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França

Espionado pela NSA, Hollande recusa pedido de asilo de Julian Assange

media Homem protesta em frente a embaixada do Equador em Londres, onde Julian Assange está refugiado há três anos. REUTERS/Stefan Wermuth

Em uma longa carta enviada ao presidente François Hollande na quinta-feira (2) e publicada hoje no jornal Le Monde, o fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, solicitou asilo político à França. Assange está há três anos refugiado na embaixada do Equador em Londres (Inglaterra). Nesta manhã, Paris recusou o pedido.

Na carta, Assange pede proteção contra o que chama de “perseguição política” e diz ser “perseguido e ameaçado de morte pelas autoridades” americanas. Ele destaca que “jamais foi formalmente acusado de um delito ou de um crime do direito comum, em lugar nenhum do mundo, inclusive na Suécia e no Reino Unido”.

O balde de água fria veio nesta manhã. Em um comunicado, a presidência francesa rejeitou a solicitação. “Considerando os elementos jurídicos e a situação material de Assange, a França não pode dar prosseguimento ao seu pedido”, indicou o palácio do Eliseu, sublinhando que o fundador do WikiLeaks “não corre riscos imediatos”. O texto destaca que Assange é alvo de um mandado de prisão europeu.

Aniversário na embaixada

O fundador do WikiLeaks, que completa 44 anos nesta sexta-feira, vive desde 2012 na embaixada equatoriana em Londres. Desta maneira, ele escapa de um pedido de extradição feito às autoridades britânicas pela Suécia, onde ele é acusado de agressão sexual e estupro, por duas mulheres. Assange sempre negou ter cometido os crimes.

O pedido para Hollande acontece poucos dias depois de o WikiLeaks ter divulgado uma série de documentos mostrando que a NSA espionou o governo francês de 2006 a 2012. Entre os alvos, estavam os três últimos presidentes da França: Hollande, Nicolas Sarkozy e Jacques Chirac.

Petição assinada por personalidades

Na quinta-feira (2), uma petição assinada por intelectuais franceses como Edgar Morin e Costa-Gravas pediu que Hollande aceite receber Assange. As personalidades também chamaram a atenção para o caso de Edward Snowden, ex-funcionário da NSA (Agência de Segurança Nacional) que vive asilado na Rússia desde que revelou a existência da espionagem americana a líderes de todo o mundo.

A petição, assinada por 30 pessoas – entre elas, o economista Thomas Piketty e o ator Vincent Cassel -, afirma que os dois são “perseguidos em razão do combate pela liberdade”. “Há vários anos, Julian Assange e Edward Snowden pagam o preço do exílio pela sua coragem. Eles são perseguidos, ameaçados, difamados, cortados da sua entourage, submetidos a assédios constantes por ter revelado a violação dos direitos de milhões de seres humanos e soberania de vários Estados, inclusive a França”, diz o texto.

(com informações AFP e Reuters)

 

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