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Europa

Britânicos lamentam a saída de embaixador em Washington

media O embaixador britânico nos Estados Unidos, Kim Darroch, anunciou sua demissão em 10 de julho de 2019. Paul Morigi / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

A renúncia do embaixador britânico em Washington, Kim Darroch, nessa quarta-feira (10) foi interpretada por muitos em Londres como uma rendição humilhante à pressão de Donald Trump e com graves consequências para a diplomacia britânica.

"Se o Reino Unido não consegue proteger as comunicações diplomáticas, causando prejuízos à carreira de pessoas, quando a única coisa que fazem é levar adiante os desejos do governo, veremos a qualidade dos nossos emissários se degradar e sua influência diminuir, o que vai enfraquecer o país", argumentou o presidente da Comissão Parlamentar de Relações Exteriores, Tom Tugendhat.

Kim Darroch entregou o cargo após a crise provocada com os Estados Unidos pelo vazamento de mensagens confidenciais, nas quais chamava o presidente Donald Trump de "inepto" e sua administração de "disfuncional".

O pedido de demissão foi feito através de uma carta enviada para o diretor do serviço diplomático britânico, Simon McDonald. "A situação atual me impede de cumprir minha função como desejaria. Nestas circunstâncias, o caminho responsável a seguir é permitir a nomeação de um novo embaixador", escreveu Darroch.

"Desde o vazamento de documentos oficiais procedentes desta embaixada, houve muita especulação sobre o meu cargo e a duração do meu mandato de embaixador", completou.

Desfecho lamentável

Theresa May lamentou a decisão de Darroch. "É muito lamentável que ele tenha decidido abandonar o seu posto de embaixador em Washington", afirmou a premiê na sessão semanal de perguntas no Parlamento.

Na opinião da líder conservadora, "um bom governo depende da capacidade de seus funcionários de darem conselhos sinceros e completos". "Quero que todos os nossos funcionários tenham a confiança necessária para fazer isso", insistiu.

O líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, disse "lamentar a demissão de Kim Darroch" e pediu ao Parlamento para lhe dar todo seu apoio por seus "serviços honoráveis e de qualidade".

Já o ex-ministro das Relações Exteriores e grande favorito a suceder May na liderança do Partido Conservador e do Executivo, Boris Johnson, evitou apoiar o diplomata na terça-feira à noite (9), durante um debate com Jeremy Hunt pela televisão.

De acordo com reportagem do jornal francês Le Figaro, há suspeita de que o vazamento das mensagens diplomáticas tenha partido da equipe de Johnson, com o objetivo de desacreditar o chefe da diplomacia e seu opositor na corrida ao cargo de primeiro-ministro.

Vazamentos

Nos telegramas diplomáticos enviados para Londres de Washington, alguns dos quais datavam de 2017, Kim Darroch descrevia o presidente americano como "instável" e "incompetente". O diplomata, de 65 anos, também se mostrava muito crítico em relação ao governo Trump.

As mensagens foram publicadas pelo jornal britânico The Mail no domingo (7), provocando a reação de Trump.

"Não trataremos mais com ele", escreveu o presidente em sua conta no Twitter, sem deixar claro se o embaixador poderia continuar desempenhando suas funções. Na terça-feira (9), Trump ainda chamou o embaixador britânico de "estúpido" e "imbecil pretensioso".

Em resposta, o ministro britânico das Relações Exteriores e um dos candidatos ao cargo de primeiro-ministro, Jeremy Hunt, criticou as palavras de Trump como "desrespeitosas e falsas".

Depois de servir em Bruxelas de 2007 a 2011, Darroch chegou aos Estados Unidos em janeiro de 2016, antes da vitória de Trump nas eleições presidenciais no fim daquele ano.

O governo britânico abriu uma investigação para encontrar o responsável pelo vazamento das mensagens.

 

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