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França

A França e os ciganos: as razões da discriminação

media Polícia desmantela acampamento ilegal em Mons, no norte da França. REUTERS

O linchamento de um jovem cigano no subúrbio de Paris coloca em evidência a discriminação contra essa comunidade na França. Darius, acusado de furto, está em coma após ter sido atacado por vizinhos na última sexta-feira (13), em Pierrefitte. Entrevistadas pela RFI, ONGs de proteção a essa comunidade afirmam que os ciganos são utilizados como bodes expiatórios na atual crise econômica e social.

Henrique Valadares, em colaboração especial para RFI Brasil

A comunidade cigana é vista como um problema em Paris, mas está longe de ser o único para a atual prefeita da capital, Anne Hidalgo. Pouco antes de sua eleição, ela afirmou que “o problema dos ciganos não é o principal problema de Paris”. “Os principais são a falta de policiais, o tráfico, as drogas, a delinquência. Ao mesmo tempo, Paris não pode ser um acampamento gigante. Claro, esse problema é visível e deve ser tratado, mas não é o único problema de segurança de nossa cidade.”

Imagem da exclusão e preconceito da população francesa, o linchamento recente levanta várias questões, que Christophe Sauvé, presidente da Associação Nacional dos Itinerantes Católicos (ANGVC), tentou responder. "Infelizmente, na Europa, sempre tivemos bodes expiatórios a cada crise social e econômica. É o caso dos ciganos, dos judeus, dos homossexuais, ou dos comunistas há alguns anos. Os ciganos ainda são bodes expiatórios, com pessoas que se esforçam para excluir essa comunidade da sociedade, muitas vezes agindo com ódio contra comunidades bem específicas."

Largados e esquecidos

Na França, habitantes de bairros de periferia se organizam para impedir que novas caravanas de ciganos se instalem nas cidades, segundo Sauvé, e embora os prefeitos autorizem e organizem a chegada da comunidade. O presidente da associação católica diz que os habitantes de subúrbios sensíveis são pessoas abandonadas pela sociedade e pelas autoridades, sejam ciganos ou franceses. Essas pessoas devem enfrentar uma situação econômica e social difícil, “e devem tomar conta de si mesmas”.

Os ciganos acabam não recebendo proteção alguma, por serem estrangeiros (normalmente da Romênia ou Bulgária). Mas essa discriminação é também feita contra os ciganos franceses, rejeitados pelo próprio país.
Chamados de itinerantes, os ciganos devem se mudar com frequência - mas apesar de ter uma tradição e uma história de nomadismo, a comunidade é mais itinerante do que gostaria. Seus membros são expulsos de onde quer que se instalem e são forçados a enfrentarem a estrada mais uma vez.

“É muito difícil para as associações e os serviços sociais manterem um contato com essas famílias, que têm de mudar de local o tempo inteiro”, diz Guillaume Lardanchet, porta-voz do Coletivo Romeurope e diretor da associação de proteção de menores Fora da Rua. “Como acompanhar as famílias, se elas são obrigadas a se mudar constantemente? Se elas mudam de lugar, elas não conseguem nem carregar um celular. Essas famílias têm os mesmos direitos que qualquer cidadão europeu, mas mesmo assim elas sofrem uma discriminação muito forte.”

Minoria delinquente

Essa discriminação cresce com a criminalidade de alguns ciganos, como indica Sauvé. “Não nego a delinquência. No nosso país, em compensação, a polícia não pode intervir e expulsar uma comunidade inteira porque tem uma pessoa que é delinquente.” Já Lardanchet insiste no fato de muitos jovens são obrigados a tais atos, por ordem de máfias. “Esses jovens são delinquentes porque não vão à escola: esse é o caminho clássico da delinqüência juvenil. Mas uma parte é forçada a cometer esses atos. São 200 ou 300, em uma população total de 6 mil crianças, então é uma minoria. Essas crianças são, em sua maioria, vítimas e não delinquentes.”

Lardanchet declara também que as famílias sofrem discriminação de alguns prefeitos, que não aceitam que os filhos de ciganos frequentem a escola. Mas o obstáculo principal à escolarização dessas crianças é que as famílias devem mudar de lugar constantemente, além das condições de vida precárias. Por exemplo, elas nem sempre elas têm eletricidade para estudar em casa.

Sem a escolarização, as crianças não conseguem integrar à sociedade francesa, sendo excluídas da sociedade, discriminadas.
 

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