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França

Líder da extrema-direita tem vitória judicial contra a filha, Marine Le Pen

media Líder histórico da Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen trava, há meses, uma guerra contra a filha, Marine Le Pen. AFP

O presidente de honra do partido de extrema-direita Frente Nacional (FN), Jean-Marie Le Pen, registrou nesta quarta-feira (8) mais uma vitória contra sua filha, Marine Le Pen. O Tribunal de Grande Instância de Nanterre decidiu anular a consulta que estava sendo realizada com os membros da legenda sobre a retirada do título do líder histórico da legenda.

Em menos de uma semana, essa é a segunda derrota de Marine Le Pen no conflito com o pai. Na última quinta-feira (2), a justiça francesa anulou a suspensão da FN aplicada a Jean-Marie Le Pen. O Tribunal de Grande Instância de Nanterre considerou ilegítima a decisão tomada em uma reunião do diretório executivo do partido no dia 4 de maio.

Briga de família

A guerra entre pai e filha já dura meses. A confusão começou quando Jean-Marie Le Pen, de 87 anos, voltou a afirmar, em uma entrevista concedida em abril a uma revista francesa, que os campos de concentração nazistas foram apenas "um detalhe" da Segunda Guerra Mundial. Desde então, o FN tenta suspendê-lo do partido.

De olho nas eleições presidenciais de 2017, Marine Le Pen vem tentando promover uma mudança de imagem dentro da FN, que ainda carrega uma forte conotação racista e antissemita. Fundador da legenda e membro da velha guarda radical de direita, Jean-Marie se recusa a participar do projeto de reconstrução e frequentemente atrai holofotes com declarações polêmicas.

Consulta postal

A última jogada da FN contra Jean-Marie era a consulta via postal, no qual os militantes deveriam aprovar o novo organograma e modo de funcionamento do partido, que descartaria o cargo de presidente honorário, que pertence a Jean-Marie Le Pen. Os 51 mil militantes da sigla tinham até esta sexta-feira (10) para votar, mas o processo foi anulado pela justiça. Os juízes consideraram que a FN viola as regras internas ao realizar uma votação não presencial.

O líder histórico da extrema-direita celebrou a decisão: "Estou satisfeito. A justiça me deu razão". Jean-Marie também declarou que é um defensor das injustiças e se disse vítima da situação. Já seu advogado, em entrevista para o canal francês i-Télé, indicou que a decisão é uma "lição de democracia para a Frente Nacional".

O advogado do partido, Frédéric-Pierre Vos, informou que a FN vai recorrer da decisão. Marine Le Pen ainda não se pronunciou sobre a questão.

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