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Direita populista não parece mais ser o futuro da Europa

Direita populista não parece mais ser o futuro da Europa
 
Joerg Meuthen, líder do partido alternativo para a Alemanha (AfD), Beatrix von Storch, vice-líder da AfD, e Joerg Urban, principal candidato da AfD às eleições na Saxônia, comemoram resultados da Saxônia em Dresden, 01/09/19 REUTERS/Wolfgang Rattay

As eleições regionais na Alemanha, na Saxônia e no Brandemburgo serviam de teste. Não só para o futuro político da República Federal Alemã, mas também para o resto da Europa. As sondagens previam um sucesso estrondoso para a AfD, o partido xenófobo e antieuropeu que poderia desbancar os governos locais dos conservadores e dos socialdemocratas. Mas o resultado final não foi bem assim.

Os dois partidos tradicionais perderam pontos, mas conseguiram manter a dianteira. Enquanto a Afd – com um quarto dos votos – não conseguiu superar o patamar atingido nas últimas eleições nacionais de 2017. Só os Verdes puderam celebrar, discretamente: com quase 10% dos votos, consolidaram a sua posição de força em ascensão. Na verdade, como está acontecendo em todos os países da Europa, o quadro político vai se fragmentando à cada eleição.

Esses resultados regionais são importantes por várias razões. As duas regiões faziam parte da antiga Alemanha do Leste comunista. Até hoje, as populações se sentem esnobadas e exploradas pelos alemães ocidentais. A reunificação do país depois da queda do Muro de Berlin foi feita a toque de caixa, arrebentando com todo o tecido industrial do Leste, que já era arcaico e improdutivo.

Juventude local só pensa emigrar para regiões ocidentais

O desemprego explodiu, ao mesmo tempo em que a extensa rede social falida do regime comunista foi desmantelada. Atualmente, a juventude local só pensa em emigrar para as regiões ocidentais onde estão as oportunidades e os bons salários. E os mais velhos, que ficaram, se sentem mais pobres e discriminados pela cultura mais dinâmica e individualista dos alemães ocidentais. Essa situação criou um eleitorado fundamentalmente conservador favorecendo a CDU de Angela Merkel – ela própria originária do Leste – e, em parte, o Die Linke, partido herdeiro do antigo partido comunista. E penalizando os Verdes, vistos como uma emanação da cultura urbana e sofisticada da República Federal.

Esse equilíbrio ressentido começou a se desmanchar com a criação da AfD, que ganhou peso com a crise dos migrantes e a chegada de quase um milhão de refugiados. Os votos a favor do jovem partido xenófobo e antieuropeu aumentaram brutalmente, ameaçando até todo o velho equilíbrio político alemão, baseado, há décadas, nos dois grandes partidos tradicionais, a CDU conservadora e o SPD socialdemocrata. Até agora, a Alemanha era considerada o grande polo de estabilidade política e econômica do Velho Continente.

Só que a sua economia não vai mais muito bem das pernas e que a política está cada vez mais imprevisível e fragmentada, parecida com a dos outros Estados europeus. O perigo é que os movimentos racistas que querem fechar as fronteiras acabem chegando ao poder, como na Hungria, na Polônia, na Áustria ou na Itália. Mas a boa notícia é que nas recentes eleições europeias, esses partidos ganharam alguns pontos, mas continuam muito minoritários e sem força para bloquear, ou até influenciar seriamente, as instituições europeias.

Partidos  populistas xenófobos parecem atingir um "teto eleitoral"

Tudo indica que esses partidos populistas xenófobos estão batendo num teto eleitoral. Uma tendência confirmada pelos pleitos na Saxônia e no Brandemburgo. Além do mais, a extrema-direita austríaca foi obrigada a deixar o governo no meio de um escândalo político. E na Itália, Matteo Salvini, o chefe do partido populista anti-emigrante e homem forte do governo, tentou uma jogada arriscada para convocar novas eleições e obter plenos poderes. Mas o tiro – até agora – saiu pela culatra. De momento, a direita populista não parece mais ser o futuro da Europa.

Mas nada disso é motivo para grandes alegrias. A Europa – como aliás o resto do mundo – vive uma transformação radical das suas maneira de produzir, consumir e se comunicar. Os velhos partidos políticos estão se desmanchando e os governos nacionais estão perdendo capacidade de resolver os problemas da cidadania. Ninguém sabe como serão as instituições políticas adaptadas a essa nova era. Por enquanto, ainda é muito prato cheio para as investidas dos populistas da direita radical.

Alfredo Valladão, do Instituto de Estudos Políticos de Paris faz uma crônica de geopolítica às segundas-feiras para a RFI


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