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Europa

Obstinação de Boris Johnson no Brexit racha a família e estremece Partido Conservador

media Stanely Johnson (esquerda), Rachel Johnson (centro) e Jo Johnson (direita), pai, irmã e irmão de Boris Johnson, durante um evento do Partido Conservador em Londres, em 23 de julho de 2019. Stefan Rousseau / POOL / AFP

O governo britânico anunciou nesta quinta-feira (5) que fará uma segunda tentativa na próxima semana para convocar eleições gerais antecipadas, e tentar desbloquear o impasse em torno da saída do Reino Unido da União Europeia (UE). Hoje, o primeiro-ministro Boris Johnson sofreu novo revés com o anúncio da demissão de seu irmão mais novo, Jo Johnson, de um posto ministerial.

O ministro para Relações com o Parlamento, Jacob Rees-Mogg, pró-Brexit, disse aos deputados britânicos que ele apresentará uma nova moção sobre eleições antecipadas a ser votada na próxima segunda-feira. Ele negou-se a explicar se esta seria uma moção do mesmo tipo que a anterior, que exigiria o apoio de dois terços dos deputados, ou de outro tipo, que requer apenas maioria relativa.

Johnson sofreu duas importantes derrotas no Parlamento na quarta-feira (4). Os deputados britânicos aprovaram, por 327 votos contra 299, um projeto de lei que obriga o governo a pedir uma extensão do prazo do Brexit até 31 de janeiro de 2020, ao invés de 31 de outubro. Poucas horas depois, os parlamentares também rejeitaram uma moção apresentada pelo governo pedindo a realização de eleições gerais antecipadas em 15 de outubro. Aos olhos de Johnson, diante de pesquisas de opinião que indicam que os Conservadores voltariam a ganhar, as eleições dariam a ele a carta branca para tirar o país da União Europeia sem nenhum acordo.

Para reforçar a disputa, Johnson "falará diretamente ao público, expondo a escolha vital que nosso país enfrenta", anunciou seu porta-voz. Depois de receber em Londres o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o vice-presidente americano, Mike Pence, o primeiro-ministro discursará em um evento em Yorkshire, região norte do país. Desfavorecida economicamente, a população local votou em sua maioria a favor do Brexit. Partidário do Brexit, o governo dos Estados Unidos está "pronto, disposto e capacitado para negociar imediatamente um acordo de livre-comércio com o Reino Unido", declarou Pence.

Demissão de Jo Johnson

Nesta quinta, o Partido Conservador registrou uma nova defecção: o irmão mais novo do primeiro-ministro, Jo Johnson, defensor de um novo referendo sobre o Brexit, renunciou aos cargos de secretário de Estado e de deputado na Câmara dos Comuns. Ele alegou um conflito entre a "lealdade familiar e o interesse nacional".

"Nas últimas semanas estive dividido entre a lealdade familiar e o interesse nacional – é uma tensão irresolúvel e o momento para que outros assumam minhas funções como membro do Parlamento e ministro", anunciou Jo Johnson, de 47 anos, no Twitter. Ele ocupava o posto de secretário de Estado para a Ciência e as Universidades no gabinete do irmão.

Esta não é a primeira vez que tensões sobre a saída britânica da UE vêm à luz dentro da família Johnson. Jo Johnson também pediu demissão do governo de Theresa May, em novembro de 2018, por discordar da forma como o acordo estava sendo finalizado com os europeus naquela época. Na ocasião, ele reclamou a realização de um segundo referendo.

A irmã do primeiro-ministro, a jornalista Rachel Johnson, apresentou-se como candidata do partido pró-europeu Change UK nas eleições do Parlamento Europeu em maio passado, mas não foi eleita. Rachel Johnson, de 54 anos, foi membro do Partido Conservador como seus irmãos até 2011. Mas nas eleições gerais de 2017 apoiou os centristas liberais-democratas para defender com eles a permanência do Reino Unido na União Europeia.

No campo oposto, Boris Johnson, de 55 anos, foi uma das principais figuras da campanha pró-Brexit antes do referendo de 2016.

O pai desta família de seis filhos, Stanley Johnson, de 79 anos, trabalhou na Comissão Europeia entre 1973 e 1979 e foi eurodeputado pelo Partido Conservador britânico até 1984. Durante esses anos, os irmãos Johnson estudaram na Escola Europeia de Bruxelas. Stanley Johnson votou contra o Brexit no referendo de 2016, mas um ano depois se declarou a favor de deixar a UE, justificando-se em parte pela atitude do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Com informações da AFP

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