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Reino Unido: imbróglio do Brexit e crise com Irã à espera do novo primeiro-ministro

Reino Unido: imbróglio do Brexit e crise com Irã à espera do novo primeiro-ministro
 
Manifestação nas ruas de Londres com fantoches representando Boris Johnson e Jeremy Hunt durante uma marcha anti-Brexit 'Não a Boris, Sim à Europa' em Londres, Grã-Bretanha em 20 de julho de 2019. REUTERS/Simon Dawson

Os britânicos conhecerão finalmente o nome do seu 77o. primeiro-ministro nesta terça-feira (23). Tudo indica que Boris Johnson, ex-ministro de Relações Exteriores do governo conservador, seja o escolhido, e não Jeremy Hunt, seu oponente na disputa, que é o atual ministro de Relações Exteriores.

Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

 

O novo premiê assume o cargo já na quarta-feira (24), quando se encontra com a rainha Elizabeth II, que, de acordo com o protocolo, o convida a formar o governo. Sobre a sua mesa, terá pelo menos duas crises de grande magnitude que precisará resolver de imediato: uma interna, que é o imbróglio do Brexit, e a outra, externa, com a escalada das tensões com o Irã, que acaba de apreender um petroleiro de bandeira britânica no Estreito de Osmuz. Esta última pode atropelar a agenda do novo primeiro-ministro nos primeiros dias de governo.

No fim de semana, o Irã avisou que a liberação do petroleiro vai depender da cooperação dos tripulantes a bordo, que serão questionados. Vale lembrar que há uma semana foi o Reino Unido que apreendeu na costa de Gibraltar, um petroleiro que estaria levando óleo do Irã para a Síria.

O governo britânico anunciou que o Executivo informará o Parlamento  sobre "medidas complementares" que pretende adotar contra o Irã. Não está claro que tipo de medidas podem ser, uma vez que já estão em vigor sanções econômicas, financeiras e políticas contra o Irã. Mas uma das alternativas que tem sobre a mesa seria justamente a de convencer ONU e a União Europeia a impor novas sanções ao Irã.

O ministro de Relações Exteriores Britânico, Jeremy Hunt, manifestou neste fim semana aos iranianos a sua preocupação com os desdobramentos desta crise. E avisou que haveria sérias consequências se o petroleiro não fosse liberado. Neste fim de semana, Londres notificou o Conselho de Segurança de que a apreensão do petroleiro no Estreito de Ormuz é ilegal.

A própria disputa do Brexit impõe complicações para o Reino Unido atuar no caso do Irã. A relação britânica com o resto da Europa está longe de viver seu melhor momento. E, além disso, o outro potencial aliado de Londres, os Estados Unidos também têm as suas diferenças com o país. O Reino Unido discorda dos americanos sobre o futuro do acordo nuclear do Irã.

O vazamento das comunicações do embaixador britânico em Washington com o Londres, em que criticava a atuação de Donald Trump, chamando-o de inepto, também tratou de esgarçar a boa vontade dos americanos. O diplomata se demitiu. Mas o caso ainda é muito recente. Um outro complicador é o fato de que, semana passada, os dois candidatos ao posto de primeiro-ministro do Reino Unido condenaram as declarações consideradas racistas de Trump em relação a deputadas americanas de origem estrangeira.

Brexit sem acordo?

Tudo isso mostra que o momento não podia ser mais complicado para o Reino Unido. O novo primeiro-ministro assumirá o cargo no olho do furacão. Ele terá de achar uma solução para a crise com o Irã, sem perder o Brexit de foco. Isso porque o tempo não para, e o dia 31 de outubro está cada vez mais próximo. Esse é o prazo oficial para que o país deixe a União Europeia (UE). E ainda não se sabe se o divórcio vai acontecer com ou sem acordo com o lado europeu. 

A falta de um acordo, pode aprofundar a crise política no país e criar sérias dificuldades econômicas. É um cenário que especialistas e políticos gostariam de evitar. Neste sábado, o atual ministro das Finanças, Phillip Hammond, avisou que, se Boris Johnson vencer o páreo, ele pretende se demitir, porque não concebe estar em um governo que considere uma saída da UE sem acordo. 

Britânicos cansados

O país vive uma espécie de paralisia desde o referendo de junho de 2016, por estreita margem, em que os cidadãos optaram por deixar a União Europeia. Todas as agendas que não são o divórcio ficaram em segundo plano. E a população está cansada dessa novela, e ainda muito dividida. Ou seja, além de ter de encontrar uma saída para o Brexit, o novo primeiro-ministro ainda terá a missão de buscar uma reconciliação entre todos os lados. Esse é um grande desafio não apenas para ele, mas para o seu partido, os conservadores, que estão no poder desde 2010. Desde o referendo proposto pelo ex-primeiro-ministro David Cameron, os conservadores não conseguiram eles próprios mostrar unidade. Sua popularidade caiu como nunca no país. Seu desempenho na última eleição europeia foi o pior de todos os tempos.

 


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