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Europa

Crise diplomática entre EUA e Reino Unido favorece partidários do Brexit

media O presidente americano, Donald Trump, e a primeira-ministra britânica, Theresa May, em Londres, em 4 de junho de 2019. MANDEL NGAN / AFP

Os vazamentos na imprensa de declarações do embaixador britânico em Washington, o pró-europeu Kim Darroch, não poderiam acontecer em um melhor momento para os partidários do Brexit. As revelações e trocas de farpas entre os Estados Unidos e o Reino Unido favorecem a aproximação entre o presidente americano, Donald Trump, e o conservador Boris Johnson, provável futuro primeiro-ministro britânico.

No último domingo (7), o jornal britânico Daily Mail publicou trechos de telegramas diplomáticos confidenciais direcionados a Londres pelo embaixador britânico em Washington, Kim Darroch. No documento, o presidente americano, Donald Trump, é descrito como "inapto" e "disfuncional".

Segundo Darroch, uma verdadeira confusão aconteceu na Casa Branca após a decisão do republicano de anunciar e cancelar um bombardeio militar contra o Irã. "Não acreditamos que essa administração vá se tornar mais normal, menos disfuncional, menos imprevisível, menos dividida, menos atrapalhada e menos inapta diplomaticamente", afirmou no telegrama.

No dia seguinte às revelações, Trump não poupou Darroch de ataques no Twitter. Primeiro anunciou que cortaria contatos com o diplomata. Nesta terça-feira (9), classificou o embaixador de "um cara muito estúpido". O republicano ainda aproveitou para comemorar como "boa notícia" que a primeira-ministra, Theresa May, deixará o poder este mês, assim que as bases do Partido Conservador escolherem seu sucessor.

A premiê, aliás, não foi poupada da ira de Trump. Em outro tuíte, o presidente americano sugeriu que Darroch fale "com seu país e com a primeira-ministra May sobre sua fracassada negociação sobre o Brexit". "Disse a Theresa May como conseguir o acordo, mas seguiu seu próprio e ridículo caminho e foi incapaz de conclui-lo. Um desastre!", enfatizou.

Para especialistas, a recusa de Trump em continuar a se relacionar com o embaixador britânico após o vazamento da opinião do diplomata coloca à prova a "relação especial" entre os dois países. A situação também mostra o quanto o impasse do Brexit pode gerar tensões fora do Reino Unido e da Europa.

Comentários "desrespeitosos e falsos"

O ministro britânico das Relações Exteriores, Jeremy Hunt, criticou as declarações de Trump sobre o Reino Unido e contra May.  "Os amigos de Donald Trump falam francamente, então também vou fazê-lo: esses comentários sobre nossa primeira-ministra e meu país são desrespeitosos e falsos", escreveu no Twitter.

Hunt, aliás, enfrenta nesta noite o ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, em um debate na noite desta terça-feira, na corrida pelo cargo de primeiro-ministro. Os dois conservadores defendem a saída do Reino Unido da União Europeia, mas Johnson, um dos arquitetos da campanha a favor do Brexit, tem sido mais incisivo e afirma que, sob o comando dele, o divórcio vai se materializar com ou sem acordo.

O ex-prefeito de Londres, aliás, reagiu aos tuítes de Trump de forma conciliadora, reivindicando suas "boas relações" com o presidente americano. "Eu mesmo disse coisas muito críticas a respeito das negociações sobre o Brexit", afirmou Johnson. Sua reação gerou especulações sobre uma possível substituição do embaixador do Reino Unido em Washington para agradar o líder republicano.

Responsabilidade do vazamento

Londres abriu uma investigação sobre a responsabilidade do vazamento. A maioria das teorias aponta para o complexo contexto político na corrida para a sucessão de May dentro do Partido Conservador e do governo em meio a disputa entre Johnson e Hunt.

Uma das teoria aponta que o vazamento não visava a desestabilizar Darroch, mas quem deve substitui-lo em janeiro, um pró-europeu que desagrada a todos os ferrenhos defensores do Brexit.

Políticos britânicos de todas as orientações deram seu apoio ao diplomata e rejeitaram a ideia de que Trump possa expulsar o representante do Reino Unido em Washington. Todos defenderam que, para desempenhar corretamente suas funções, um embaixador deve ser capaz de dar opiniões sinceras sobre o país em que está lotado.

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