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Europa

Prática do nudismo em franco declínio na Alemanha

media Nudistas à beira do lago Grillen, em Naunhof, perto de Leipizg, em 19/08/12. AFP/DPA/Waltraud Grubitzsch

A abreviação FKK, de “freiköperkultur”, a cultura do corpo livre, é uma instituição alemã há mais de um século. Mas o naturismo e o nudismo parecem estar perdendo a popularidade no país, relata o correspondente da RFI na Alemanha.

De Berlim, Pascal Thibaut

Quando as primeiras associações surgiram no início do século passado, elas se inscreviam dentro de um movimento geral de retorno à natureza, de cultura do corpo ao ar livre, coincidindo com um momento em que a urbanização na Alemanha estava em plena expansão. As classes populares procuram maneiras de se arejar e encontram no naturismo a solução. A prática era também uma forma de questionar a burguesia, considerada pudica demais.

O naturismo se desenvolve principalmente após a Primeira Guerra Mundial, durante a República de Weimar, momento em que a sociedade se liberaliza. No final dos anos 1920, as associações FKK contam com cem mil integrantes. Os nazistas vão colocar fim a essa evolução a partir de 1933.

Depois da Segunda Guerra Mundial, o movimento ganha novo impulso, mas é promovido por associações que dispõem de terrenos próprios e que propõem atividades esportivas, praias e alojamentos. A liberalização dos modos a partir dos anos 1970 permite o desenvolvimento do nudismo, que se tornou uma prática não organizada, onde as pessoas se despem nas praias, à beira de lagos ou em parques urbanos, como em Munique ou Berlim.

Nudez para suprimir diferenças sociais

A separação das Alemanhas também é notória nesse domínio. Muito cedo, vencidas algumas resistências de burocratas comunistas, os alemães orientais adotam o hábito de tirar a roupa em público. Até Angela Merkel praticou o nudismo, de acordo com uma suposta foto que circula na internet da futura chanceler alemã. Para os orientais era também um espaço de liberdade dentro de um regime onde isso era cada vez mais raro.  

Após a reunificação, os turistas alemães ocidentais descobrem a prática nas praias do Báltico, antes parte do território comunista, mas não se entusiasmam.

Há apenas cinco anos, um estudo internacional mostrava que a Alemanha era o país onde a nudez tinha melhor aceitação no mundo. Um terço das pessoas entrevistadas dizia já ter estado sem roupa pelo menos uma vez na vida em público.

Tradição em recuo

Após a queda do muro, o número de praias que o FKK podia usar no mar Báltico foi drasticamente reduzido. Os números de aderentes das organizações também diminuíram sensivelmente. Paralelamente, a média de idade aumentou. Há casais com crianças, mas jovens entre 18 e 30 anos são raros.

O nudismo improvisado é feitoo por pouquíssimos jovens em praias ou ao redor dos lagos de Berlim. A prática é considerada fora de moda. De acordo com um instituto de pesquisas, 55% dos jovens alemães orientais tomavam banho nus na época da reunificação. Em 2013, apenas um terço de jovens fazia o mesmo em toda a Alemanha.

Por pudor

As redes sociais seriam uma das explicações para os jovens se absterem, numa era de selfies a todo momento, em poses estudadas, inspiradas em ídolos de corpos esculturais ou retocados. O risco de ter uma foto espalhada pela internet é grande.

Nas cidades grandes, a confrontação de culturas diferentes também prejudica essa tradição, por parte de pessoas vindas de países onde a nudez é impensável.

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