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Com foco no "carbono zero", Finlândia assume presidência da UE

Com foco no
 
O primeiro-ministro da Finlândia, Antti Rinne. REUTERS/Yves Herman

Nas últimas eleições europeias o partido “Os Verdes” foi o que registrou maior crescimento na Finlândia: um avanço que reflete a preocupação do país com as mudanças climáticas. Não é por acaso que o combate ao aquecimento global será o centro da presidência finlandesa da União Europeia. 

Letícia Fonseca-Sourander, correspondente da RFI em Bruxelas

A Finlândia assume a presidência rotativa da União Europeia nesta segunda-feira (1°) pela terceira vez desde que aderiu ao bloco, em 1995. Este pequeno país europeu está sempre no topo de vários índices de educação, igualdade de gênero e bem-estar social. 

Nos rankings da Transparência Internacional é costume ver a Finlândia entre os menos corruptos do mundo. Aliás, praticamente não existe corrupção por lá. Assim como nos outros países nórdicos, os finlandeses têm um forte senso comunitário nas questões de esfera pública. O ar na Finlândia é considerado um dos mais limpos do planeta. E como se não bastasse todas estas qualidades, a Finlândia lidera, pelo segundo ano consecutivo, os indicadores de felicidade das Nações Unidas

Mas a história do país não foi sempre assim. Durante três séculos a Finlândia foi dominada pela Suécia e depois fez parte do Império Russo até 1917. Os finlandeses conquistaram a independência há apenas um século. 

A Finlândia era muito pobre e a terra pouco fértil, mas ao longo do tempo, se desenvolveu como uma nação bastante próspera. Afinal de contas, a essência do povo finlandês se baseia em um conceito chamado "sisu", que é uma forma de perseverança para enfrentar as adversidades. 

Vale lembrar que esse foi o primeiro país europeu a conceder voto às mulheres, em 1906, e a permitir que elas concorressem a cargos políticos.

Prioridades da presidência finlandesa da UE

Uma das metas mais ambiciosas da presidência finlandesa é fazer com que a União Europeia consiga atingir a neutralidade de carbono até 2050. Atualmente responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, a idéia é transformar o bloco na primeira grande potência mundial a adotar uma economia limpa, zerada de emissões de CO². O desafio faz jus ao lema “Europa sustentável, Futuro Sustentável” criado para nortear Helsinki nas discussões dos próximos seis meses. 

Em 2020, os países signatários do Acordo de Paris devem apresentar propostas mais radicais para evitar o aumento da temperatura global a 2ºC. A Comissão Europeia propôs, no ano passado, esta estratégia sobre neutralidade climática até 2050.

Os finlandeses terão pela frente a difícil tarefa de convencer Alemanha e Polônia - países com tradição em indústria automobilística e mineração -, além da Hungria, República Tcheca e Eslováquia - que receiam que os cortes possam afetar suas economias - a adotar o projeto do executivo europeu.

Outras prioridades

Ao assumir a presidência do Conselho da UE, a Finlândia sinalizou que quem não respeitar o Estado de Direito - um dos pilares do regime democrático - deve ser penalizado no recebimento dos fundos comunitários. Polônia e Hungria estão entre os que mais se beneficiam destas verbas generosas e há anos têm sido acusados de violar os valores democráticos europeus em questões como imigração, corrupção, liberdades civis e direitos de minorias. 

O combate ao autoritarismo passa pela idéia de Estado de Direito, um dos pilares do regime democrático. No ano passado, em uma ação inédita, o Parlamento Europeu solicitou a ativação do artigo 7, que poderia retirar a Hungria do direito de voto nas decisões essencias do bloco. Em revanche, Budapeste e Varsóvia ameaçam rejeitar o próximo orçamento da Comissão Europeia. 

Outro objetivo da presidência finlandesa é envolver a sociedade civil no combate a campanhas de desinformação e notícias falsas, as chamadas fake news.


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