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Europa

Após 19 dias bloqueados em navio humanitário, migrantes começam a se jogar no mar

media Um migrante que pulou no mar do navio da Open Arms é resgatado em Lampedusa, Itália, em 20 de agosto de 2019. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Cerca de 15 migrantes que estavam a bordo há 19 dias do navio humanitário da ONG espanhola Open Arms se atiraram no mar nesta terça-feira (20) sem coletes salva-vidas, para tentar chegar a nado à ilha de Lampedusa. A embarcação está estacionada em águas italianas, mas foi proibida pelo governo da Itália de ancorar em qualquer porto do país.

"A situação está fora de controle", publicou a Open Arms em sua conta no Twitter. Segundo um porta-voz da ONG, cinco migrantes que se atiraram no mar foram resgatados pela guarda costeira italiana e levados até Lampedusa.

Muitas das pessoas socorridas pela ONG estão a bordo da embarcação há 19 dias, igualando o recorde dos migrantes resgatados pelo SeaWatch3 no final de dezembro, antes de atracar em Malta em 9 de janeiro.

A Open Arms recolheu mais de 140 migrantes à deriva na costa da Líbia, mas os menores e doentes puderam ser evacuados do navio nos últimos dias. Agora restam cerca de 90 pessoas na embarcação onde a situação sanitária é calamitosa, segundo a ONG.

Espanha vai enviar navio militar para resgate de migrantes

O governo espanhol anunciou nesta terça-feira que enviará um navio militar para resgatar os migrantes do Open Arms. Madri já havia proposto no domingo (18) que a embarcação humanitária atracasse em Algeciras, no sul, ou nas ilhas Baleares, no oeste. Mas, para a ONG, a operação é "absolutamente irrealizável". Devido à distância, seriam necessários mais três dias de navegação, o que é "insustentável", segundo os ativistas.

Há vários dias, seis países europeus - França, Alemanha, Luxemburgo, Portugal, Romênia e Espanha - anunciaram que estão dispostos a receber os migrantes a bordo do navio da Open Arms. Em uma entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal El País, o fundador da ONG, Oscar Camps, pediu que os migrantes sejam autorizados a desembarcar em Lampedusa para depois serem transferidos de avião para a Espanha.

O ministro italiano dos Transportes, Danilo Toninelli, mostrou-se disposto que a Guarda Costeira italiana transporte os migrantes até a Espanha. Mas desde que a bandeira espanhola seja retirada do navio da Open Arms.

O destino dos migrantes suscitou trocas de farpas entre a Espanha e Matteo Salvini, acusado de querer tirar proveito político do caso em plena crise política em Roma. "A firmeza é a única maneira de impedir que a Itália se torne novamente o acampamento de refugiados da Europa, como demonstra o barco da ONG espanhola cheia de falsos doentes e falsos menores", publicou o líder da extrema direita italiana no Twitter.

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