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Europa

Direita moderada europeia sofre pressão para se aproximar do campo populista

media O historiador Gyoso Lugosi, da Universidade Elte de Budapeste. Foto: RFI

O enfraquecimento anunciado dos dois maiores grupos políticos do Parlamento Europeu nas eleições de 23 a 26 de maio, conservadores e sociais-democratas, promete alterar de forma expressiva o jogo de forças na União Europeia (UE) nos próximos cinco anos. A Hungria, um pequeno país do bloco que elege apenas 21 eurodeputados dos 751 que compõem o plenário, tornou-se uma pedra no sapato da direita moderada europeia.

O primeiro-ministro nacionalista Viktor Orbán faz intensa campanha pela vitória de seu partido, o Fidesz, prevendo uma participação recorde dos húngaros na votação. Seu objetivo é chegar fortalecido a Estrasburgo e desestabilizar o sistema de funcionamento do bloco. A legenda, que há alguns anos deu uma guinada para a extrema-direita com uma plataforma nacionalista cristã, deve eleger em torno de 14 deputados no Parlamento Europeu. O contingente pode parecer insignificante, mas tem potencial para criar muita tensão.

Em março, o partido de Orbán foi suspenso da bancada do Partido Popular Europeu (PPE), que reúne os parlamentares de direita e centro-direita, de tendência liberal conservadora e cristãos-democratas. O premiê húngaro foi sancionado por ter lançado uma campanha difamatória contra a Comissão Europeia.

As pesquisas estimam que o PPE vai encolher na próxima legislatura, passando dos atuais 219 para cerca de 180 eurodeputados. Parte da erosão se explica pela migração de eleitores para partidos populistas de extrema direita, como a Liga, de Matteo Salvini, na Itália, Alternativa para a Alemanha (AfD) e a Reunião Nacional (RN), de Marine Le Pen, na França.

Debandada ainda maior é prevista na segunda maior bancada do Parlamento Europeu, composta pelos sociais-democratas, que abrange socialistas e trabalhistas. O grupo deve diminuir de 189 para cerca de 140 eurodeputados, o que faz com que as duas maiores famílias políticas da UE, que estiveram no comando nos últimos 40 anos, precisarão compor coalizões para manter sua influência no plenário de Estrasburgo. Nos últimos 15 anos, a Comissão Europeia foi dirigida pelos conservadores.

O primeiro-ministro húngaro passou a campanha ameaçando se aliar a uma hipotética bancada unida de partidos eurocéticos, que englobaria as siglas antissistema e de extrema direita, mas a maior parte dos analistas considera essa possibilidade remota. Há muito tempo, desde que aprovou uma nova Constituição para seu país, em 2012, o líder húngaro aplica uma estratégia  para permanecer no PPE e pressionar os conservadores a adotar um posicionamento mais radical à direita, populista se necessário.

"Líder forte"

O cientista político Róbert Lázló, especialista em eleições no think tank de Budapeste Political Capital, explica que Orbán quer ser um líder “forte” na Europa, mas o modelo atual impede a emergência desse tipo de dirigente. “A UE tem um modo de funcionamento único no mundo, com quatro instituições principais – Parlamento, Comissão Europeia, Conselho Europeu e Conselho de Ministros – que atuam de forma a equilibrar o peso dos países, de maneira que ninguém de fato concentra o poder, um tipo de obstáculo inaceitável para Orbán”, afirma o especialista. “Ele realmente quer desestabilizar a maneira como esse sistema funciona, para estabelecer um modelo criado por ele”, afirma o cientista político.

O fator Rússia

Orbán, muito próximo do presidente russo, Vladimir Putin, seu principal aliado no exterior, despreza o projeto de uma UE mais integrada, o projeto dos Estados Unidos da Europa, defendido, entre outros, pelo presidente francês, Emmanuel Macron, e quer impor seu sistema de estados-nação soberanos, segundo Lázló. Essa estratégia, na opinião do cientista político, satisfaz aos interesses da Rússia de se fazer indispensável no continente. As relações do bloco com os russos azedaram desde a anexação da península da Crimeia, em 2014, uma das etapas do longo conflito com a Ucrânia. Moscou passou a financiar vários partidos eurocéticos e populistas de extrema direita e extrema esquerda com o objetivo de contruir uma frente pró-Rússia e anti-UE.

Lázló não vê a menor chance de Orbán migrar para a bancada dos populistas antissistema e da extrema direita, que terá até 150 deputados, de acordo com estimativas. “Eles ficarão mais fortes, mas não terão a maioria, o que não serve para Orbán. Salvini, Le Pen e outros populistas precisam muito mais do premiê húngaro do que o contrário”, destaca.

O historiador Gyozo Lugosi, da Universidade Elte, de Budapeste, concorda que o objetivo de Orbán é transformar a UE, mas diz não saber se o nacionalista tem uma visão sofisticada e detalhada desse projeto. Ele vai ficar na bancada na qual puder influir de maneira mais incisiva.

“Sei que ele quer transformar as instituições e desempenhar um papel importante. Orbán não quer, por exemplo, que a UE avance na integração e defende a cooperação dos estados membros com abertura para a Rússia e a China. Ele busca outros apoios fora da UE. Por isso, ele trabalha com os países da Europa Central, o chamado grupo de Visegrado (V4 – Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia) para criar um bloco dentro do bloco”, explica o historiador.

Dessa forma, Orbán mantém viva a tensão entre o leste e o oeste da Europa, restaurando um antagonismo dos tempos da Guerra Fria, como se os interesses dos países ocidentais do bloco e os de ex-comunistas do leste fossem inconciliáveis. Para seu público interno e aliados do leste, o líder húngaro se apresenta como o único capaz de impedir que as grandes economias, como Alemanha e França, ditem as regras na UE. Mas ele não chega a convencer a Polônia, que não suporta qualquer aproximação com os russos.

Recomposição de forças em aberto

Nesse cenário de grupos tradicionais enfraquecidos, os centristas liberais começam a traçar um caminho e já esperam formar a terceira força política no Parlamento Europeu, um grupo pivô, como têm afirmado. Mesmo se perder na França para a extrema direita de Marine Le Pen, os futuros 20 deputados do partido de Emmanuel Macron (LREM) deverão integrar uma bancada de cerca de 100 deputados, ao lado dos parlamentares da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (Alde) e de outras forças compatíveis.

A Alde, que tem entre suas personalidades o ex-premiê belga pró-UE Guy Verhofstadt e a dinamarquesa Margrethe Vestager, comissária europeia da Concorrência na atual Comissão, até mudou de nome para se dissociar da imagem negativa que o termo “liberais” imprime ao grupo, fazendo campanha com o slogan “Equipe Europa” .

A ideia dos partidos liberais de centro é construir coalizões com os verdes (50 deputados), atrair parte dos sociais-democratas, enfraquecidos, e parte dos democratas-cristãos descontentes com as divisões no PPE.

Essa aliança pode favorecer a nomeação do francês Michel Barnier, negociador-chefe do Brexit, na presidência da Comissão Europeia, num cenário de crise que veria a candidatura do alemão Manfred Weber, atual presidente do PPE e inicialmente favorito para o cargo, ser rejeitada pelo Parlamento Europeu.

Negociações serão complexas

Observadores preveem negociações duras para a composição da nova Comissão Europeia. A partir de 27 de maio, os eurodeputados eleitos entrarão em discussões para formarem os grupos políticos. Para a constituição de um grupo político são necessários pelo menos 25 eurodeputados de um quarto dos estados membros. Os grupos políticos terão de notificar a sua composição até ao dia 24 de junho.

Cada país do bloco pode nomear um candidato para o cargo de presidente da Comissão Europeia, mas precisa levar em conta o resultado das eleições ao fazer as indicações. Além disso, é necessário que o Parlamento aprove o novo presidente da Comissão por maioria absoluta, ou seja, com o apoio de 376 eurodeputados. Tanto os comissários quanto o presidente eleito da Comissão têm de ser aprovados pelo plenário do Parlamento antes de a Comissão Europeia poder entrar em funções, no início de novembro.

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