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Europa

Após transformar cidade da Itália em modelo de integração, ex-prefeito é julgado por ajudar imigrantes

media O julgamento de Domenico Lucano (centro), ex-prefeito de Riace, teve início nesta terça-feira (11). Filippo MONTEFORTE / AFP

O julgamento de Domenico Lucano, ex-prefeito de Riace, na região da Calábria, teve início nesta terça-feira (11). Figura emblemática do acolhimento e integração de estrangeiros na Itália, ele é acusado de ter favorecido a imigração clandestina.

Domenico "Mimo" Lucano é acusado de ter autorizado casamentos por conveniência, com o objetivo de ajudar mulheres estrangeiras a permanecerem em Riace, cidade de 1.800 habitantes no sul da Itália. O ex-prefeito de esquerda também enfrenta a denúncia de ter recusado o processo de licitação para a gestão do lixo do município, atribuindo-a a cooperativas ligadas a imigrantes.

“Mimo” Lucano administrou Riace durante 15 anos, sendo eleito de forma interrupta desde 2004. Com o objetivo de relançar o desenvolvimento e criar novos empregos, ele criou um modelo único, dinamizando a economia e repovoando o local com estrangeiros, principalmente originários da Síria, Afeganistão e Nigéria. O sucesso lhe valeu um lugar na classificação do ranking Fortune entre as 50 personalidades mais influentes do mundo em 2016.

No entanto, com o exemplo da cidade sendo ostentado nas mídias do mundo inteiro, Lucano passou a ser alvo da extrema direita. Desde a ascensão do partido ultraconservador A Liga, abertamente contrário à imigração, o ex-prefeito viu seu destino mudar.

Nas últimas eleições municipais de 26 de maio, Riace mudou de campo e foi conquistada pela extrema direita. De "cidade de acolhimento" passou a exibir o slogan "os italianos primeiro", do líder ultranacionalista Matteo Salvini. O governo também decidiu cortar as subvenções que o local recebia, como o fundo europeu e italiano para a proteção dos asilados e refugiados (Sprar).

"As pessoas queriam mudança. Depois de 15 anos falando apenas de acolhimento e refugiados, os habitantes estavam cansados", afirma o novo prefeito, Antonio Trifoli, do partido A Liga.

Leis desumanas

Lucano reconhece ter recorrido a atos de "desobediência civil", mas apenas para, segundo ele, contornar leis que classifica como "desumanas". Ao chegar nesta terça-feira para o início do julgamento na cidade de Locri, também na Calábria, ele foi ovacionado por uma multidão. O ex-prefeito está proibido de frequentar a cidade que governou durante quase duas décadas.

Entrevistada pela RFI, Rosaria Lucano, prima do ex-prefeito, visitou Riace na semana passada. Segundo ela, o local "está se apagando", após o fim do programa de acolhimento de imigrantes. Cerca de seis mil estrangeiros passaram pela cidade nos últimos anos. Mas, atualmente, os que ainda vivem no local, planejam ir embora.

Para ela, a extrema direita utiliza o julgamento que teve início nesta terça-feira para acabar com um símbolo de solidariedade. "O que o prefeito Lucano fez foi reabrir escolas, dar formações de trabalho, reconstruir as casas abandonadas há décadas pelos italianos que foram embora da cidade. Lucano representa a integração e o acolhimento, por isso quiseram mostrá-lo como uma pessoa indigna, para que ele seja culpado e não se torne um exemplo", avalia.

O ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, não esconde o que pensa de Lucano. Em uma viagem recente que fez à Calábria, ao ser questionado pela imprensa sobre Riace, o líder da extrema direita italiana afirmou: "o ex-prefeito de Riace não é nada, é um zero".

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