86 anos, tentou se suicidar neste sábado (31) e se encontra em estado crítico. Ele deixou uma carta em que afirma estar cansado da polêmica provocada por suas escolhas quando trabalhou na UTI do hospital de Bayonne (sudoeste).

O médico foi encontrado inconsciente dentro de seu carro em uma estrada pouco frequentada no sudoeste da França. Além de ter ingerido medicamentos em doses elevadas, ele tentou se matar aspirando os gases do escapamento do carro.

Bonnemaison esteve no centro de uma grande polêmica por ter sido levado a julgamento, no ano passado, acusado do envenenamento de sete pacientes em 2010 e 2011. O médico ministrou aos idosos, a maioria em estado terminal, medicamentos que aceleraram as mortes.

No julgamento em primeira instância, na cidade de Pau, Bonnemaison ouviu, sob aplausos, que ele não havia cometido nenhum crime. Durante o processo, algumas famílias de pacientes mortos contestaram a versão de que seus parentes estavam em estado terminal. Outras ficaram agradecidas pelo médico ter aliviado seu sofrimento.

Uma única família, de uma paciente de 86 anos, vítima de um derrame cerebral que a deixou em estado de coma, recorreu da sentença. Na semana passada, a Corte de Apelações de Angers condenou o médico a dois anos de prisão.

Médico não foi considerado um "assassino"

Desde o primeiro julgamento, a promotoria sinalizou que não pretendia enviar o médico à cadeia, sob o argumento de que Bonnemaison "não era um assassino". Os jurados estimaram que o médico agiu em um contexto bem específico: os pacientes mortos sofriam de doenças incuráveis e não estavam mais recebendo tratamento. O fato de Bonnemaison não ter comunicado à enfermagem nem às famílias sobre o coquetel letal administrado aos pacientes, não parece ter perturbado o júri. "Não ficou provado que ele tinha a intenção de matar ao aplicar as injeções, no sentido do artigo 221-5 do Código Penal", justificou o júri.

Os advogados do médico, que na época exibiu um amplo sorriso ao ouvir a sentença, consideram a decisão da justiça francesa um marco nos debates sobre a eutanásia.

Tentativa de suicídio surpreende amigos

A tentativa de suicídio surpreendeu os amigos do médico. Uma pessoa que conversou com ele recentemente declarou à AFP que ele parecia bem nos últimos dias, apesar da condenação. Um outro conhecido revelou, por outro lado, que o ex-intensivista enfrentava problemas financeiros. Além dos gastos com advogados, ele também foi condenado a pagar 30 mil euros por danos morais à família da idosa que recorreu da sentença.

Vários médicos solidários com a atitude de Bonnemaison afirmam que o colega paga o preço de sua coragem. Perícias psiquiátricas feitas no médico revelaram que ele não sofria de problemas patológicos de personalidade. Amigos dizem que o que mais o deprimiu foi o fato de ter de se distanciar dos pacientes.

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