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Cultura

Acusado de ter obras roubadas, ex-eletricista de Picasso vai a julgamento

media Casal de aposentados que guardou obras de Picasso por 37 anos chega à audiência. REUTERS/Eric Gaillard

O tribunal de Grasse, no sul da França, começa a julgar nesta terça-feira (10) o ex-eletricista do pintor Picasso e a esposa dele, acusados de ficarem ilegalmente com 271 obras do mestre da pintura, incluindo quadros, desenhos, colagens e esboços. No repertório, há 10% da produção de colagens cubistas do pintor, segundo a defesa dos herdeiros de Picasso.

Pierre Le Guennec, de 75 anos, disse que as obras foram doadas por Picasso para ele e sua mulher, Danielle, depois da realização de serviços na casa do artista em Mougins, no sul da França. O casal de aposentados, que tem uma vida modesta, guardou o verdadeiro tesouro artístico na garagem de casa durante 37 anos.

Em 2010, o ex-eletricista foi a Paris para pedir que as obras fossem reconhecidas pela empresa que autentica e gerencia os direitos da obra de um dos maiores artistas do século 20. Claude Picasso, filho do pintor e responsável pela autentificação das obras, acionou a justiça junto com outros seis herdeiros de Picasso e suas quatro musas.

Em 2011, Pierre Le Guennec e sua mulher foram indiciados por "ocultação de bens provenientes de roubo". A acusação não precisa designar quem roubou os objetos, mas deverá demonstrar que o casal conhecia a origem fraudulenta das obras. Se for condenado, o casal pode ter de pagar uma multa de até € 375 mil – (R$ 1,1 milhão) - e pegar até cinco anos de prisão.

Acervo “medíocre”

O advogado do casal, Charles-Etienne Gudin, argumenta que apenas uma dezena de obras tem valor, e as restantes são “muito medíocres”. Elas teriam sido produzidas entre 1900 e 1932 e não trazem a famosa assinatura do mestre da pintura. “Picasso jamais tentou vendê-las”, afirma o defensor.

Em uma entrevista concedida pelo ex-eletricista em 2010, ele contou que o pintor e sua mulher, Jacqueline, o convidavam com frequência para tomar um café. “Nós falávamos sobre tudo. Um dia, quando eu estava indo embora do trabalho, a senhora Picasso me deu um pequeno pacote e disse: ‘É para você’”, relatou.

“Quando eu cheguei em casa, vi uns rascunhos, desenhos a lápis. Eu não conhecia nada sobre aquilo”, disse. “Se ela tivesse me dado uma pintura, eu teria ficado espantado.”

Versão questionada

Já o advogado da família Picasso diz estranhar que, quando os Le Guennec procuraram autentificar o repertório, eles demonstravam não lembrar de nada do que havia acontecido. “Eles não sabem se receberam a doação em 1970, 1971, 1972... Se você ganhasse 271 Picasso, você se lembraria”, declarou Jean-Jacques Neuer. “Picasso teria guardado esse acervo por 70 anos e, do nada, teria tido vontade de dá-lo para alguém.”

O defensor lembra que o pintor assinava as obras pouco antes de vendê-las ou oferecê-las. “Picasso não era uma pessoa inconsciente com as suas obras. Ele não as dava para qualquer um”, diz o advogado.
 

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