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Opositores ao Brexit travam batalha parlamentar e jurídica para adiar planos de Johnson

Opositores ao Brexit travam batalha parlamentar e jurídica para adiar planos de Johnson
 
Um manifestante pró-Brexit conversa com manifestantes anti-Brexit em Londres, Grã-Bretanha, 2 de setembro de 2019. REUTERS/Henry Nicholls

O Parlamento do Reino Unido reabre nesta terça-feira depois de um período de recesso e em meio a uma enorme crise política diante do Brexit. Os parlamentares devem tentar aprovar às pressas uma nova lei para impedir que o país saia da União Europeia sem nenhum acordo com o bloco, contrariando a vontade do primeiro-ministro, Boris Johnson. Ainda nesta terça-feira, um tribunal deve decidir sobre a possível inconstitucionalidade da decisão de Johnson de suspender o Parlamento a partir da semana que vem.

Da correspondente da RFI em Londres

A sessão parlamentar desta terça-feira é praticamente a primeira grande prova de fogo para Boris Johnson desde que ele assumiu o governo em julho, com o agravante de que ele anunciou uma suspensão do Parlamento a partir da semana que vem, causando uma enorme revolta.

O primeiro-ministro já disse repetidas vezes que o Reino Unido vai sair da União Europeia em 31 de outubro, custe o que custar. Mas a interpretação da oposição e de muitos parlamentares dentro do próprio Partido Conservador é de que Johnson terá dificuldades para obter um novo acordo com o bloco, mesmo com um encontro final entre ele e chefes de Estado europeus marcado para a terceira semana de outubro. Esses parlamentares, que incluem por exemplo o ex-ministro das Finanças do governo de Theresa May, Philip Hammond, devem tentar aprovar hoje uma nova proposta de lei que obrigue o primeiro-ministro a pedir à União Europeia uma extensão do prazo para o Brexit até 31 de janeiro do ano que vem,  se o Parlamento rejeitar qualquer tipo de acordo até 19 de outubro. A data original marcada para a saída era 31 de março passado, e essa seria a segunda extensão solicitada pelos britânicos.

Intimidação

Na segunda-feira, o governo anunciou que pode convocar eleições gerais antecipadas para 14 de outubro caso o Parlamento consiga retomar o controle sobre as questões do Brexit. Aos olhos de Johnson, diante de pesquisas de opinião que indicam que os Conservadores voltariam a ganhar, as eleições dariam a ele a carta branca para tirar o país da União Europeia sem nenhum acordo. Mas críticos acreditam que se trata apenas de uma manobra do primeiro-ministro para tentar fazer com que os parlamentares do seu próprio partido acabem desistindo de votar por um novo prazo para o Brexit por medo de serem punidos nas urnas. Johnson chegou a ameaçar alguns dos “conservadores rebeldes” de expulsá-los do partido caso apoiem a nova proposta de lei.

Nesta terça-feira, um tribunal na Escócia faz uma audiência para decidir se a suspensão do Parlamento anunciada por Johnson na semana passada é ou não inconstitucional. Esta foi uma ação iniciada por parlamentares do Partido Nacional Escocês (o SNP) e pela líder do Partido Liberal Democrata, Jo Swinson. A sentença será conhecida na quarta-feira (4). Outro processo iniciado em Londres por uma advogada anti-Brexit ganhou o apoio do ex-primeiro-ministro John Major, e terá uma audiência preliminar na quinta-feira (5).

No último sábado, milhares de pessoas foram às ruas em várias partes do país para protestar contra a decisão de Johnson de suspender o Parlamento. Mas só mesmo após os dois veredictos judiciais é que se saberá o que pode ocorrer na semana que vem.


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