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França

BEA deve incluir recomendação sobre alarme em relatório final do voo 447

media Uma das caixas-pretas do voo AF447, apresentada à imprensa em abril REUTERS/Charles Platiau

O BEA, a agência civil francesa que investiga as causas do acidente do voo AF447, que caiu no dia 31 de maio de 2009 na rota Rio-Paris, estaria analisando a hipótese de incluir uma recomendação sobre o funcionamento dos alarmes que indicam a perda de sustentação do Airbus 330, conhecida como stall.

De acordo com uma reportagem publicada nesta terça-feira no site do jornal francês Les Echos, a agência omitiu no relatório preliminar, apresentado no dia 29 de julho à imprensa, trechos que constavam num projeto confidencial, editado no dia 25 de jullho. Segundo o jornal, que afirma ter tido acesso ao documento, vários parágrafos foram retirados na versão apresentada ao público. No texto, o BEA recomenda à AESA (Agência Europeia de Segurança Aérea), que o "funcionamento do alarme de perda de sustentação não seja afetado pela indicação de velocidades errôneas.”

Em seu relatório preliminar, a agência reconhece que o congelamento dos sensores Pitot, que indicam a velocidade do avião, desencadearam a catástrofe e o desligamento do piloto automático, mas os pilotos, diz o texto, poderiam ter salvo a aeronave executando a manobra correta. O co-piloto que estava no comando cabrou o avião (empinou para cima), e ganhou altitude, em vez de embicá-lo (picar), o que teria estabilizado a aeronave. Na verdade, segundo o documento, os três pilotos não perceberam que o avião estava perdendo sustentação. O  Airbus 330 despencou de 11.500 metros de altura em pouco mais de três minutos.

Segundo o BEA, a recomendação foi retirada porque será necessária uma avaliação mais aprofundada, antes de incluí-la no relatório final. Para os pilotos da Air France, o defeito no alarme teve um papel fundamental no acidente, porque forneceu informações contraditórias aos pilotos, o que o próprio diretor do BEA, Jean Paul Troadec, reconheceu na entrevista coletiva do dia 29 de julho.

Entrevistado pela RFI em junho, uma fonte que participou das investigações e teve acesso aos conteúdos das caixas-pretas do Airbus 330, que incluem os diálogos dos pilotos, declarou que eles poderiam ter confundido os alarmes, o que provocou o acidente. Segundo este especialista, o alarme de stall, que soa dentro da cabine, não toca jamais, e o piloto pode não ter acreditado que a aeronave estivesse de fato perdendo sustentação, o que coincide com as conclusões do BEA.  Ainda de acordo com ele, é praticamente certo que o treinamento dos pilotos seja adaptado para enfrentar esse tipo de situação.

Segundo o Les Echos, o diretor geral do grupo Air France- KLM, Pierre-Henri Gourgeon, solicitou formalmente à AESA (Agência Europeia de Segurança Aerea) nesta segunda-feira uma análise dos defeitos apresentados pelo alarme. O acidente, que ocorreu no dia 31 de maio de 2009, provocou a morte de 228 pessoas. Em abril, depois da localização da carcaça do avião, o BEA encontrou as caixas-pretas do voo, o que permitiu a análise das causas da tragédia.

 

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