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França

Na Guiana Francesa, Hollande frustra ao não anunciar reforço na luta contra garimpo ilegal

media Presidente francês foi ao encontro da população em Caiena. REUTERS/Ronan Lietar

O presidente francês, François Hollande, termina hoje a viagem à América do Sul. Em Caiena, na Guiana Francesa, Hollande disse que a luta contra a garimpagem ilegal de ouro na fronteira com o Brasil "é sua prioridade" no departamento francês, mas frustrou os guianenses com a falta de novas medidas para combater a extração irregular do metal precioso.

* Enviado especial a Caiena

Em um encontro com os empresários e comerciantes da Guiana Francesa, na manhã deste sábado na prefeitura de Caiena, o presidente ouviu as principais preocupações e reivindicações dos moradores do maior território ultramarino francês.

Além de estímulos à economia e o combate ao desemprego, que atinge 20% da população, os guianenses pedem medidas contra a insegurança, principalmente ligada à exploração ilegal de ouro, um problema que envolve também a fronteira de 730 quilômetros da Guiana com o estado brasileiro do Amapá.

Gauthier Horth, da Federação dos operadores minerais da Guiana, pediu que o governo atue para ajudar financeiramente as empresas que exploram legalmente o ouro. “A preservação de nosso patrimônio mineral é imperativo para o sucesso das empresas e do território da Guiana. Precisamos fazer com que as 10 toneladas de ouro exploradas ilegalmente todo o ano sejam salvas pelas empresas guianenses”, disse.

A exploração clandestina do ouro da Guiana se acelerou nos últimos 20 anos. O movimento Hurleurs de la Guyane, que pode ser traduzido como Lutadores pela Guiana, reúne 20 Ongs e representantes de empresários que lutam contra o garimpo ilegal. O movimento afirma, baseando-se em dados oficiais, que em 2013 foram identificados 713 locais de exploração, sendo que 413 deles estavam ativos no mês de novembro.

Essa atividade ilegal envolve cerca de 20 mil pessoas, 80% delas imigrantes brasileiros que entraram de maneira irregular no território francês. O movimento diz que existem apenas 350 soldados e militares envolvidos na segurança, insuficientes para combater a atividade ilegal realizada numa grande área de proteção ambiental, o Parque Nacional Amazônico da Guiana.

Além da violência e da prostituição, a atividade ilegal também degrada o meio ambiente, diante do uso indiscriminado de mercúrio, um metal usado para a extração do ouro.

Expectativas frustradas

Empresas e militantes esperavam anúncios concretos do presidente francês de reforço na luta contra o garimpo ilegal. Durante seu discurso, François Hollande anunciou a iniciativa de criar uma estrutura pública dedicada à atividade de mineração, que não deverá substituir as empresas privadas, mas poderá contribuir com a organização do setor.

Ao lembrar que na sexta-feira o Congresso brasileiro ratificou o tratado firmado entre França e Brasil para o combate da exploração ilegal de ouro, o presidente indicou que ações poderão ser realizadas numa extensão de 150 quilômetros nas fronteiras entre o Brasil e Guiana, que são divididos pelo rio Oiapoque.

“Ações agora vão acontecer, tanto no território francês quanto brasileiro, numa extensão de 150 km . E serão operações coordenadas.  Além desse aspecto diplomático, vamos também reforçar nossos dispositivos legais para inibir ainda mais as ações de quadrilhas”, disse o presidente.

Hollande afirmou não aceitar críticas de que o governo não faz nada, e lembrou que desde 2010 três soldados foram mortos em operações de combate aos traficantes de ouro. Apesar de dizer que o combate a uma ação irregular que está destruindo um patrimônio que também pertence à humanidade, a falta de anúncios de medidas concretas decepcionou muitos guianenses.

“Não foi anunciado nenhum reforço de meios para combater o garimpo ilegal. Isso é preocupante”, declarou Stéphane Lambert, representante do sindicato patronal Medef da Guiana Francesa e um dos responsáveis pelo movimento “Lutadores pela Guiana”, ao deixar o encontro com o presidente.

Guylaine Bouorguignon, outra membro do movimento, se disse indignada com a pouca mobilização do governo para proteger o seu próprio território. “A gente se pergunta quanto tempo ainda será necessário para colocar em prática os meios de intervenção. No papel, com a aprovação do tratado está tudo bem. Mas e agora, o que fazemos? Com o Suriname o mesmo acordo foi adotado e assinado rapidamente entre 2009 e 2010, e até o momento nada foi feito sob o ponto de vista operacional.”
 

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