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Europa

Itália: Decreto de Salvini barra navio de ONG Sea Watch, acusada de "delinquente"

media Itália: O novo "decreto de segurança" de Salvini atinge o "Sea Watch". REUTERS/Antonio Parrinello/File Photo

O navio da ONG alemã Sea-Watch 3 está parado a 16 milhas náuticas de Lampedusa, na costa italiana, à espera de um porto para desembarcar
43 migrantes dos 53 socorridos na costa líbia no sábado (15). A embarcação é alvo de um decreto do ministro do Interior italiano, Matteo Salvini, que entrou na sexta-feira (14) e impede os barcos humanitários de atracar no mar territorial italiano.

Anne Le Nir, correspondente da RFI em Roma

Três crianças e três mulheres, duas delas grávidas, foram transferidas para uma fragata da guarda-costeira italiana. Além deles, outros quatro homens, dois deles doentes, foram autorizados a desembarcar na ilha de Lampedusa. Mas o navio continua bloqueado com 43 migrantes a bordo, sem saber onde poderá atracar. Para Matteo Salvini, o Sea Watch é um “barco pirata” e a tripulação “é um bando de delinquentes, cúmplices de coiotes e traficantes.”

A tripulação de Sea Watch se recusou a dar meia-volta e realizar o desembarque dos migrantes em Trípoli, como propôs o governo líbio. De acordo com a agência das Nações Unidas para os Refugiados e a Comissão Europeia, os portos do país não são seguros, em razão da atual situação política instável no país.

Movimento Cinco Estrelas apoia medida

O Movimento Cinco Estrelas validou o documento de interdição de entrada no mar territorial italiano do Sea Watch, o que demonstra um alinhamento de algumas posições com a Liga, de extrema direita, diz a correspondente da RFI em Roma, Anne Le Nir. Segundo ela, a oposição de centro-esquerda, por enquanto, não está mobilizada em torno da questão.

Segundo Matteo Salvini, o navio da ONG alemã poderá ficar vários dias na costa de Lampedusa. Apesar da proibição, a igreja italiana e outras 22 cidades alemãs, entre elas Rothenburg e Berlim, já propuseram receber os migrantes. O ministro do Interior italiano aceitou a proposta, apesar do chamado regulamento de Dublin prever que os migrantes devam pedir asilo no país de chegada. A alegação é que os portos estão fechados, mas os aeroportos estão liberados para os refugiados.

Matteo Salvini autorizou o envio de 4.600 candidatos ao asilo, sendo que 1.200 já desembarcaram na Itália. Muitos deles são algemados e sedados, como revelou o jornal italiano La Repubblica.

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