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França

Polícia francesa investiga venda de carne de cavalo de laboratório

media Açougue especializado em carne de cavalo, em Paris. REUTERS/Charles Platiau

A França lançou nesta segunda-feira uma grande operação policial numa extensa região do sul do país, entre as cidades de Nice, Marselha, Narbonne e Montpellier, onde a justiça descobriu um novo escândalo de venda de carne de cavalo inadequada para o consumo. Cerca de cem policiais, militares e técnicos especializados em investigações sanitárias participaram da operação.

Vários veterinários foram presos entre os 21 suspeitos citados no inquérito aberto pelo Tribunal de Marselha. A carne de cavalo inadequada ao consumo envolve animais utilizados por uma unidade do laboratório farmacêutico Sanofi Aventis da localidade de Alba-la-Romaine, que produz soros e medicamentos contra doenças como a raiva e o tétano. Os cavalos são ótimos produtores de anticorpos contra várias doenças e por isso são usados pela indústria farmacêutica de maneira totalmente legal.

Normalmente, os cavalos de laboratório são revendidos para escolas de equitação ou escolas veterinárias. Mas a polícia francesa descobriu que a carne de animais que passaram pela unidade do Sanofi Aventis foi parar em açougues do sul. As investigações começaram no final do ano passado, quando um organismo de proteção ao consumidor recebeu uma carta anômina denunciando uma rede de açougues da cidade de Narbonne envolvida no comércio ilegal.

Investigações

Alain Bernal, porta-voz do laboratório farmacêutico, não soube dizer quantos animais podem estar envolvidos no abate clandestino. "Podem ser centenas, se esse tráfico acontece há vários anos. Só nos últimos três anos passamos adiante 300 carcaças de cavalo", disse o porta-voz. O laboratório francês condenou a fraude e acrescentou que está colaborando com as autoridades nas investigações.

O ministro delegado do setor Agroalimentar, Guillaume Garot, disse que ainda não é possível estabelecer o grau de risco para a saúde dos consumidores que ingeriram essa carne. Mas o ministro do Consumo, Benoît Hamon, afirmou que a França pode estar diante de um novo escândalo sanitário.

No ano passado, a polícia francesa já tinha descoberto o uso ilegal de carne de cavalo em pratos prontos vendidos nos supermercados, com conexões na Holanda, Romênia e Grã-Bretanha.
 

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